‘Timidez’ e desunião impedem crescimento

Historicamente, a participação de Goiás no cenário nacional se resume a 3%. Esse porcentual, aproximadamente, indica o tamanho do PIB goiano em relação ao nacional, o tamanho do eleitorado, a taxa de consumo, a quantidade de indústrias, a maioria das estatísticas. É só consultar IBGE e outros órgãos e ver que os 3% são a marca do Estado.

O que fazer para ultrapassar essa barreira dos 3%? Há milhões de alternativas, mas poucas são tão eficientes quanto a saída política: o tamanho de um Estado é proporcional ao tamanho de seus representantes. Afinal, por que em ações como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Estados bem menores do que Goiás conseguem mais verbas?

por Eduardo Horácio

Historicamente, a participação de Goiás no cenário nacional se resume a 3%. Esse porcentual, aproximadamente, indica o tamanho do PIB goiano em relação ao nacional, o tamanho do eleitorado, a taxa de consumo, a quantidade de indústrias, a maioria das estatísticas. É só consultar IBGE e outros órgãos e ver que os 3% são a marca do Estado.

O que fazer para ultrapassar essa barreira dos 3%? Há milhões de alternativas, mas poucas são tão eficientes quanto a saída política: o tamanho de um Estado é proporcional ao tamanho de seus representantes. Afinal, por que em ações como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Estados bem menores do que Goiás conseguem mais verbas?

Por que Alagoas, que tem um PIB quatro vezes menor do que Goiás, consegue mais recursos? E o que dizer do Acre, que tem PIB dez vezes menor e, também, menos recursos? Questão de força política. Por mais que Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB) sejam conhecidos, nenhum deles se aproxima da popularidade nacional adquirida por Fernando Collor (PTB), Renan Calheiros (PMDB) e Heloísa Helena (Psol), para citar apenas três alagoanos.

A questão, claro, não é só popularidade. É força política, como já dito. Os senadores Fernando Collor e Renan Calheiros (exceção feita agora no momento de crise) e mesmo Heloísa Helena (quando era senadora) sempre tiveram muito mais força no governo federal que qualquer senador ou deputado federal goiano. A diferença é que, ao contrário da maioria dos goianos, eles enfrentam brigas, se preparam para os debates, têm posições ideológicas definidas e se recusam a aceitar um "não" do governo federal quando o assunto é verba para seus Estados.

Em Goiás, os poucos que batalham muito por verbas acabam ficando muito ausentes dos debates do cotidiano do Congresso Nacional. Ausentes da mídia, não têm força suficiente para conseguir mais verbas para o Estado como um todo - e não só para seu curral eleitoral, como é de praxe.

Outro Estado que também tem PIB menor do que Goiás é o Ceará. Apenas duas famílias - a de Ciro Gomes e a de Tasso Jereissati - têm mais espaço (e alcançam mais verba federal) do que todos os políticos goianos somados, mesmo com PIB menor.
O que atrapalharia os goianos? É comum ouvir, nestes casos, a palavra "timidez". O que explica pouco, já que não é possível imaginar que os habitantes nascidos em um Estado sejam mais tímidos do que outro. Mas talvez explique um pouco das relações culturais do Estado, ainda muito voltada para si mesma. Não seria diferente na política.

Há, ainda, o fato de Goiás ser parte da região Centro-Oeste. Os Estados nordestinos têm uma união entre si que o Centro-Oeste está longe de alcançar. Na verdade, nem tentativa de união há. Tanto que, hoje em dia, até os Estados do Norte são mais unidos. Acre, Amazonas, Pará e Tocantins, para citar apenas quatro, conversam mais entre si do que Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Essa desunião do Centro-Oeste faz a região ser menor do que aparenta. Em tempo: Acre, Amazonas, Pará e Tocantins têm PIB inferior ao de Goiás. Mas todos receberam do PAC mais verbas que os goianos.

Eles tentaram
Do período da redemocratização para cá, poucos goianos ousaram ganhar destaque nacional para tentar reverter a pouca influência do Estado no cenário nacional. Ronaldo Caiado (DEM) foi candidato a presidente da República e, antes, presidente nacional da União Democrática Ruralista (UDR). Iris Rezende tentou, sem sucesso, ser candidato do PMDB à presidência da República. E Maguito Vilela foi, por um curto período em 2001, presidente nacional do PMDB.

De alguma forma, no entanto, todos tiveram uma certa vitória ao toparam o risco. Ronaldo Caiado, quando disputou a Presidência da República, em 1989, sabia que suas chances eram reduzidas, mas entrou no jogo para marcar posição. Ele concorreu pelo PSD contra outros 21 candidatos. Ficou na décima colocação, com 0,68% dos votos, mas conseguiu bastante destaque principalmente ao polarizar os debates do primeiro turno com o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Muito da popularidade que Caiado tem até hoje tem relação direta com aqueles dois fatos dos anos 80: o comando da UDR e a disputa pela Presidência da República.

Um pouco antes, Iris Rezende tentou ser o candidato do PMDB, sem sucesso, na disputa pela presidência da República em 1989. Defendendo um alinhamento incondicional do partido ao governo federal, Iris (que era ministro da Agricultura de Sarney) disputou com Ulysses Guimarães o posto de candidato do partido. Sem o apoio de Henrique Santillo, na época governador de Goiás (fato que levou Iris e Santillo ao rompimento total), Iris acabaria derrotado na convenção interna ainda no primeiro turno, ficando atrás de Waldir Pires (por dois pontos porcentuais) e Ulysses Guimarães (diferença de cinco pontos porcentuais)

Pouco tempo depois, Iris disse em entrevista coletiva que fez questão de disputar a indicação porque sentia que a população não queria votar em um candidato "idoso". Ulysses Guimarães, em 1989, disputou a eleição com 73 anos. (Detalhe: hoje quem tem 73 anos é o próprio Iris, que se prepara para tentar a reeleição no ano que vem de olho no governo em 2010, quando completará 76).

Em 1997, o desafio de Iris era derrotar o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na disputa pela presidência do Senado. Iris obteve 28 votos favoráveis, contra 52 de ACM, candidato apoiado pelo Palácio do Planalto. Iris lembra-se magoado do episódio. O voto era secreto e ele contava com o apoio público de seu partido (PMDB) e das legendas de esquerda. Só aí seriam 33 votos garantidos, mas ele teve cinco a menos. O senador José Sarney (PMDB) declarou apoio público a ele e o incentivou a entrar na disputa, mas Sarney estava acertado com ACM desde o início.

Em 2001, Maguito Vilela era presidente nacional interino do PMDB. Ganhou destaque na imprensa por levantar a voz contra o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), defendendo que o PMDB deixasse os cargos no governo e fosse para a oposição. A pedido do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, Maguito entrou na disputa pela reeleição, mas levou apenas 37% dos votos válidos na disputa direta contra Michel Temer, que acabaria vitorioso. 


 

Qual oposição é mais fraca?
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A oposição ao governo Marconi
A oposição ao prefeito Paulo Garcia

 

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