A marca 'Tempo Novo' morreu?

Em 2008, a marca "Tempo Novo" faz 10 anos. Será que a base aliada vai novamente usar esse slogan? O que persiste da idéia original? Dez anos depois, ela ainda tem força? Dois especialistas em marketing respondem

por Eduardo Horácio

O ano era 1998 e a história todos os goianos conhecem: alguns partidos se reuniram, lançaram um candidato a governador e batizaram a chapa de "Tempo Novo". A idéia era chamar o principal adversário, Iris Rezende (PMDB), de representante do "tempo velho". Acabou pegando. Marconi Perillo (PSDB) derrotou Iris. O marketing fez bem seu papel e a marca mostrou sobrevida, sendo vitoriosa em três eleições consecutivas para governador de Goiás: 1998, 2002 e 2006.

Ano que vem, a marca faz 10 anos. Será que a base aliada, fragmentada ou não, vai novamente usar esse slogan? Dez anos depois, ela ainda tem força? Este escriba ouviu dois especialistas em marketing. Um é Hamilton Carneiro, publicitário que já comandou várias campanhas vitoriosas do PMDB, incluindo a de Iris para prefeito de Goiânia em 2004. O outro é Carlos Maranhão, que também entende do assunto e foi um dos articuladores da campanha vitoriosa de Marconi em 1998.

Para Hamilton Carneiro, a marca "Tempo Novo" está esgotada do ponto de vista administrativo e político. "A marca envelheceu", pontua. Carneiro também diz que a marca "Tempo Novo" vem do governo Mauro Borges, nos anos 60, e não de 1998. Já Carlos Maranhão diz que enquanto o adversário principal for o PMDB, a marca "Tempo Novo" continua. Maranhão também diz que, mais do que uma marca, o termo remete a um movimento político. E o movimento, segundo ele, é bem anterior à marca. Por isso, mais forte.

Interessante é ver como o PMDB engoliu a idéia de que o adversário era o "novo" e ele, PMDB, o "velho”. Nunca houve resposta à altura. Hamilton Carneiro diz que reagir seria pior. "Iris nunca deu reposta à idéia de tempo novo e nem vai dar. Chamaram ele de 'tempo velho". É como apelido. Não pode reagir. Ele preferiu responder com ações na prefeitura."

Adversário ideal
Carlos Maranhão não diz isso, mas nas entrelinhas dá a entender que é bom para a Base Aliada que o PMDB continue como principal antagonista. Mais do que isso, é bom para ele que o PMDB continue com os mesmos candidatos de sempre.

Foi contra Iris Rezende (em 1998) e Maguito Vilela (em 2002 e 2006) que o "Tempo Novo" obteve sucesso.

Se, desde 1998, o PMDB tivesse se renovado e fugido da dobradinha Iris e Maguito, é bem provável que a marca "Tempo Novo" jamais surgisse.

A marca só existe (tem muito peemedebista que fecha os olhos para isso) porque o PMDB é centrado em si mesmo, não se abre para a sociedade e expulsa os políticos que tentam reoxigená-lo. Em marketing, um slogan ou uma idéia só pega quando tem correspondência forte na realidade.

Já prevendo um possível esgotamento da dobradinha Marconi e Alcides (tal como sucedeu com o PMDB), Carlos Maranhão já ressalva que a marca não é do PSDB nem do Marconi. "É de um conjunto de forças políticas que se opõe ao PMDB."

Marconi ficou no poder por dois mandatos, com Alcides sempre na vice. E, agora, Alcides é governador. Em 2010, dez entre dez políticos apostam que Marconi será novamente candidato a governador. Se a renovação é nula no PMDB, caminha para ficar débil também na base aliada liderada por PP e PSDB.

Hamilton Carneiro diz já perceber esse "envelhecimento" do "Tempo Novo". Ele explica: em 16 anos, o PMDB teve mais de seis governadores, já que vários vices e presidentes de Assembléia tiveram de completar mandatos. Se computados apenas os eleitos, nesses 16 anos, foram duas eleições de Iris, uma de Henrique Santillo e uma de Maguito Vilela. Já o "Tempo Novo", em 12 anos (a serem completados em 2010) terá sido comandado por apenas dois governadores: Marconi e Alcides.

Se Marconi vencer em 2010, o ciclo de 16 anos (ou 20, se o tucano for novamente reeleito) se completa com o Tempo Novo no poder. Com a diferença de apenas dois nomes terem ocupado o poder nesse período.

Mas Hamilton Carneiro vai mais longe. Segundo ele, na conta do PMDB não se deve computar os quatro anos de governo Santillo. "O governo Santillo foi muito mais próximo do grupo político de Marconi Perillo. Santillo fez oposição a Iris e Iris fez oposição a Santillo." Tanto é verdade que Santillo, em 1990, apoiou Paulo Roberto Cunha para governador, tentando derrotar o próprio Iris (que acabou vitorioso). Jogando Santillo para a conta do grupo do "Tempo Novo", o PMDB (de Iris e Maguito) teria ficado no poder por 12 anos, enquanto o grupo de Marconi já está nele há 13, completando 16 anos em 2010.

Goiânia
É fato, no entanto, que na eleição municipal de Goiânia a marca "Tempo Novo" nunca funcionou. Ela foi usada duas vezes: em 2000 e 2004. Nas duas oportunidades, o candidato que carregou o slogan nem ao segundo turno foi. Para Carlos Maranhão, em 2000, Lúcia Vânia (PSDB) se identificou com a marca, mas a base estava dividida, por isso não funcionou. "O Tempo Novo estava com duas candidaturas (a outra era de Darci Accorsi, apoiado por PTB, PP e PFL), e o adversário principal não era o PMDB (a candidatura de Mauro Miranda ficou em quarto lugar).”

Segundo Maranhão, em 2004 não estava em jogo a dualidade "Tempo Novo" e "Tempo Velho". Não houve polarização, diz ele, mesmo o principal adversário sendo Iris Rezende (PMDB). O candidato do "Tempo Novo", Sandes Júnior (PP), ficou em terceiro lugar, repetindo o desempenho de Lúcia Vânia quatro anos antes.

Mesmo com dois fracassos, Carlos Maranhão ainda insiste que, na eleição municipal, a marca vitoriosa de 1998 tem tudo para funcionar também. "É preciso ver se o candidato na época vai tornar mais forte ou não a idéia presente na marca", analisa. Hamilton Carneiro diz que, se fosse ele o marqueteiro, a marca não seria mais usada. "É preciso haver um reposicionamento da marca, sem contar que hoje na política goiana o Iris é o novo. Ele faz uma administração contemporânea, que observa questões modernas."

Carneiro vai mais longe. Provável marqueteiro na campanha à reeleição de Iris em Goiânia (embora ele diga não ter sido procurado ainda), ele prevê que, em 2010, Iris tem tudo para ser um ótimo candidato a governador. "Ele tem disposição impressionante e muita saúde", afirma. Hamilton não vê consistência na possível candidatura de Marconi Perillo para prefeito de Goiânia. "Ele vai disputar três mandatos majoritários em quatro anos? Marconi ficaria dois anos no Senado, dois na prefeitura e depois seria governador? Fica uma coisa muito fatiada. Para mim, é uma cortina de fumaça para esconder o debate da dívida do Estado." 

 


 

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