O engano de V de Vingança

O filme V de Vingança aparentemente promete pouco e, por isso, surpreende. A história é uma bem montada alegoria política (que faz lembrar muito o livro 1984, de George Orwell, e o péssimo filme Mera Coincidência, de Barry Levinson) que, por vezes, recai em teorias rasteiras e simplistas e, no geral, leva a uma reflexão, ainda que torta.

por Eduardo Horácio


  Foto: divulgação

O filme V de Vingança aparentemente promete pouco e, por isso, surpreende.

A história é uma bem montada alegoria política (que faz lembrar muito o livro 1984, de George Orwell, e o péssimo filme Mera Coincidência, de Barry Levinson) que, por vezes, recai em teorias rasteiras e simplistas e, no geral, leva a uma reflexão, ainda que torta.

É um filme político, ainda que não esteja no conceito clássico do termo, a começar pela linguagem fragmentada. A teoria central é que o responsável por uma série de atentados políticos na Inglaterra é o próprio primeiro-ministro do país (elevado, à época, à condição de chanceler, ganhando poderes similares aos que Adolf Hitler teve na Alemanha no final dos anos 30).

Só há um problema. Atentados terroristas costumam levar a população para as mãos de um governo autoritário em vez de provocar uma revolução, como sugere a película do cineasta James McTeigue (baseada nos quadrinhos de Alan Moore e David Lloyd).

Um exemplo é o norte-americano George W. Bush. Uma das causas de sua reeleição para presidente foi o atentado de 11 de setembro. A queda das torres gêmeas salvou sua popularidade que, em setembro de 2001, estava no brejo.

Recorrendo a um conceito weberiano, pode-se dizer que Bush aproveitou o atentado ao World Trade Center para encarnar a figura carismática do "herói guerreiro" e, por isso, ganhou forças para ser eleito para mais quatro anos na Casa Branca.

Voltando ao filme, no campo do elenco o destaque vai todo para a atriz Natalie Portman, que teve seu auge no ótimo filme Closer - Perto Demais. Em V de Vingança, Portman faz o papel de uma jovem operária (vinda de família comunista) que é salva por um homem mascarado (Hugo Weaving) que, na verdade, é um terrorista que, aos poucos, ganha apoio da população.

Já que falamos do livro 1984, uma curiosidade: o ator John Hurt (presente neste filme) também atuou na película 1984 (baseada no livro) como um dos que correram de um governo autoritário.


 

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