Chapa puro-sangue é erro do PMDB

O PMDB de Goiás caminha, outra vez, para formar uma chapa puro-sangue na sucessão eleitoral. Novidade não é: desde 1982 o PMDB se comporta assim. Em época em que todos fazem aliança, é uma espécie de contramão histórica optar por uma chapa só de peemedebistas nos postos principais.

por Eduardo Horácio

Tanto faz ser Frederico Jayme, Onaide Santillo, Mauro Miranda ou Luiz Bittencourt. Com qualquer um dos quatro na vice de Maguito Vilela (candidato a governador), o fato é que o PMDB de Goiás já caminha, outra vez, para formar uma chapa puro-sangue na sucessão eleitoral. Novidade não é: desde 1982 o PMDB se comporta assim. Não abre mão de indicar o vice e nem o candidato ao Senado. Por enquanto, para 2006, a tendência maior é que a chapa de Maguito Vilela tenha Frederico Jayme como vice e Ney Moura Teles candidato ao Senado.

Faz mal o PMDB agir novamente assim? Em época em que todos fazem aliança, é uma espécie de contramão histórica optar por uma chapa só de peemedebistas nos postos principais. Uma das várias causas da derrota do PMDB em 1998 e 2002 foi essa. Enquanto Marconi Perillo formava uma frente de grandes partidos, o PMDB se considerou auto-suficiente. Perdeu, primeiro, muito tempo de televisão. Perdeu, depois, a própria eleição.

A situação do PMDB em 2006, no entanto, é complicada para o PMDB. A primeira complicação é que o conselheiro Frederico Jayme saiu do TCE justamente para ser vice de Maguito Vilela. Foi acertado antes com o PMDB. Rifar Frederico agora é um mau negócio. Não tanto porque foi feito um acordo prévio com ele e sim por aquilo que o ex-conselheiro representa. Frederico na chapa representa peso político, força nos bastidores e temor nos adversários. Não é pouca coisa para o PMDB descartar tão facilmente.

Se tirar Frederico do cargo de vice é uma estratégia arriscada, substituir o candidato ao Senado, Ney Moura Teles, por um nome de outro partido é algo mais temeroso ainda. Ney Moura foi escolhido candidato nas prévias do partido, a mesma que apontou que Maguito era candidato a governador (e não Adib Elias). Retirar da disputa um candidato ao Senado que foi legitimamente escolhido - e que já está em pré-campanha - pode também trazer problemas para Maguito.

O problema maior de Maguito não é, entretanto, Frederico Jayme e Ney Moura Teles. O problema é quem colocar no lugar deles. Que partidos agregariam valor - ou pelo menos tempo de TV - à candidatura do PMDB. O primeiro nome que vem a cabeça de todos é o PT, partido do presidente da República. Uma aliança PMDB-PT faria Maguito ter tempo de TV no horário eleitoral gratuito equivalente à chapa PP-PSDB-PTB, do candidato à reeleição Alcides Rodrigues.

O PT deseja? Parte sim, parte não. A parte nacional do PT deseja muito, mas teme que Maguito não seja um cabo-eleitoral fiel. A parte estadual do PT tem dúvidas. Alguns querem, outros não. O grande obstáculo da aliança é principalmente o fato de o PT ter sempre lutado contra o PMDB de Iris Rezende e Maguito Vilela. Basta ver o que aconteceu na última eleição municipal, em 2004.

Mas, novamente, o problema maior não está no PT. Está no PMDB. O PMDB deseja mesmo o PT em sua chapa? Se sim, o que oferece ao PT? Nada. O PMDB não abre mão de indicar o vice, nem o candidato ao Senado. E muitos peemedebistas ainda temem que uma ligação com o PT faria Maguito trazer para sua campanha a crise política de Brasília, com mensalão e tudo mais.

A novela se repete: desprezo entre PMDB e PT. Na sucessão de 2004 foi o contrário. Em fevereiro daquele ano, Iris Rezende e Maguito Vilela disseram em inaugurações da prefeitura que a administração de Pedro Wilson era "nota 10". O PMDB se ofereceu todo para ser o vice de Pedro Wilson. O PT menosprezou, Iris se lançou candidato pelo PMDB e derrotou Pedro Wilson, do PT, no segundo turno, se tornando prefeito de Goiânia. Agora é o PMDB que despreza o PT. Sorte dos adversários.


 

Qual oposição é mais fraca?
A oposição à presidenta Dilma
A oposição ao governo Marconi
A oposição ao prefeito Paulo Garcia

 

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