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18/04/10 - Domingo

Eleições 2010
Por que Marconi lançou candidatura no Twitter?

Foto: Paulo José
Marconi já queria a bandeira do ‘novo’ quando era do PMDB jovem em 1987

Algumas ações do pré-candidato a governador Marconi Perillo (PSDB) nos últimos dias merecem atenção mais detida. E aqui nem estou falando de dossiês e outros temas policiais, mas sim do tom e do rumo do discurso que o ex-governador tucano pratica neste período de pré-campanha eleitoral. Uma pergunta que muita gente me fez alguns dias atrás foi: por que Marconi lançou sua candidatura a governador pelo Twitter? A resposta é a mesma para outra pergunta: por que Marconi tem falado tanto em Tecnologia da Informação (TI) nos últimos dias? 

A resposta: porque Marconi percebeu, por meio de pesquisas qualitativas, que a população já não enxerga nele o 'novo'.

Ao lançar sua candidatura via Twitter e falar mais pela Web do que via jornais e outros órgãos de imprensa, Marconi tenta recapturar a imagem de ‘novo" perdida nos últimos anos.

Nas pesquisas qualitativas, Marconi é visto hoje pelos eleitores (inclusive os seus próprios) como um político da velha guarda, espaço que Iris Rezende (PMDB), por exemplo, ocupa há pelo menos 12 anos.

Como não há espaço vazio que dura muito tempo no cenário político, Marconi sabe que tem de usar todas as armas para voltar a ser ‘o novo’, antes que outro candidato (que pode ser Vanderlan Cardoso, única novidade de fato, ou até mesmo Iris Rezende, que tem procurado se renovar desde que foi eleito prefeito em 2004). 

Isso explica Marconi não ter escolhido um evento público, com presença da imprensa, para lançar sua candidatura. Isso quem faz, no pensamento do marketing de Marconi, é político antigo. Político dinâmico faz isso via Twitter, alguém deve ter dito a Marconi.  

Essa busca pelo ‘novo’ como se fosse um pote de ouro explica Marconi aparecer, vez ou outra, falando de assuntos ligados à ligados à tecnologia. Hoje mesmo, em seu Twitter, o tucano fala que quer trazer a Apple para Goiás.

Isso mesmo. Você entendeu corretamente. A Apple não tem nenhuma store no Brasil, nem na América do Sul, mas Marconi diz que alguém precisa lutar para trazê-la para Goiás. Alguma chance de dar certo? Pouca, para não dizer nenhuma.

Em todo caso, ao criar o factóide, Marconi indiretamente associa seu nome à tecnologia e a uma empresa que vive momentos de alta popularidade no mundo, inclusive no Brasil. O nível de satisfação dos usuários Mac (incluindo as plataformas móveis, como iPod, iPad e iPhone) é altíssimo (inclusive este blogueiro atesta isso, com prazer) e Marconi, claro, quer seu nome associado ao que é bom e moderno.

Como bem define o jornalista André Forastieri, a Apple está hoje para tecnologia como estão os Beatles para o rock: é o consenso das massas.

Marconi sabe que, para se apresentar pela enésima vez como o candidato do ‘novo’, não basta mais repetir os jingles surrados de 1998 e escalar Nerso da Capitinga para falar de panelinha. É preciso ter novidades no bolso para ser ‘o novo’. Daí inclusive o fato dele ter apresentado a proposta de “cheque-computador” para famílias de baixa renda, caso seja eleito governador, exatamente no dia em que Iris Rezende anunciou sua candidatura ao Palácio das Esmeraldas. Marconi quer estabelecer o contraponto ao adversário sempre com propostas que o liguem ao ‘novo’.

Autenticidade
Há, no entanto, um risco, que Marconi não está calculando bem: a falta de autenticidade. Enquanto ele estiver discorrendo sobre o tema apenas com seu próprio umbigo, via Twitter, sem ser confrontado pelos adversários, a imagem de ‘candidato pontocom’ pode até colar.

Mas em debates e no desenrolar da campanha propriamente dita, há grandes chances dele não conseguir o feito. As próprias palavras que Marconi escolhe para falar de tecnologia da informação denotam essa falta de familiaridade com o assunto.

Alguns exemplos dessa falta de autenticidade no discurso de Marconi? Por ora, vamos ficar com apenas dois:

1) Ele usa muito a palavra ‘computador’, inclusive nesta proposta de cheque-computador. Quantas pessoas da área de tecnologia da informação você conhece que ainda usam a palavra ‘computador’? Provavelmente nenhuma. Outra frase-chavão que Marconi usa muito: “precisamos entrar no radar da tecnologia”. São palavras típicas de quem tem mais de 60 anos ou pouca familiaridade tem com o tema.

2) Hoje mesmo, no Twitter, Marconi escreveu o seguinte: “Quando falo em TI, as pessoas podem não entender, mas esse é o caminho que precisamos trilhar em Goiás. Apple tem tudo a ver com TI”. Um candidato realmente ‘pontocom’ jamais escreveria que “Apple tem tudo a ver com TI”. Na frase, parece que Marconi está explicando o assunto para si mesmo e não para seu público leitor do Twitter que, claro, sabe que a Apple tem a ver com TI e não com fast-food.

Se Marconi quer mesmo parecer o candidato ‘pontocom’, é melhor ele ao menos tentar ser, de fato, um político ‘pontocom’.

Poucas coisas são mais fatais para um candidato do que a falta de autenticidade. E aqui nem estou falando das suas práticas políticas, que nunca foram modernas, mas exclusivamente de sua imagem.

Um dado curioso, para encerrar: é justamente em Goiânia - onde há mais eleitores acostumados com TI - que Marconi menos votos tem, se as eleições fossem hoje (Iris teria 46,1% e Marconi chegaria aos 32,1%, segundo o Serpes). Talvez seja porque o eleitor goianiense prefira um candidato autêntico, que não force a imagem do ‘novo’ pela enésima vez, do que um candidato desesperado para voltar a ser o ‘novo’ de novo, nem que seja à fórceps.

Postado por Eduardo Horácio em18/04/10 às 23:45.
Post com 10 comentários
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O que Marconi quis dizer com a frase "Eu esperei esse debate como o vigia espera o alvorecer" dita depois do debate da OJC de 31 de agosto?
Que, assim como um vigia, queria ir embora logo do debate;
Que ele está vigiando os adversários até de madrugada;
Que ele não estava nem aí para o debate (ou o alvorecer)
Que depois de Lua Nova e Eclipse ele mal pode esperar pelo Alvorecer
 
 
 
 
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