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01/06/09 - Segunda-feira
Copa 2014
Os 11 erros de Goiânia
Por Eduardo Sartorato
O poder político e econômico foram determinantes para a escolha das 12
cidades-sedes da Copa 2014. Temos também, porém, que olharmos para o
nosso próprio umbigo e ver os erros que impediram Goiânia de chegar lá.
Aliás, não é nada difícil encontrar defeitos na "corrida” da nossa
capital por alguns jogos da Copa do Mundo e muitos milhões de reais em
investimentos em infraestrutura.
Falta de ação, incompetência
administrativa, inexperiência, projeto fraco, a não existência de um
forte interlocutor, falta de motivação, além de vários outros motivos,
levaram à derrocada goiana. Um insucesso que, repito, vai custar muito
para os goianienses a longo prazo.
Veja os principais erros do Comitê Executivo da Copa 2014 em Goiânia (Coexgyn) e envolvidos:
1. Projeto desastroso
- Não precisava ser perito para perceber que havia algo errado no
projeto do Serra Dourada para 2014. Desde o primeiro dia, o modesto
plano de obras foi criticado justamente. A principal gafe foi não
prever a cobertura total dos assentos do estádio (pelo projeto original
15% das arquibancadas não seriam cobertas). Fico imaginando um jogo de
Copa do Mundo, estádio lotado, e 15% do público tomando chuva. O
absurdo foi tão grande que dias antes do anúncio das sedes foi feita
uma correção no projeto. Uma vergonha! O plano de ação do Serra Dourada
estava mais para uma grande maquiagem do que adequação para a disputa
de uma Copa do Mundo.
2. Equipe sem experiência
– Os 'cabeças' da Coexgyn, comandada pelo presidente da Agetur, Barbosa
Neto (PSB), não tinham a mínima experiência de como tocar um projeto
rumo a algo tão audacioso como sediar jogos da Copa 2014. Tudo foi
feito com muito amadorismo. O projeto, por exemplo, foi mandato à CBF
no limite do prazo e via Correios. Uma lástima.
3. Governo sem ações
– O governo do Estado fez muito pouco para ver Goiânia como uma das
sedes da Copa 2014. Tirando a participação em alguns eventos e o apoio
verbal do Palácio das Esmeraldas à Coexgyn, nada mais foi feito.
Informações apontam para dificuldades de captação de recursos e falta
de investimentos do governo na postulação da cidade. Uma participação
quase zero se comparada, por exemplo, com a do Mato Grosso, onde o
governador Blairo Maggi foi o grande articulador político da
candidatura de Cuiabá.
4. Slogan de derrota
– A frase “Eu acredito!” é conhecidao nacionalmente no meio
futebolístico como a crença em um milagre. Muito usado quando um time
chega na última rodada precisando vencer e tendo que torcer por mais
três ou quatro resultados para não ser rebaixado. Não era esta a
situação de Goiânia. Quando o Brasil foi confirmado como sede da Copa
de 2014, a capital de Goiás era uma das favoritas. A Coexgyn
transformou Goiânia de "favorita" em "a espera de um milagre".
5. “Gol contra” da marca
– A marca de Goiânia 2014, “A Copa no coração do Brasil”, jogou contra
a candidatura da cidade. Isto porque a localização geográfica era algo
que deveria ser minimizada, já que havia, como houve, prejuízos em
relação a proximidade com Brasília. Enquanto outras cidades arrumaram
marcas únicas, como Manaus, Belém e Rio Branco, que disputaram para ser
a cidade sede da Amazônia, Cuiabá e Campo Grande, que duelaram para ser
a representante pantaneira na Copa, Goiânia apostou em uma marca que
concorria com a capital federal, confirmada como cidade sede desde o
primeiro dia em que a Fifa concedeu ao Brasil o direito de organizar a
Copa 2014. Até mesmo Natal conseguiu uma marca melhor, “A capital
brasileira mais próxima da Europa”. A Coexgyn tinha que ter sido
criativa e puxado para Goiânia a marca do Cerrado, cidade Country,
agronegócio, ou qualquer outra coisa que fugisse do confronto com
Brasília.
6. A falta de trânsito da FGF na CBF
– Não me lembro em que ano, mas a última vez que o Brasil concorreu
para sediar uma Copa (nota do Jornal X: foi quando o Brasil concorreu para sediar a Copa de 94 e perdeu para os EUA), o presidente da CBF Ricardo Teixeira veio a
Goiânia e confirmou que a cidade seria sede, no caso de sucesso da
postulação nacional. Não foi daquela vez, mas a afirmação traduzia
muito bem a amizade de Teixeira com o ex-presidente da Federação Goiana
de Futebol, Wilson da Silveira. Após a morte de Silveira, o vice André
Pita assumiu a federação e as relações com a CBF nunca mais foram as
mesmas. Tanto que esta pode ser a primeira vez, em muito tempo, que
Goiânia não sediará um jogo da seleção nas eliminatórias.
7. Falta de eventos
– A organização de Goiânia-2014 foi a mais discreta de todas as outras
16 candidatas. Nada foi feito nesta reta final para divulgar o trabalho
e as qualidades da capital para ser escolhida como sede. A maior parte
dos goianienses até mesmo se esqueceu que Goiânia estava realmente
concorrendo a uma das 12 vagas. Além disto, os três fortes padrinhos da
cidade, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o
ex-treinador de Brasil e Portugal, Luiz Felipe Scolari, e o
ex-presidente da FIFA, João Havelange, não foram requisitados hora
nenhuma. Divulgaram o apoio, e nada mais.
8. Divulgação precária
– A Coexgyn informou várias vezes que apresentou mais de 200 projetos
de melhorias da infraestrutura de Goiânia, no caso do sucesso da
candidatura. Em momento algum, porém se empenhou para a divulgação dos
mesmos. A população de Goiânia pouco foi informada e, com isto, não se
mobilizou em favor da cidade. Camisetas e faixas também foram raras na
capital, inclusive no dia no anúncio. Pode parecer pouca coisa, mas uma
cidade mobilizada pode fazer milagres.
8. Sem apoio político
– A política goiana passa por uma das melhores fases em toda a
história. Temos o vice-presidente do Senado, os líderes de PTB, PR e
DEM na Câmara Federal, o relator da reforma tributária, além de fortes
interlocutores junto ao presidente Lula. Nada disto foi usado para que
a força política da cidade nos bastidores crescesse, o que certamente
faria a diferença.
10. O mal uso da proximidade com Brasília
- O Brasil inteiro entendeu a mensagem transmitida por concorrentes de
Goiânia, de que a cidade não poderia sediar a Copa por causa da
proximidade com Brasília (cerca de 210 km). Goiânia, por sua vez, não
se importou em buscar um antídoto para tal. Deveria contratacar com uma
campanha maciça de argumentos, destacando a importância de um eixo
Goiânia-Brasília na Copa. Uma das saídas seria se aliar com a capital
federal, já que Brasília também teria mais força (para conseguir o jogo
de abertura, por exemplo) se Goiânia fosse sede. A distância pequena
entre duas sedes não é fator decisivo, tanto que Natal e Recife, duas
cidades eleitas, estão separadas por cerca de 290 km.
11. Clima de derrota antes da hora
– Já fazia alguns meses que as pessoas envolvidas no projeto Goiânia
2014, a Coexgyn e as administrações municipal e estadual, haviam
entregado os pontos. “A gente é obrigado a acreditar”, foi o que me
disse um político do alto escalão municipal quando questionei as
chances da cidade, no início de maio, apontando para um broxe da
campanha que ele usava na ocasião. Nos meios de comunicação todos
discursavam com o tom otimista. Com as câmaras e gravadores desligados
a descrença era geral.
Leia mais no blog de Eduardo Sartorato.
Postado por Eduardo Horácio em01/06/09 às 10:43.
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