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30/05/09 - Sábado

Copa 2014
Cuiabá, Natal e Manaus lideram disputas finais

Rio Branco e Goiânia, que completam a lista de 17 candidatas, têm chances praticamente nulas.

Capital potiguar supera Florianópolis, e amazonenses e mato-grossenses predominam em "duelos ecológicos"

Nove cidades já são tidas como certas na lista das 12 que abrigarão partidas do segundo Mundial disputado no país, daqui a cinco anos

Hoje na Folha de S.Paulo

As festas programadas para amanhã, dia em que a Fifa vai anunciar, nas Bahamas, as 12 cidades brasileiras que vão sediar a Copa do Mundo de 2014, são o melhor termômetro para indicar as três dúvidas que ainda restam na relação oficial.
Natal, Cuiabá e Manaus planejam grandes eventos, enquanto suas concorrentes, respectivamente Florianópolis, Campo Grande e Belém, optaram pela discrição.
Essas seis cidades disputam o direito de se juntar a Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Fortaleza, Recife e Salvador, que são escolhas certas - Rio Branco e Goiânia, que completam a lista de 17 candidatas, têm chances praticamente nulas.
A Folha apurou que a cidade potiguar será anunciada amanhã como sede, e que Cuiabá e Manaus devem mesmo ser escolhidas nas Bahamas.
Os governos, tanto os estaduais quanto os municipais, de Natal, Cuiabá e Manaus agem como se já tivessem recebido a informação oficial de que foram escolhidas pela Fifa. Tanto que organizaram grandes festas para celebrar a indicação.
"O governo ia fazer uma festa pequena, sem tanto alarde. Mas a Coca-Cola decidiu fazer uma coisa maior. É ela quem está bancando o Jota Quest", afirmou o secretário de Planejamento do Amazonas, Denis Minev, sobre a principal atração do evento em Manaus, que ainda vai ter baterias das escolas de samba da cidade.
A Coca-Cola é patrocinadora master da Fifa. E Manaus recorreu à empresa e à Sony, ambas com sede na capital, para fazer lobby na Fifa para incluir a cidade no Mundial de 2014. E as duas atuaram.
Cuiabá terá 12 pontos de concentração, cinco telões espalhados e ainda shows pirotécnicos nas 33 maiores cidades de Mato Grosso.
"O que existe são indícios. Confiamos nisso e estamos trabalhando para isso", disse Blairo Maggi, o governador de Mato Grosso, cuja influência política é tida como decisiva para sua cidade levar a melhor sobre Campo Grande na disputa pela vaga de sede pantaneira.
Natal exala confiança -ela e Florianópolis disputam a vaga de uma cidade de porte menor, mas com forte apelo e estrutura turística. A capital potiguar planeja uma grande festa, até com a presença de DJs, na Ponta Negra, um de seus principais cartões-postais.
Enquanto isso, as rivais diretas de potiguares, de mato- -grossenses e de amazonenses parecem derrotadas.
Em Campo Grande, nenhuma grande estrutura foi montada para a população acompanhar o resultado -as autoridades vão só "incrementar" uma festa que tradicionalmente já acontece aos domingos em uma avenida da capital de Mato Grosso do Sul. O prefeito Nelson Trad (PMDB) diz que a ordem é "não colocar os carros na frente dos bois".
O comitê do Belém diz que prepara evento numa praça com "artistas locais", ainda a serem confirmados. Os paraenses afirmam ter feito "tudo o que tinha que ser feito" e que cumpriram a missão.
No Sul, o comitê em Florianópolis, a capital de Santa Catarina, diz esperar com "ansiedade" a escolha, mas sem festa.
Outras cidades, estas na lista de certezas, deram outros sinais de que, além de decidida, a fatura já é de conhecimento de todas as candidatas.
O prefeito de Curitiba, o tucano Beto Richa, disse anteontem que representantes da cidade irão participar de um link ao vivo da Rede Globo logo após o anúncio da Fifa e que isso não acontecerá com todas as candidatas ao Mundial.
Em seu blog no site do jornal "O Globo", o jornalista Ancelmo Gois anunciou que Natal, Manaus e Cuiabá serão escolhidas. A CBF, por meio de sua assessoria, diz que não comentará o assunto e que nenhuma informação foi passada por ela.
As cidades escolhidas para a Copa já têm a promessa de receberem investimentos do governo federal para obras de infraestrutura, especialmente em meios de transporte.

Nordeste tem mais sedes
Na primeira Copa do Mundo que o Brasil organizou, em 1950, apenas uma das seis sedes ficava no Nordeste (em Recife). Agora, a mais pobre região do país vai emplacar quatro cidades entre as 12 que vão hospedar partidas no Mundial de 2014. A favor dos nordestinos (Recife, Salvador, Natal e Fortaleza), pesou a proximidade maior da região com a Europa, além do clima quente e da estrutura hoteleira.

Festas
A conta do Mundial de 2014 vai aumentar com as festas programadas nas 12 cidades que serão indicadas pela Fifa amanhã.
Nomes de peso da música nacional, shows pirotécnicos e montagem de estruturas complexas em várias áreas foram planejados por algumas das que já se consideram eleitas.
Em Salvador, a cantora Ivete Sangalo será a atração no estádio Barradão.
O governo da Bahia também já "convocou" a população a acompanhar o anúncio no Pelourinho, ao som dos dos blocos afro Olodum e Ilê Aiyê.
Em Recife, a principal atração da celebração será o cantor Alceu Valença.
As duas cidades sulistas que estão certas, Curitiba e Porto Alegre, organizarão eventos em grandes parques, com telões e shows musicais.
Otimista de que Brasília estará entre as sedes, o governo do Distrito Federal preparou uma festa para amanhã, com telões que vão transmitir ao vivo o anúncio das cidades escolhidas. A estimativa do governo é a de que 5.000 pessoas compareçam.
O evento não será na Esplanada dos Ministérios, local tradicional das festas oficiais da cidade, mas em Taguatinga, cidade-satélite de Brasília que reúne quase a metade da população do Distrito Federal. Também é o local para onde foi transferida a sede do governo quando José Roberto Arruda (DEM) assumiu o cargo de governador, em 2007.
Além da transmissão ao vivo do anúncio, prevista para pouco depois das 15h, a festa vai ter animadores de palco, escolas de samba de Brasília e DJs.
No Morumbi, o São Paulo planeja celebrar a escolha da capital paulista.
Também favorita, Fortaleza não terá festa -segundo as autoridades locais, em respeito às vítimas das chuvas que têm atingido o Estado.

Faltam policiais
Entre os países escolhidos para sediar a Copa, o Brasil é o segundo mais violento -só fica atrás da África do Sul-, segundo critérios de homicídios medidos pela ONU. E, hoje, o país tem um número insuficiente de policiais para garantir a segurança nas 12 cidades-sede.
Das 12 prováveis sedes do Mundial, só uma tem índice de assassinatos abaixo da média nacional -Natal. Todas as outras têm números superiores.
A média brasileira de homicídios é de 23,7 pessoas por 100 mil habitantes. Pelos critérios da ONU, índices acima de 10 por 100 mil pessoas já caracterizam epidemia de violência.
A África do Sul tem número bem superior ao brasileiro. A taxa, em 2004, variava de 39,5 a 69 homicídios -a ONU divulga faixas, não médias precisas. À época, o órgão dava ao Brasil média de 26,2 a 30,8 mortes.
Para minimizar o problema, os africanos irão mobilizar 40 mil homens, entre policiais e soldados do Exército, para proteger dez sedes, ou um agente para cada 1.197 habitantes.
Com duas sedes a mais, o Brasil terá dificuldades de atingir, proporcionalmente, esse patamar. Para Régis Limana, coordenador-geral de Inteligência da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) do Ministério da Justiça, não há uma preocupação em relação ao tamanho do efetivo.
Limana, que coordena os projetos de segurança do Mundial e da candidatura olímpica Rio-2016, não consegue estimar quantos agentes serão usados em 2014. Segundo ele, ainda haverá reunião com os centros de segurança dos Estados.
Ele, no entanto, já sabe que serão destacados 60 mil policiais para o Rio de Janeiro, se a cidade for sede olímpica.
"É bem mais complexo [o esquema de segurança para a Copa]. O aparato que você movimenta para a Olimpíada tem que ser replicado por 12", disse.
Questionada pela Folha, a assessoria de imprensa do Exército informou que não faz parte de suas atribuições a segurança pública do país. Ou seja, não pretende atuar na Copa.
Sem o Exército, o Brasil contava com 411.896 policiais militares em 2006, segundo o governo. Para atingir o número de homens usado pelos africanos, proporcionalmente, o país teria de mobilizar em torno de 160 mil deles -39% da tropa.
Mas se deve leva em conta que boa parte dos policiais não está nas cidades-sede. Pela última informação disponível, de 2003, cerca de 340 mil policiais atuavam nos Estados das 17 candidatas. Em resumo, haverá menos do que isso nas sedes.
Outro dado preocupante é que o crescimento da tropa tem sido abaixo da média de aumento da população. Pelos números de 2004, de 13 cidades candidatas, 12 têm defasagens em sua tropa de policiais militares -outras quatro não forneceram dados ao governo.
A ONU recomenda um agente de segurança para cada 250 habitantes, número registrado em países com índices mais baixos de violência. Considerados só os PMs, nenhuma região do país atinge esse índice.
Com a soma dos bombeiros, que são militares, e dos policiais civis, o Centro-Oeste e o Norte conseguem chegar ao patamar de referência mundial. Mas as outras regiões seguem abaixo do índice exigido.
Com a violência em alta e com poucos policiais, o Brasil terá o desafio de proteger um número inédito de turistas. Ou arcar com as consequências.

Leia mais clicando aqui.

Postado por Eduardo Horácio em30/05/09 às 00:51.
Post com 1 comentários
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O que Marconi quis dizer com a frase "Eu esperei esse debate como o vigia espera o alvorecer" dita depois do debate da OJC de 31 de agosto?
Que, assim como um vigia, queria ir embora logo do debate;
Que ele está vigiando os adversários até de madrugada;
Que ele não estava nem aí para o debate (ou o alvorecer)
Que depois de Lua Nova e Eclipse ele mal pode esperar pelo Alvorecer
 
 
 
 
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