Globo reconhece apoio a militares

Foto: Reprodução

"Roberto Marinho: fé na vocação democrática de Castello Branco"

Vasculhando o sítio Memória Globo na internet, encontrei algo interessante: a Globo reconhece que apoiou a ditadura militar (1964-1985) no Brasil. No entanto, usa os termos "movimento militar" e justifica o apoio recíproco à ditadura com a idéia de ir contra o "nacional-populismo de João Goulart".

Tem mais preciosidades. O texto diz que Roberto Marinho "acreditava na vocação democrática do presidente Castello Branco". O texto, depois, acaba tentando fazer todos acreditarem que a Globo não teve ajuda dos militares, com o argumento de que não houve concessões públicas dadas a ela. De fato, não. A ajuda dos militares à Globo veio em forma de anúncios publicitários em quantia recorde na emissora, o que o texto não diz.

Veja, abaixo, alguns trechos do texto:

"Afirma-se, com freqüência, que o crescimento da Rede Globo de Televisão se deu graças à sua estreita ligação com o regime implantado em março de 1964. O Globo, de fato, apoiou  o movimento militar. Mas esta não foi uma posição exclusiva do jornal. Havia, naquele momento, um posicionamento amplamente majoritário contra o chamado nacional-populismo de João Goulart. Com exceção da Última Hora, todos os principais órgãos de informação do país apoiaram o golpe. Depois de instaurado o primeiro governo, alguns periódicos passaram para a oposição. Roberto Marinho seguiu dando apoio aos militares. Ele acreditava na vocação democrática do presidente Castello Branco e na eficácia da política econômica desenvolvida por Roberto Campos e Octavio Gouvêa de Bulhões.
 
O presidente das Organizações Globo nunca negou sua simpatia em relação ao regime.

Desta forma, nenhuma das concessões obtidas pela TV Globo foi dada pelos militares. As duas únicas concessões foram outorgadas antes do período militar: a primeira em 1957, pelo presidente Juscelino Kubitschek, para a Globo do Rio , e a segunda em 1962, por João Goulart, para o canal da emissora em Brasília.

(...)
 
Durante o período militar, a Rede Globo chegou a enfrentar dificuldades à sua expansão. Em 1978, por exemplo, lhe foi negada a concessão de um canal de televisão em João Pessoa. No mesmo período, a TV Globo também teve negado pedido de concessão para um canal de TV em Curitiba.
 
O jornalismo da Globo não recebeu nenhum tratamento diferenciado durante o período militar. Como todos os veículos de informação, o seu noticiário sofreu com a censura, que atuava diretamente na emissora na forma de telefonemas, comunicações oficiais e memorandos.

Notícias de eventos considerados delicados para o governo, como a morte de Carlos Lamarca, por exemplo, provocavam a presença na emissora de oficiais do SNI (Serviço Nacional de Informação) e do chefe da polícia. Em agosto de 1969, a Globo chegou a ser retirada do ar durante algumas horas como punição pela leitura, no programa de Ibrahim Sued, de uma nota sobre a doença do presidente Costa e Silva. Mesmo no período da abertura, as pressões continuaram grandes sobre a TV Globo. Em 1981, quando ocorreu o atentado no Riocentro, os militares ocuparam a redação da emissora e não deixaram que quase nada fosse exibido sobre o assunto.
 
A censura não se limitava às notícias: atuava também no entretenimento."

Clique aqui para ver a íntegra do texto.


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Postado em 23/06/2008 às 22h01

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