PP e PSDB mais distantes

Foto: Lailson Damasio

Alcides Rodrigues diz que PSDB de Marconi (ao fundo) "fabrica números"

Um ano atrás, PP e PSDB se criticavam, mas ambos concordavam que o adversário principal era mesmo o PMDB. O que motivava as primeiras discordâncias eram os dados da dívida do Estado.

A posição do PP era a posição do governador Alcides Rodrigues, que não dava transparência ao endividamento. Já o PSDB, via senador Marconi Perillo, nunca revelava os números que dizia ter, mas sempre atacava o PMDB. O culpado pela dívida era sempre o governo de Maguito Vilela (1995-1998).

De lá pra cá, muita coisa mudou. Hoje o PP está mais próximo do PMDB. Os tucanos, por sua vez, estão mais isolados. De todos os grandes partidos da base aliada, o único que ainda posa do lado dos tucanos é o PTB, do deputado federal Jovair Arantes.

No debate da dívida, muita coisa mudou. Os números saíram dos escaninhos e se tornaram públicos. Na quarta-feira da semana que passou, dia 12, até detalhes da dívida apareceram. O chefe do Gabinete Interno (Geconi), Sinomil Soares da Rocha, foi à Assembléia Legislativa mostrar ponto por ponto da dívida herdada.

A postura do PSDB foi um repeteco das últimas semanas: em vez de jogar a culpa no PMDB, o partido centrou fogo no governo Alcides e no PP. Já o PMDB defendeu o PP e o governo Alcides.

De todos os tucanos da Assembléia, apenas um defendeu Marconi: o deputado Daniel Goulart. Ele reclamou do tratamento "técnico" da apresentação da dívida. Entre outras coisas, disse que os números eram de "difícil compreensão".

O argumento de Goulart acabou dando mais razão ainda ao governo Alcides e matando os argumentos tucanos. Afinal, o que os tucanos mais reclamam? Que o debate da dívida tem recebido um tratamento político.

Agora, a reclamação foi inversa. O PSDB deixou escapar que quer mesmo é politizar o tema, como sempre politizou qualquer tema que deveria ser apenas técnico.

Por outro lado, Daniel Goulart não perde a razão quando pede mais transparência aos números. Além do tratamento técnico dado ao tema, é bom que os dados se tornem públicos. O fato de os números apresentados na Assembléia Legislativa não constarem publicamente no site do governo é um erro.

Com os dados visíveis para todos, ficaria mais fácil para a sociedade ver qual dos dois lados está mais próximo da verdade.

O governador Alcides, por sua vez, vai aos poucos saindo da posição silenciosa. Tanto que disse, no mesmo dia, que os números do Geconi eram reais e não entendia a preocupação do PSDB "em fabricar números". O secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, chegou a chamar de "hilária" a crítica dos tucanos e classificou como "montagem" os números paralelos apresentados pelo PSDB.

Até agora, nem Alcides, nem Braga tinham sido tão explícitos na crítica ao PSDB como agora foram. Já o volume dos ataques do PSDB ao governador só tem aumentado. O que era discordância no passado próximo vai ficando cada vez mais próximo de ser um "racha".

O racha não vai, necessariamente, levar o PP a se aliar ao PMDB, embora a idéia esteja aos poucos sendo aceita nos dois partidos.

O racha tem tudo para, cada vez mais, levar o PSDB ao isolamento.

Assim, de todos os cenários desenhados para 2010, nenhum mais deve prever PP e PSDB do mesmo lado, como aconteceu nas últimas três eleições estaduais. 

Num cenário em que Henrique Meirelles é candidato a governador em 2010, é mais fácil imaginar ele tendo o apoio de PP e PMDB do que de PP e PSDB, por exemplo.

Em outro cenário com Marconi novamente candidato a governador, é mais fácil imaginar o PP do lado de PR, DEM e de outros partidos menores - e longe de qualquer aliança com o PSDB.

O retorno do PSDB e de Marconi Perillo em 2010 vai sendo cada vez mais temido e menos desejado. O PP, por exemplo, está do lado dos que temem uma vingança por parte do PSDB. E o PSDB acumula raiva e ressentimento.

A disputa de 2010, com uma preliminar em 2008, caminha para ser mais explosiva do que a de 1998.


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Postado em 14/03/2008 às 06h40

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