Competências e incompetências


O ano de 2007 começou com uma certeza: a velha disputa entre UDN e PSD (atualizada nas siglas atuais, PP e aliados contra PMDB) estava mais forte do que nunca - e cada vez mais longe de ser rompida em Goiás.

Alcides Rodrigues (PP) havia vencido a eleição, o PMDB novamente tinha sido escolhido para ser oposição e o PT abdicou da possibilidade de ter candidato.

Um ano depois, 2008 tende a indicar o início do caminho inverso: nunca a bipolaridade esteve tão próxima do fim.

Os motivos:

1) A oposição peemedebista ao governador Alcides Rodrigues (PP) nunca foi tão fraca como agora, a despeito de todas as crises do governo estadual;

2) A oposição pepista-tucana ao prefeito Iris Rezende (PMDB) nunca esteve tão morta, apesar de Iris ser o adversário número 1 a ser batido por eles;

3) O PT, que parecia entregue ao PMDB, dá sinais (ainda não conclusivos) de que vai tentar se diferenciar das duas forças principais;

4) O ano de 2010 tem tudo para ser o ano do cansaço do eleitor.

Cansaço do eleitor? Há grandes chances.

Afinal, tudo aponta para um duelo entre dois coronéis: Iris e Marconi Perillo (PSDB) devem tentar, cada um, seu terceiro mandato como governador. Iris já foi governador por duas vezes, alternadamente (1983-1986 e 1991-1994).  Marconi foi duas vezes, consecutivamente (1999-2002 e 2003-2007).

Um dos motivos da derrota de Iris em 1998 foi o fato de o eleitor ter cansado do peemedebista. Uma das razões de Marconi em 1998 e 2002 foi o fato dele simbolizar o "novo". Em 2010, não terá esse trunfo.

Convém inclusive lembrar de alguns trechos do jingle que embalou a campanha de Marconi em 1998:

"De tempo em tempo o novo vem/
Quem diz que o povo não muda/
nega o poder que o povo tem/
Somente o povo é que renova/
unido vota e faz mudança/
O povo é quem dá o poder/
mas também tira com a mudança."

Como Marconi e Iris não serão o "novo" em 2010, há uma possibilidade de abertura para uma terceira via em 2010, que parecia morta no fim de 2006.

Via, essa, que poderia inclusive vir agregada com algum "não-novo", se Iris ou Marconi, por exemplo, desistirem da disputa em 2010. Só que aí, claro, a bipolaridade não seria rompida.

Um dos nomes que poderiam ser terceira via ou estar unido à uma das duas vias principais é Henrique Meirelles (hoje sem partido). Dele se fala desde a eleição passada.

Se quiser dar um prosseguimento à carreira política em Goiás, o momento certo para Meirelles será em 2010. Até porque ele precisa renovar seu vínculo com a política do Estado, interrompido em 2003 quando foi chamado para a equipe de Lula.

A outra possibilidade seria o PT. Inclusive, talvez, com o próprio Meirelles, hoje presidente do Banco Central de um governo petista. Sem Meirelles, o partido teria dificuldades. Nomes há, mas falta consolidá-los no imaginário do eleitor.

A figura política mais forte do petismo, Pedro Wilson, acabou sumindo do jogo político depois que não conseguiu se reeleger prefeito de Goiânia em 2004. A derrota de Pedro abalou tanto o PT que o partido até abriu mão de lançar candidato a governador em 2006, algo inédito em sua história.

 Antes, de 1982 a 2002, o PT sempre se manteve como terceira força no Estado - e sempre com candidato próprio a governador. Procurava estar longe do PMDB e do grupo que hoje reúne PP, PSDB, PTB, PL e parte do PFL.

Falta também estrutura e tradição ao PT no interior do Estado, embora sobre na capital. O PT nunca alcançou o interior do Estado como gostaria.

Claro, pode-se sempre argumentar que Marconi também não tinha estrutura em 1998. Mas, bem ou mal, tinha nos bastidores o peso das principais forças udenistas de Goiás. Ronaldo Caiado e Otávio Lage, para citar duas figuras de famílias históricas, foram decisivos na campanha do tucano.

A grande força que uma terceira via, ainda difusa, terá em 2010 tem menos a ver com os méritos dela e mais a ver com os erros das duas forças principais.

O fato de o PMDB não fazer oposição a Alcides e PP-PSDB não fazerem oposição a Iris é, talvez, o menor dos males. O grande problema do PMDB, hoje, é sua estrutura em frangalhos no interior, onde antes era forte. Na base aliada, liderada por PP-PSDB, o grande problema nem é a impopularidade crônica de Alcides, que pode ser revertida. O nó górdio é o relacionamento dos aliados. Nunca estiveram tão desunidos.

E a desunião da base aliada tem chegado a tal ponto que há quem diga que só uma derrota os une outra vez. E o aviso está em luzes de natal: a derrota não está longe. Afinal, sempre que partiram desunidos para uma eleição, perderam.

Há um paradoxo nisso tudo: é a própria bipolaridade que pode provocar seu fim.

O PMDB se empolgou tanto com o ressurgimento de Iris em Goiânia que descuidou do interior.

A base liderada por PP e PSDB se acha tão invencível que briga entre si como nunca.

Se Marconi e Iris, os dois nomes mais fortes de seus grupos, toparem uma disputa em 2010, o eleitor poderá decidir que está enfadado com os dois.

Parece até piada, mas resta saber se alguém vai tentar ser a terceira via. Não há dúvidas que, mesmo com um cenário a favor, a terceira via continua incompetente como sempre. Precisará, portanto, ser menos incompetente do que as duas grandes forças principais.


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Postado em 17/12/2007 às 19h52

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