PMDB, PT, DEM e PSDB são diferentes?


Quinze anos atrás, a política nos Estados Unidos carregava um clichê inescapável: os partidos Democrata e Republicado, os dois principais do país, são idênticos. As diferenças estavam apenas em questões menores.

Na mesma época, no Brasil, havia pelo menos quatro partidos bem diferentes entre si: PMDB, PT, PFL e PSDB.

Quinze anos depois, a situação é inversa. Republicanos e Democratas se distanciaram. Os quatro principais partidos políticos brasileiros se aproximaram. Estão hoje todos no espectro de centro-direita. O PT, talvez, ainda tenha resquícios de centro. De esquerda, pouco.

No Brasil, O PMDB perdeu o resto de sua identidade para virar um partido fragmentado em federações, abrigando figuras díspares como Pedro Simon, José Sarney, Roberto Requião e Anthony Garotinho.

O PSDB, quinze anos atrás, ainda era recém-saído da costela do PMDB. Hoje caminha a passos largos para se tornar, no futuro próximo, o que o PMDB é hoje. Tem pontas fortes em Minas, Ceará e Goiás, mas é todo comandado em São Paulo. A identidade construída por Mario Covas foi pro espaço, principalmente quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu presidente.

O PFL até mudou de nome. Abandonou o "P”, antes obrigatório, para receber o nome de DEM, de “Democratas”. Embora ideologicamente esteja lado a lado com os Republicanos (e não com os Democratas) nos Estados Unidos. Sua ideologia não mudou muito, mas o DEM vive dois problemas: 1) Alta rotatividade de quadros saindo; 2) Vergonha de se assumir como partido da direita brasileira.

O PT é, sem dúvida, o partido que mais mudou. No governo Lula, é defensor de programas assistencialistas sem pudor. Teve o mérito de aprimorar o “mensalão” nascido no PSDB. Promove lucros recordes de bancos e sente prazer em mostrar que é um partido enquadrado no capitalismo.

Petistas ingênuos da base do partido até acham o contrário, mas o PT copiou e aprofundou a política econômica de FHC por acreditar nessa opção. Não foi por falta de alternativa.

Tanto que, com e sem Palocci, a política econômica, antes rotulada de “neoliberal” nos tempos de FHC, nunca foi alterada.

Nos Estados Unidos, as diferenças entre Democratas e Republicanos estão hoje bem claras. Democratas são contra a política repressiva contra os usuários de drogas. Os Republicanos, não. Democratas defendem métodos anticoncepcionais. Os Republicanos, com Bush no poder, gastam milhões em propagandas pregando abstinência sexual. Democratas defendem a legalização do aborto. Republicanos, não.

Democratas defendem que ricos paguem mais impostos. Republicanos, não. Democratas valorizam mais as liberdades individuais. Republicanos, não. Pena de morte é defendida por Republicanos. Democratas, não. Estes são só alguns exemplos.

No Brasil, PT, PSDB, PMDB e DEM defendem carga tributária alta, sempre a maior possível, quando estão no governo.

Todos são vagos quando falam da legalização do aborto. A opinião dos partidos sobre a pena de morte é desconhecida. Não consta de estatuto, não consta de debates. As privatizações são, hoje, defendidas pelos quatro partidos.

Mudam apenas o ritmo e a tonalidade. Todos também defendem acriticamente os programas assistencialistas e sem apontar, na prática, uma porta de saída.

Em Goiás é diferente? Muito menos. PMDB e PP hoje estão mais próximos do que estiveram nas origens, quando eram PSD e UDN. Tanto que, na última campanha para governador, ficaram apenas brigando para ver quem prometia mais programas assistencialistas diferentes.

O PT também entrou na dança transgênica. Darci Accorsi, quando prefeito (1993-1996) pelo partido, foi aliado do PMDB de Iris e Maguito. Pedro Wilson, em sua gestão (2001-2004), teve relação pra lá de harmoniosa com o PSDB de Marconi Perillo, então governador do Estado.

Hoje o PT planeja aliança com o PMDB, com quem ainda tem divergências. O prefeito Iris Rezende tem criticado a gestão que recebeu de Pedro Wilson. Mas nenhuma divergência é ideológica. A discussão é para saber quem fez mais praças, quem reformou mais creches, quem fez mais asfalto.

Daí que o eleitor não tem mesmo culpa nenhuma de sentir, cada vez mais, nojo da política e dos políticos.

Se a sociedade atual já leva o cidadão à apatia, os partidos só contribuem para agravá-la. Sem ideologia, os partidos têm cada vez mais torcedores e militantes profissionais e, cada vez menos, simpatizantes ideológicos e programáticos. Nem os Estados Unidos são tão profissionais (no mau sentido da palavra) assim.


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Postado em 09/11/2007 às 00h59

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Arlindo Menegotti disse em 09/11/07 | 00:59
Na verdade diferente é o PSOL que faz discurso de esquerda e vive de mãos dadas com o DEM e o PSDB no Congresso Nacional. Aja coerência!


 

Qual oposição é mais fraca?
A oposição à presidenta Dilma
A oposição ao governo Marconi
A oposição ao prefeito Paulo Garcia

 

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