Júnior Friboi: “Não tenho opinião formada se vamos apoiar a Dilma ou não”

Peemedebista, pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas, voltou com tudo: falou do PT, de Gomide, de Vanderlan, de Marconi, de Iris Rezende e principalmente de como está sua campanha. Friboi diz que política para ele não é profissão. "É um Sacerdócio."


Depois do recesso de 20 dias que usou para estar com a família e fazer uma cirurgia estética, Júnior Friboi (PMDB) voltou hoje a conceder entrevistas. A primeira foi para a Rádio Mil FM, hoje de manhã, ao vivo. Na entrevista, Friboi foi pela primeira vez menos categórico sobre sua própria candidatura. Disse que ela está nas mãos do PMDB. E o que o importante é vencer, ainda que ele não seja candidato a governador. Ele afirma que sem o Iris Rezende, ele desanima de ser candidato. Inclusive não descarta mais uma candidatura de Iris Rezende (nas entrevistas de 2013, ele quase descartava), mas segue vendo com dificuldades uma aproximação com o PT. "Não tenho opinião formada se vamos apoiar a Dilma ou não", chega a dizer, durante a entrevista. E diz que a candidatura do prefeito de Anápolis, Antonio Gomide (PT), é especulação. Friboi confirmou que o deputado federal Leandro Vilela deve ser seu coordenador de campanha e propõe uma "campanha ética, muito ética, voltada às propostas e sem nenhum ataque". Por fim, diz que política para ele não é profissão. "É um Sacerdócio." Confira a íntegra da entrevista de Júnior Friboi à Rádio Mil FM, concedida na manhã de hoje, 22 de janeiro de 2014. Os entrevistadores foram os jornalistas Ivan Mendonça e Jeronimo Rodrigues, o Jerominho.


Entrevistador - Bom dia, Júnior!
Júnior Friboi - Bom dia Jerônimo, Bom dia Ivan, quero fazer um debate francamente.

Entrevistador - O senhor voltou com todo gás para enfrentar a campanha para governador?
Júnior Friboi - Iniciei esse projeto em 8 de julho de 2011, quando me filiei ao PSB. De lá pra cá, não tirei férias, não parei, nada, só agora no final do ano é que tirei férias. Aliás, não foi férias. Eu me ausentei. Não do Brasil. Passei dez dias com meus pais, em São Paulo. O papai tem 80 anos de idade, a mamãe está com 76, então eu entendi que esses 10 dias foram para ficar com eles...

Entrevistador - O senhor esqueceu de falar sua idade...
Júnior Friboi - Minha idade? É 53.

Entrevistador - Então está no ponto (risos).
Júnior Friboi - Pois é, então passei dez dias com meus pais, passei o natal com eles. Eu sou muito família, eu amo minha família. Muitas coisas na minha vida fiz pela união da família. Essa é a razão do meu sucesso. Depois desses dez dias, tirei mais dez dias para ficar em Goiânia, com minha família, fiz uma intervenção cirúrgica de pálpebra, estava me incomodando muito no olho. Em 10 dias já me recuperei, estou bom.

Entrevistador - O senhor tem residência fixa em Goiânia?
Júnior Friboi - Há muito tempo...

Entrevistador - No Aldeia do Vale.
Júnior Friboi - É, moro lá no Aldeia do Vale, desde que voltei dos EUA. Morei nos EUA por quatro anos e voltei direto para o Aldeia do Vale.

Entrevistador - Após esse período, o senhor percebe o PMDB goiano mais coeso na sua candidatura?
Júnior Friboi - Eu vejo, eu quero deixar muito claro que a candidatura não é minha, a candidatura do Júnior Friboi é do partido, eu apenas coloquei meu nome à disposição de uma agremiação. Minha candidatura é do PMDB.

Entrevistador - O senhor se julga oficializado candidato do PMDB?
Júnior Friboi - Me julgo sim, estou trabalhando, estou montando equipe, estou contratando muita gente, inclusive aí o Duda Mendonça, publicitário de renome nacional. Ele fez um diagnóstico de minha situação, de minha viabilidade.

Entrevistador - Uma pesquisa qualitativa...
Júnior Friboi - E quantitativa junto. Agora dia 29 ele vai me apresentar oficialmente. Mas tenho já um pré-resultado bom.

Entrevistador - A estampa foi boa.
Júnior Friboi - A avaliação do Duda foi boa, que é viável eu me candidatar. Os números são muito bons. A qualitativa se mostra viável. O meu nome... aliás, minha história é boa.

Entrevistador - O senhor chegou a conversar com Iris Rezende agora em janeiro, depois dos 20 dias de férias?
Júnior Friboi - Eu converso com o Iris sempre...

Entrevistador - Mas na volta, essa semana, ainda não conversou?
Júnior Friboi - Conversei sim, estive com ele ontem (dia 21 de janeiro) lá na casa dele, fui fazer uma visita pra ele. O Iris é um amigo muito querido.

Entrevistador - Que papel o senhor reserva para Iris Rezende na preparação e na condução de sua campanha?
Júnior Friboi - Jerônimo, o Iris é um líder político, tem 55 anos de vida pública. É uma grande referência do ponto de vista político como eu sou do ponto de vista empresarial. Nós dois nos completamos. Eu disse para ele ontem: "Iris, eu fico muito animado de ver nós dois conversar dessa forma que conversamos e o entendimento é que essa candidatura é muito viável porque estamos juntos". O Iris precisa de mim, eu também dele, nós precisamos da militância e a militância precisa do povo.

Entrevistador - Como o senhor analisa a postura do Antonio Gomide de que o PT pode ter candidato?
Júnior Friboi - Eu vejo assim, Jerônimo... o PT é uma agremiação e deve falar em candidatura. Não tenho nada contra. Sou a favor de uma candidatura própria do PT. Não tenho outra coisa a esperar do PT. Mas resposta oficial do PT eu espero até 22 de março. Até lá é mera especulação, essa candidatura é especulação.

Entrevistador - O senhor tem uma data para resposta do PT?
Júnior Friboi - Sim, tem, é 22 de março.

Entrevistador - Tem o prazo da desincompatibilização, né, que é 5 de abril...
Júnior Friboi - Sabe que só falamos da candidatura do PT quando o Antonio Gomide renunciar, sair da prefeitura. Antes disso, tudo é especulação. Não tenho opinião formada sobre esse assunto. Queria estar junto, queria a contrapartida que se consolide nessa aliança.

Entrevistador - E se ele se afastar da prefeitura, se ele renunciar?
Júnior Friboi - Aí o PMDB vai sozinho. Isso é fato. O PMDB tem candidato e não abro mão da cabeça de chapa. E o Iris disse isso para o Antonio Gomide. O PMDB tem três coisas importantes: tem nome, tem capilaridade e tem agora comigo estrutura financeira pra fazer campanha. O PMDB tem 57 prefeitos, 300 e tantos vereadores, não tem como, não tem como o PMDB abrir mão de uma candidatura minha a governador.

Entrevistador - O PMDB é cabeça de chapa...
Júnior Friboi - Eu acho assim, Ivan... Se unir é bom. Mas se não unir, paciência. Fazer o quê?

Entrevistador - PMDB e PT estiveram juntos, é uma aliança que deu certo, reelegeu Paulo Garcia e agora o Paulo Garcia tem defendido uma aliança PT-PMDB. Paulo Garcia está dentro dessa aliança?
Júnior Friboi - O Paulo não faz nada mais, nada menos que a obrigação. Está cumprindo compromissos da instituição, a instituição tem compromissos.

Entrevistador - Compromisso do PT apoiar o PMDB, que o Sandro Mabel revelou aqui na Rádio Mil. Mão dupla, ele disse.
Júnior Friboi - Isso. Pessoas mudam e esquecem às vezes dos acordos. Mas as instituições, pra ter credibilidade, pra se fortalecer, precisam cumprir acordos. O Paulo Garcia está defendendo os acordos. Nós fizemos acordos e cumprimos. Eu participei, sou prova viva desse acordo. Venho militando nisso. Em 2012, o PMDB cumpriu acordos. E vamos cumprir o nacional. O PMDB nacional está com o PT nacional. Eu vejo o empenho do vice-presidente da República.

Entrevistador - O senhor tem o aval da executiva nacional?
Júnior Friboi - Não é o aval. Estou referendado por eles. Não é verdade que eu entrei por eles. O PMDB nacional antes de referendar minha inserção teve uma conversa com o Iris e acordou com o Iris, ele disse que minha vinda para o PMDB iria somar muito. Eu não vim por vir, eu vim por acordo.

Entrevistador - Voltando ao seu encontro com Iris... Muitos peemedebistas estão defendendo a candidatura do Iris, o José Nelto esteve aqui na rádio... A pergunta é: a chance do Iris ser candidato a governador é zero?
Júnior Friboi - Não, Ivan, não... Não é o Iris Rezende ou o Júnior Friboi que vão decidir. O que o partido decidir, está decidido. Não vou fazer imposição nenhuma. Eu vim pelo convite do PMDB, eu oficializei minha pré-candidatura, estou construindo, não estou impondo nada ao PMDB, mas sou militante. Não participo da executiva, de decisão nenhuma. Sou só um militante. Pus meu nome à disposição. Quero alternância, quero participar desse processo democrático. O povo está feliz com o Estado de Goiás, com Goiás, não está satisfeito é com ações de governo. A alternância é boa.

Entrevistador - Há um jeito de compatibilizar Júnior Friboi e Iris Rezende no mesmo palanque?
Júnior Friboi - Não é um jeito... Nós vamos estar no mesmo palanque. Vamos estar juntos. Juntos como candidatos. Eu até desanimo se o Iris não estiver comigo, é uma força, estou muito animado porque ele me apóia, pela experiência de estar junto.

Entrevistador - O Iris está disposto a disputar o Senado?
Júnior Friboi - O Iris é peemedebista. O Iris não é o Senado. O Iris é partidário. Aquilo que o PMDB decidir, ele acata. Não vamos ter candidato para concorrer, queremos ganhar as eleições. A receita para perder eu já tenho (risos), estou em busca da receita para ganhar a eleição.

Entrevistador - O senhor tem dúvida que o candidato a governador é o Júnior Friboi?
Júnior Friboi - Hoje eu não tenho dúvida, Jerônimo. Hoje. Hoje!

Entrevistador - O senhor aceitaria disputar o Senado ou outro cargo?
Júnior Friboi - Se o PMDB entender que pra vencer a eleição eu tenho que disputar outro cargo ou posição na chapa majoritária, não tenho dúvida quanto a isso. Posso aceitar ou não aceitar.

Entrevistador - Uma das perguntas dos ouvintes é do José Ricardo Fonseca: como é sua relação com a Dilma e o Lula?
Júnior Friboi - É das melhores. Ontem, inclusive, saiu a classificação, somos a oitava maior empresa do país. Estamos classificados aí para 2013 no oitavo lugar como maior empresa.

Entrevistador - É verdade que Lula e Dilma tiveram participação ativa na ida sua para o PMDB goiano?
Júnior Friboi - Não, foram os prefeitos de Goiás. Esses tiveram participação ativa, fizeram moção de apoio. Referendado pelo PMDB nacional. O PT não interferiu.

Entrevistador - O PMDB poderia romper a aliança com o PT nacional?
Júnior Friboi - Não tenho opinião formada sobre isso. Tem muita coisa para acontecer. É mais prudente dizer isso depois de 5 de abril. Aí vamos ter noção melhor. Quem ficou, quem não ficou. Como vai ser o novo ministério. Não tenho opinião formada se vamos apoiar a Dilma ou não.

Entrevistador - O senhor esteve no interior, não está na hora de ter um cara a cara com o Antonio Gomide?
Júnior Friboi - Eu ouvi dizer que eles querem conversar comigo. Estou esperando o PT. Trocar uma ideia e conversar. Mas depois das decisões de sábado é que espero um encontro com o PT. Tenho um bom trânsito com o PT.

Entrevistador - Quem o senhor imagina que serão seus adversários na campanha?
Júnior Friboi - Se o PT vir me apoiar, é o grupo do Marconi, não sei quem o grupo do Marconi vai apoiar, o meu grupo, a verdade é que eu não escolho adversário.

Entrevistador - O senhor trabalha com a possibilidade da terceira via? O Vanderlan?
Júnior Friboi - Trabalho, trabalho. O Vanderlan será candidato... O Vanderlan será candidato.

Entrevistador - Se houver união das oposições, é só no segundo turno?
Júnior Friboi - Exato, só no segundo turno. Se houver união, só no segundo turno.

Entrevistador - E Ronaldo Caiado? Ficou definida a situação?
Júnior Friboi - Não nos encontramos em Goiatuba. Foi em dias diferentes. Podemos até nos encontrar.

Entrevistador - Fala-se na criação de um conselho político do PMDB. Quem poderia comandar?
Júnior Friboi - Quem tem que comandar sou eu. Tem que ficar comigo. O que falaram desse conselho, é o conselho dos partidos aliados, de sugestão... não é um conselho... É um grupo de trabalho. Fala-se em conselho, mas cada caso é um caso, cada partido é um partido. Cada um com suas diferenças e suas necessidades.

Entrevistador - O senhor esteve em Goiatuba com Daniel Vilela e Leandro Vilela. O Leandro Vilela não seria candidato e seria coordenador de sua campanha. O senhor confirma?
Júnior Friboi - É verdade. O Leandro Vilela é o coordenador de minha campanha. Ele está dizendo isso. Não sendo candidato, iria nos ajudar nessa coordenação. É um bom nome, menino novo. Cada dia que convivo com ele, admiro mais o Leandro, o Daniel Vilela. Eu não tinha essa convivência com eles, com o Pedro Chaves. São grandes pessoas. Tenho assim até me surpreendido com os meninos, do ponto de vista político, são maduros. O Leandro é uma grande liderança, de muito futuro. Ele e o Daniel.

Entrevistador - Sobre o Duda Mendonça, qual será o papel dele na sua campanha?
Júnior Friboi - Vai coordenar a estratégia, vai fazer a comunicação, o marketing da minha campanha. Ele vai fazer meus programas de televisão, até o fim da campanha. Ele vai trazer uma equipe, vai ter uma equipe dele o tempo todo em Goiânia, aproveitando pessoas locais, de Goiânia. É isso. Mas não é ele que vai ganhar a eleição. Ele vai me ajudar a errar menos.

Entrevistador - Nessa pesquisa qualitativa e quantitativa de Goiás, pode aparecer lá que o eleitor quer um candidato novo. O senhor é um candidato novo?
Júnior Friboi - Quando a pesquisa apresenta o novo, é novo de experiência. Nós precisamos começar a falar de projetos. De ideais. Mostrar o que vai fazer. É muita fofoca.

Entrevistador - O que o senhor tem de projetos?
Júnior Friboi - Não sei se já está terminando o tempo, tem que ver as horas, eu queria sugerir que temos que falar sobre projetos. O que vamos fazer? Essa é a discussão. O que esse pessoal vai melhorar a vida? Eu acho que está na hora. Eu quero governar Goiás. A pergunta não é "por quê" eu quero governar, e sim "pra quê" eu quero governar Goiás. O "por quê" é muito subjetivo, eu na prática quero falar aquilo que nós pensamos. Quero fazer algo por Goiás. Estou pronto. Tenho uma história. Não sou novo na idade, mas na experiência. Mudança com responsabilidade. Mudar por mudar não concordo. Mudar porque temos projetos, tenho experiência sobre gestão. Goiás precisa de gestão. Que seja uma operação! Está faltando mais ação do que política. Estão fazendo muita política. O povo está enjoado de política. Tem que resolver os problemas. Falando as verdades. Fazendo mais e falando menos. Não sou muito de falar. Eu sou de fazer. O povo espera algo concreto, real, que resolva o problema das pessoas.

Entrevistador - O PMDB de Aparecida vai fazer uma festa para o senhor agora dia 28, não é?
Júnior Friboi - É, vão fazer. É a inauguração de um diretório lá. Estamos preparando isso. O Ezizio e o vereador Gleison Flavio estão preparando isso. Se o Gleisson Flávio não estiver lá, nem vou (risos). Primeiro tem que combinar com ele (mais risos). Estamos em um bom momento. O momento que Goiás espera é de uma campanha ética, muito ética, voltada às propostas e sem nenhum ataque. Não quero bate papo, não quero falar mal. Vi nos jornais que o PSDB quer colocar uma lupa em cima de mim, vai me vigiar 24 horas por dia. Pode colocar. Já ajudo muito Goiás. Ajudando muito! Muito! E a recíproca vai ser verdadeira. De agora para frente, vamos estar monitorando o PSDB.

Entrevistador - Muito obrigado por aparecer aqui.
Júnior Friboi - Muito obrigado pela oportunidade, obrigado aos ouvintes, a Rádio Mil FM é campeã de audiência, especialmente você, Ivan, que é um grande líder. Esse projeto é nosso. Eu quero ajudar a cuidar de Goiás. Política para mim não é profissão. É um Sacerdócio. Sacerdócio! Para ajudar. Amenizar o sofrimento de tantos pais, mães e famílias. Ontem eu disse para o Iris: cada dia que ando por Goiás, vejo que quero ajudar o Estado. Dar valor em tudo aquilo que construí. Essa é a referência. Só damos valor no que temos, naquilo que o outro não tem.


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