Pregando união com PMDB, Gomide termina semana mais forte

Candidato do PT começou semana com arestas, que foram aparadas em poucos dias


O prefeito de Anápolis, Antonio Gomide, termina a semana já consolidado como o nome do PT para o Palácio das Esmeraldas. O prefeito anapolino estipulou para si mesmo um prazo até meados de março para se viabilizar.

Nesse período, ele pretende reforçar seu nome dentro do PT, conquistar o PMDB e seduzir toda a oposição. Reeleito prefeito em 2012 com 88,9% dos votos, Gomide sabe que seu principal desafio será unir a oposição. O pior dos cenários é a oposição partir para o confronto com Marconi Perillo (PSDB) com 3 candidaturas: uma do PT, uma do PMDB e uma do PSB. Tudo tem de ser feito para reduzir os nomes para apenas um ou, pelo menos, para dois.

As jogadas de Gomide no tabuleiro são até aqui transparentes. Ele se encontrou com outros pré-candidatos a governador e não escondeu nenhum dos encontros. E, nos encontros, foi sincero ao dizer que colocaria seu nome pelo PT para concorrer ao Palácio das Esmeraldas. Assim também tem agido Iris, com quem Gomide conversou bastante na sexta-feira, 10.
 
Quem destoa mesmo na oposição é Júnior Friboi. Esse, até agora, só deu mostras que prega a desunião. Já afirmou que a “oposição, se não unir no amor, vai na dor” e que não “tem tempo” para esperar o PT. Chegou a dizer que prefere uma aliança com o DEM, que também o rejeita. Friboi também assinalou que o PSB não tem outra alternativa que não seja apoiá-lo. E não para de dizer que o PMDB de Goiás pode não apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Com ele, o cenário é desanimador. Pior do que ir com três candidaturas é ir apenas com a de Friboi. Uma disputa Marconi x Friboi seria um passeio para o tucano.

Iris e Gomide são nomes da política. Foram testados nas urnas e estão enraizados em seus partidos. Nada mais natural que cada um defenda a sua legenda na cabeça de chapa ao Palácio das Esmeraldas. Um respeita o outro. Um ouve o outro. A conversa é horizontal, há de parte a parte razoabilidade nas palavras. O diálogo existe. Diferente de Friboi, que nunca disputou uma eleição e já mudou de partido três vezes. Suas ações (e até suas palavras) mostram certo desprezo pela política. Ele se comporta como um outsider.

Besteira imaginar que as críticas entre Antonio Gomide e Paulo Garcia, hoje já resolvidas, possam atrapalhar alguma coisa. Daqui a pouco, os dois estarão juntos. A história do PT é uma história de conflito interno na pré-campanha e de forte união na campanha. Foi assim desde o nascimento do partido, tanto que essas críticas entre tendências são permitidas e até incentivadas pelos documentos partidários. Em 2002, Lula e Suplicy disputaram prévias, justo o ano em que Lula foi eleito presidente pela primeira vez. No Rio Grande do Sul, as disputas internas (com trocas de farpas nos jornais, por meses) sempre fortaleceram o partido. Foi assim na vitória de Olívio Dutra ao Palácio Piratini em 1998 e tantas outras vezes no PT.

Um dos desafios de Gomide será driblar a máquina de boataria plantada por adversários, especialmente tucanos. Ele, por exemplo, nunca disse que, se não for candidato, irá “cruzar os braços”. Não há uma pessoa que confirme ter ouvido isso de Gomide. Não há uma entrevista em que Gomide não fale em unidade das oposições. E uma frase dessa iria no sentido contrário do pretendido pelo candidato a governador do PT.


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