Arquivo Mensal
04/06/10 - Sexta-feira
Urbanismo
Um texto que vale para qualquer capital
Delicadeza
MARIA RITA KEHL Especial para O Estado de S.Paulo
Se eu fosse Deus e se eu existisse, executaria em São Paulo uma prosaica providência administrativa. Tombaria a cidade inteira pelos próximos dez anos: como está, fica. Não se derruba mais nada, não se constrói mais nada. Tratem de melhorar a cidade que já existe: monstruosa, desigual, mal planejada e mal cuidada. Se é para movimentar dinheiro, invistam-se nos espaços públicos: ruas, praças, jardins, calçadas, iluminação, centros de lazer, prevenção contra enchentes - tudo o que faz, de um amontoado de moradias, algo parecido com a magnífica invenção humana chamada cidade. Investir em urbanidade também dá retorno financeiro.
Vista assim do alto, do ponto de vista celeste, São Paulo mais parece uma cidade bombardeada. Imensas crateras em todos os bairros, quarteirões de casas derrubadas, populações pobres jogadas de lá pra cá à procura de lugar para criar novos campos de refugiados de onde serão expulsas pouco tempo depois. Inundações, trânsito bloqueado, gente desesperada presa dentro dos carros parados, gente enlouquecendo pela dificuldade de tocar o dia a dia. Gente que sente no corpo e na alma os efeitos de viver sob uma cúpula negra de poluição que só se vê de cima. Parece uma guerra, mas é só o capitalismo: bombando, enriquecendo alguns e empobrecendo o resto. Enquanto a cidade se torna infernal, se oferece aos que podem pagar o lenitivo de viver numa torre, bem acima do chão, de onde se finge escapar da realidade urbana. O uso novo-rico da palavra torre substituiu as obsoletas "edifício" e "prédio", além da simpática e infantil "arranha-céu". Nas histórias de fadas, a torre era o lugar onde se encarceravam as princesas. Privilégio em São Paulo é viver encerrado numa torre.
Mas como parar todos os negócios imobiliários da cidade? E a economia? E a geração de empregos? Digamos que, se eu fosse Deus, daria um jeito nisso. Se uma prefeitura rica como a nossa, em vez de se tornar cliente de um setor poderoso, investisse os impostos que recebe em outras atividades, em pouco tempo a cidade recuperaria sua pujança. Digamos que seja possível planejar um pouco a economia municipal. Só assim deixaríamos de ser reféns de quem já detém poder econômico. Dez anos são menos que uma fração de segundo pra quem vê o tempo do ponto de vista da eternidade. Mas quem sabe, tempo suficiente para que a cidade pudesse eleger uma nova prefeitura e uma câmara dos vereadores livres de compromissos com o poderoso Secovi, maior sindicato de comércio imobiliário da América Latina.
Mas - em nome de que Deus faria uma coisa dessas? Em nome de que impediria a cidade de, digamos - "crescer"? Não, Deus não precisaria ser socialista. Nem urbanista. Bastaria agir em nome de um valor que está presente em todas as perspectivas sagradas, religiosas ou simplesmente humanistas: em nome da delicadeza. Bastaria considerar que as cidades não existem para impressionar e oprimir as pessoas, mas para ampliar a esfera da liberdade, das possibilidades e daquilo que se costuma chamar de urbanidade.
Nesse ponto convido o leitor a trocar a vista aérea de São Paulo pelo ponto de vista pedestre. Basta descer um pouco do carro e passear a esmo pelas ruas. Se achar a proposta muito mixuruca, finja que é Baudelaire flanando por Paris no século 19, tentando captar o que sobrou da antiga cidade depois da monumental reforma executada por Haussmann a mando de Napoleão III. Ou finja que você é o João do Rio, cronista da capital brasileira reformada por Pereira Passos. A diferença, claro, é que essas duas enormes destruições/reconstruções urbanas foram planejadas visando a modernizar o espaço público, enquanto hoje a construção civil compra o poder público e faz literalmente o que quer em nome do interesse das pessoas, isto é, do mercado. Parece que o mercado é igual à soma das vontades das pessoas. Não é. O que chamamos mercado é um dispositivo formado por poucos, porém grandes interesses, que se impõe às pessoas de modo a determinar o que elas devem querer.
O que será de uma cidade que destrói todas as suas reservas de delicadeza, de graça, de modéstia? Caminhe um pouco pelas ruas de seu bairro em busca dos cantinhos que ainda não foram devastados por alguma obra grandiosa e brega. O que será de uma cidade sem varandas? Sem janelas dando para a rua - e o gato que espia pelo vidro de uma delas? O que será de nosso convívio diário numa cidade sem o pequeno comércio da rua, responsável pelo território coletivo onde as pessoas aos poucos se conhecem, se cumprimentam, conversam? Uma cidade sem zonas de familiaridade? O que será de uma cidade sem as vilas com casas antigas onde o pedestre entra sem passar por uma guarita e encontra um micro-oásis de sombra e silêncio? Sem a minúscula pracinha que sobrou numa esquina onde se esqueceram de construir outra coisa? Procure os lugares em que ainda seja possível o encontro entre o público e o privado, o íntimo e o estranho, o desafiante e o acolhedor. O que será de uma cidade que é pura arrogância, exibicionismo e eficiência? O que será de nós, moradores de uma cidade que despreza a vida urbana?
Maria Rita Kehl é psicanalista
Leia o texto no sítio do Estadão na web clicando aqui.
Postado por Eduardo Horacio às 00:28 de 04/06/10.
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10/06/10 - Quinta-feira
Futebol
Copa do Mundo aqui no Jornal X
Como fiz em 1998 e 2002 (no blog Escanteio) e também em 2006 (aqui mesmo no Jornal X), começo amanhã uma cobertura - baseada em opinião e análise - da Copa do Mundo de 2010. O leitor poderá acompanhar os rabiscos deste blogueiro sobre o mundial da África do Sul diariamente aqui neste espaço.
Os comentários sobre política, claro, vão continuar normalmente.
Postado por Eduardo Horácio às 05:54 de 10/06/10.
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11/06/10 - Sexta-feira
Copa do Mundo 2010 - África do Sul 1x1 México
Pouca técnica e alguma emoção
O jogo de abertura da copa teve baixo nível técnico. Acabou sendo interessante pela comoção causada pela torcida da Casa. O time do México teve bom volume de jogo, mas finalizou muito pouco. Só arriscou mesmo depois que levou o gol de Tshabalala - tanto que conseguiu arrumar o gol de empate com o ágil Rafa Márquez, que se aproveitou da frágil defesa sul-africana. O time sul-africano parece estar bem treinado (as jogadas ensaiadas mostram o dedo do técnico, Carlos Alberto Parreira), mas ainda há ingenuidade em alguns lances e falta de objetividade na hora de finalizar.
A cerimônia de abertura (nada a ver com a festa de abertura do dia anterior, muito brega) que foi realizada duas horas antes do início do jogo, foi bonita e bem organizada, focada na cultura e história do país. Engraçado o fato de Globo, Bandeirantes e Sportv não terem transmitido nada, quem mostrou foi apenas a Espn Brasil (no canal HD da Espn ficou melhor ainda).
Postado por Eduardo Horácio às 17:28 de 11/06/10.
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11/06/10 - Sexta-feira
Copa do Mundo 2010 - França 0x0 Uruguai
Nem tradição salvou o jogo
O jogo França X Uruguai prometia? Pela tradição, sim. Mas pelo desempenho recente das duas seleções, não. Afinal, nenhuma das duas equipes se classificou com facilidade para o mundial. O Uruguai só conseguiu a vaga, mais uma vez, pela repescagem - mesmo caso do time francês. As fracas atuações dos craques Ribery e Diego Forlán contribuíram para o baixo nível técnico da partida que, ao contrário do jogo-abertura da Copa, nem emoção teve.
Postado por Eduardo Horácio às 18:36 de 11/06/10.
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11/06/10 - Sexta-feira
Copa do Mundo 2010 - Coreia do Sul 2x0 Grécia
Um passeio fácil da Coreia do Sul
Este foi um jogo dos contrastes. A rápida Coreia do Sul se opôs à sonolenta seleção grega, o que explica a fácil vitória coreana. Park Ji-sung jogou muito bem e não será surpresa para mim se estiver, ao fim da Copa, na seleção do torneio, especialmente se a seleção asiática conseguir chegar ao menos nas quartas-de-final. E a Grécia, com um ataque sem objetividade e uma defesa preguiçosa, deve estar na Copa apenas a passeio. Foi o primeiro jogo da competição com vários lugares vazios no estádio. Culpa do ingresso caro ou do péssimo trânsito até o estádio?
Postado por Eduardo Horacio às 19:53 de 11/06/10.
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13/06/10 - Domingo
Eleições 2010
Eleição em Goiás não está definida
| Arte: Jornal Opção |
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Marconi tem 7,4 pontos a mais do que Iris na pesquisa Grupom/Jornal Opção/Rádio 730. Vanderlan tem de contornar “problema” de ser pouco conhecido do eleitor. Fato concreto: decisão mesmo, só no segundo turno
Retirado do Jornal Opção www.jornalopcao.com.br
Se as eleições fossem hoje, de acordo com a pesquisa Grupom/Jornal Opção/Rádio 730, haveria segundo turno em Goiás na eleição para governador. Apesar da distância de 7,4 pontos porcentuais que separa o primeiro colocado, Marconi Perillo (PSDB), de Iris Rezende (PMDB), a soma dos pontos porcentuais dos adversários do tucano é maior do que seus índices de intenção de voto.
Segundo o cenário estimulado do Instituto Grupom, Marconi tem hoje 45,1% das intenções de voto, seguido por Iris com 37,7% e Vanderlan Cardoso (PR), com 7,1%. A seguir, aparecem Enio Tatico (PRP) com 1,7% e Washington Fraga (Psol) com 0,2%. O índice de indecisos é de 6,4% e os eleitores que pretendem votar nulo ou branco somam 1,7% das intenções de voto.
No levantamento espontâneo — em que o eleitor pesquisado tem de apontar seu candidato a governador sem o auxílio da cartela com o nome dos candidatos -, Vanderlan mostra um bom índice de consolidação de votos. Neste cenário, 5% dos eleitores apontam o nome do candidato do PR, apenas dois pontos porcentuais a menos do que ele tem no cenário estimulado. Marconi tem 23,5% das intenções espontâneas de voto e Iris alcança 20,7%. Tatico aparece com 1% e Washington possui 0,2%.
O índice de indecisos neste levantamento chama a atenção por ser ainda muito alto: 47,9% dos eleitores não respondem o nome de nenhum candidato, o que mostra que continua a haver espaço no imaginário do eleitor para uma mudança de voto. Não está evidenciado o que se chama, na ciência política, de fenômeno da “cristalização de votos”.
Já o índice de rejeição é baixo para os três principais candidatos a governador. Apenas 13% dos eleitores dizem que jamais votariam em Marconi, enquanto 14,1% dizem o mesmo de Vanderlan e 15,8 de Iris. Os mais rejeitados são Tatico (25,4%) e Washington (23%).
Estratificação Na clivagem da pesquisa, há mais dados interessantes. Iris Rezende e Vanderlan Cardoso têm hoje mais votos entre os homens do que entre as mulheres, enquanto o eleitorado de Marconi Perillo é majoritariamente feminino. Mas o eleitorado dos três principais candidatos a governador não varia praticamente nada de acordo com a idade do eleitor, a diferença está sempre dentro da margem de erro.
Já o grau de instrução do eleitor mostra diferenças significativas de acordo com a estratificação. Entre os eleitores com curso superior, Marconi abre uma diferença maior para Iris. O tucano tem 52,4% das intenções de voto, enquanto Iris tem 28,9%. É neste eleitorado — onde Iris tem seu pior desempenho — que Vanderlan alcança seu melhor índice: 9% das intenções de voto.
Já Iris é muito forte entre os eleitores que possuem apenas ensino fundamental ou primeiro grau completo. Neste nicho, o peemedebista tem 40,3% das intenções de voto, apenas 2,9 pontos porcentuais a menos do que Marconi Perillo.
Nas cinco grandes regiões do Estado, Marconi tem mais votos no Sul do Estado, com 51,7% das intenções de voto, enquanto Iris Rezende é líder absoluto no Noroeste do Estado, com 48,3% das intenções de voto, quase sete pontos porcentuais à frente do tucano. Já no Centro do Estado, onde estão os eleitores de Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia e cidades vizinhas, Iris lidera com 43,4%, seguido por Marconi com 40,7% e Vanderlan com 11% — é a região onde o candidato do PR experimenta seu melhor índice.
Nos cenários simulados de segundo turno, Marconi venceria todos em que aparece se as eleições fossem hoje. No cenário em que ele rivaliza com Iris, o tucano tem 49,9% contra 40,7% do peemedebista. No cenário entre Marconi e Vanderlan, o atual senador teria 67,3% contra 20% do ex-prefeito de Senador Caneado. Já no cenário que tem Iris e Vanderlan, o peemedebista alcança 65,2% contra 21,2% do candidato do PR.
“Problema” de Vanderlan é ser pouco conhecido
A pesquisa Grupom/Jornal Opção/Rádio 730 faz um levantamento do índice de conhecimento dos pré-candidatos entre os eleitores. Neste momento de definição de candidaturas, costuma-se confundir ‘conhecimento de’ com intenção de voto. Natural é que esses dois quesitos sejam avaliados com o devido peso, para se saber verdadeiramente a “fotografia” do momento eleitoral. Assim, é possível avaliar o potencial de crescimento e de fortalecimento futuro.
Neste quesito, o candidato do PR, Vanderlan Cardoso, tem a seu favor o fato de ser de longe o menos conhecido. Enquanto apenas 1,4% dos eleitores dizem não conhecer Marconi Perillo e somente 2,3% afirmam não saber quem é Iris Rezende, 60,1% dos entrevistados dizem não conhecer Vanderlan — sem contar os 10,2% que dizem conhecê-lo “pouco”.
Pelo levantamento, se Vanderlan tem 7,1% das intenções de voto com um índice de conhecimento tão baixo, é factível supor que ele tem alto potencial de crescimento na medida em que se torna mais conhecido em todo o Estado. Eis o desafio do candidato do PR, portanto: tornar-se conhecido. Vale, no entanto, o contraponto: e se ele não conseguir alcançar o eleitor com o seu nome? Eis a questão para os marqueteiros de Vanderlan responderem.
Há um ponto a ser avaliado, neste quesito. Qual o índice de consolidação de voto dos pré-candidatos? Ficar cada vez mais conhecido é melhor mesmo para Vanderlan? E para Iris e Marconi, o que acontece a partir do aumento do nível de conhecimento de Vanderlan? O debate está aberto.
Análise: Dados mostram Marconi e Iris estagnados
A pesquisa Grupom/Jornal Opção/Rádio 730 indica uma tendência: a estagnação, observada em outras sondagens, de Marconi Perillo e Iris Rezende. Diante disso e com o número elevado de indecisos, Vanderlan Cardoso, além do fato de ser disparado o mais desconhecido, como apontado no levantamento, as articulações políticas passam a ser a peça chave para consolidar seu nome.
Esse é o mês decisivo para consolidar as articulações políticas nessa pré-campanha e isso é que mais preocupa os adversários do Vanderlan, que centralizaram suas estratégias em tentar desestabilizar sua candidatura. Atualmente, o republicano conta com apoio de seis partidos (PP, PR, PSB, PTN, PV e PSC), e com possibilidades de ainda ter ao seu lado PDT e o tão disputado DEM, do deputado federal Ronaldo Caiado e o franco favorito na disputa ao Senado, Demóstenes Torres.
Essa aliança, sem ainda contar com o DEM e o PDT, deve garantir, em tese, 85 prefeituras ao republicano. Os democratas e os pedetistas contam com mais 16 administrações municipais (15 do DEM e 1 do PDT) e a presença deles na chapa majoritária garantem a Vanderlan o maior tempo no programa de TV durante a campanha, fator importante à eleição majoritária.
O apoio do DEM é disputado com os tucanos, em decorrência da aliança nacional, porém alcidistas estão confiantes de que atrairão os democratas. No caso do PDT, a apoio é quase certo. A presidente regional do partido, Flávia Morais, é ex-secretária do governo Alcides e não esconde a disposição de estar ao lado do republicano.
Leia a matéria completa clicando aqui.
Postado por Eduardo Horacio às 19:12 de 13/06/10.
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17/06/10 - Quinta-feira
Eleições 2010
Os 60,1% que preocupam Iris e Marconi
| Arte: Jornal Opção |
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O que preocupa os adversários do candidato do PR não são seus 7,1% na pesquisa Grupom e, sim, o fato de 60,1% não saberem quem é Vanderlan
O crescimento da candidatura de Vanderlan Cardoso (PR) na sucessão em Goiás era uma questão de tempo. Isso todos sabiam, inclusive os adversários. Afinal, o candidato do PR é pouco rejeitado, tem uma boa administração para mostrar e é apoiado por um governador que, se não tem as porcentagens estratosféricas que Lula tem, já alcança índices semelhantes ao de Marconi Perillo (PSDB) em 2002, ano em que foi reeleito governador.
A primeira questão, para os adversários do candidato do PR, não era saber se ele iria crescer e, sim, tentar adiar ao máximo esse crescimento. Daí que Marconi sempre dizia que seu único adversário era Iris Rezende (PMDB) e vice-versa.
Iris insistiu até quando pôde numa hipotética união entre PMDB, PP e PR já no primeiro turno, algo que ele - esperto como é - sabe que nunca foi cogitado seriamente.
Marconi e Iris preferem se enfrentar. Um já conhece bem o outro e os dois imaginam que sabem como ganhar se a bipolarização entre eles fosse mantida até o fim.
O primeiro objetivo - impedir o crescimento de Vanderlan - até que foi alcançado com algum sucesso. Criaram - e ainda criam - atritos dentro da base de Vanderlan e assim devem se comportar até onde der. Estão errados? Não, faz parte do jogo político.
Marconi sabia que Vanderlan cresceria, como aponta a pesquisa Grupom divulgada no último domingo pelo Jornal Opção e pela Rádio 730. Não foi por acaso que o lançamento da candidatura de Marconi Perillo (PSDB), por exemplo, enfatizou o "municipalismo", bandeira que Vanderlan defende há tempos e introduziu no debate eleitoral deste ano.
Iris sabe que Vanderlan está crescendo, o que explica o assédio mais forte em cima de PSB e PDT, dois partidos que caminhavam para compor a aliança do candidato do PR.
Isso explica também o peemedebista ter começado a bater pesadamente no governo Alcides Rodrigues (PP) nos últimos quinze dias, postura antes descartada.
A estratégia, no entanto, tende a ser alterada, já que pesquisas qualitativas não aprovam os ataques ao governador. Foi por isso que Marconi, por exemplo, cessou a artilharia contra Alcides um mês atrás, depois de criticar fortemente o atual governador. Nas últimas três semanas, o tucano seguiu batendo em Alcides, mas de forma menos intensa e mais sutil.
O que preocupa Marconi e Iris não são os 7,1% que Vanderlan têm na pesquisa estimulada.
O que preocupa ambos é o fato de Vanderlan ainda ser desconhecido de 60% do eleitorado e já alcançar índices expressivos em vários nichos do eleitorado. Só 4,2% dizem conhecer bem o candidato Vanderlan. Iris e Marconi são conhecidos de todos os eleitores e, por isso, é razoável supor que não vão crescer com facilidade.
Marconi, aliás, deve saber que chegou ao teto no primeiro turno e sonha em manter os 45,1% que têm hoje, porcentual que o garantiria no segundo turno. Se cair alguns pontos porcentuais, teme perder apoios políticos que o acompanham exclusivamente pela perspectiva de poder que tem. Não são poucos.
A segunda questão, para os adversários de Vanderlan, era saber de quem o candidato do PR mais tiraria votos. A resposta começa a aparecer.
Iris perde mais Hoje, Vanderlan tira mais votos de Iris do que de Marconi. É o cenário do momento, o que justifica a reação agressiva de Iris ao atual governo.
Iris, que já foi governador duas vezes e prefeito da capital por dois mandatos e meio, sabe que não se pode desprezar um candidato apoiado pela situação. Ele próprio elegeu Maguito Vilela (PMDB) governador numa eleição que foi polarizada por três candidatos do início ao fim do primeiro turno. Foi em 1994 e os dois outros protagonistas eram Lúcia Vânia e Ronaldo Caiado, com a primeira indo para o segundo turno contra o candidato de Iris.
Marconi, no entanto, sabe que esses cenários mudam. Vanderlan pode tirar votos apenas de Iris neste momento mas, no acirramento da campanha eleitoral, é possível que arranque pontos percentuais também do tucano. A polarização com o primeiro colocado é inevitável. Em termos ideológicos, aliás, qualquer um dos três principais candidatos a governador pode tirar votos do outro, já que os três nomes são candidatos de centro-direita, assim como ocorreu em 1994. Isso só aumenta o caráter imprevisível da eleição.
Marconi, claro, sabe disso. O cenário ideal para o tucano é um segundo turno contra Iris, adversário que ele imagina saber como derrotar. Um segundo turno contra Vanderlan seria imprevisível. Afinal, o "novo" não seria mais Marconi, mesmo que ele insistisse em discutir Twitter ou prometer trazer uma fábrica da Apple para Goiás. Se fizer um segundo turno contra Iris, a tese do "novo", ainda que desgastada, até que teria alguma chance de colar.
Vanderlan já cresceu, está crescendo e é natural que cresça ainda mais. Afinal, é a única novidade desta eleição e carrega o apoio de um governador com popularidade em ascenção.
Vanderlan vai ser eleito? Estará no segundo turno? Difícil dizer. O eleitor goiano é um dos mais imprevisíveis do país. Várias eleições em Goiás só foram decididas na última semana do primeiro turno, o que mostra o grau de instabilidade da eleição.
O que se sabe é que, com o decorrer natural da campanha, Vanderlan deve crescer e disputar votos com os adversários.
Um ponto a favor ele tem, ao menos nos próximos meses. O nome do PR é hoje aquele que tem mais chances de crescer na campanha eleitoral, enquanto Iris e Marconi têm mais chances de perder votos, até pelos altos índices que possuem.
Enquanto a campanha de Vanderlan seguirá o planejamento natural (já que estará em crescimento, provavelmente), Iris e Marconi terão de segurar o ímpeto de mudar o planejamento a todo instante quando começarem a perder votos.
Afinal, pior do que estar em queda nas pesquisas é passar a imagem de que está desesperado.
Mas como manter um planejamento se a campanha vai mal? Está aí um desafio - dos grandes - para Iris hoje e, talvez, para Marconi amanhã.
Postado por Eduardo Horacio às 18:59 de 17/06/10.
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