Arquivo Mensal
03/05/08 - Sábado
Futebol
Caio Júnior pode deixar Goiás
É informação: terça-feira passada (um dia antes do jogo Corinthians 4x0 Goiás), o diretor do Flamengo Kléber Leite procurou Caio Júnior para ser o técnico do Flamengo a partir da próxima segunda-feira, 5.
Caio informou a diretoria do Goiás sobre a proposta flamenguista, mas ainda não se decidiu.
A diretoria do Goiás, no entanto, já se antecipou. Se Caio Júnior deixar o Goiás na segunda-feira, Geninho (hoje no Atlético-MG) chega em Goiânia na terça-feira.
A outra possibilidade é que Caio Júnior fique no Goiás e Geninho vá para o Flamengo.
Postado por Eduardo Horácio às 07:35 de 03/05/08.
Post com 3 comentários
|
04/05/08 - Domingo
Política
PT 'anti-Iris' perdeu o rumo
O PT já se definiu: vai se aliar a Iris. Mas os desdobramentos da aliança continuam. Na última semana, por exemplo, a ala que defendeu candidatura própria nos encontros partidários agiu estranhamente. Essas ações merecem reflexão.
Antes, no entanto, um breve retrospecto. A começar por 2004.
Desde que perdeu a reeleição naquele ano, Pedro Wilson e seu grupo nunca mais foram os mesmos. Pedro não levantou do chão - foi eleito deputado federal em 2006 apesar de não fazer campanha.
A vereadora Marina Sant'Anna, líder de rejeição interna na administração petista, foi perdendo apoio gradualmente, até se isolar.
No último dia 19, Pedro e Marina perderam mais uma: o partido preferiu aliança com Iris Rezende (PMDB), em vez de lançar candidatura própria.
Poucos dias antes da decisão final, quando a derrota já estava mais do que prevista, o PT de Pedro e Marina criou um factóide: plantou na imprensa uma possível aliança entre PT e o governador Alcides Rodrigues (PP). A condição, impossível de ser atendida, era que o PP rompesse com PSDB e DEM.
A intenção real desta parte do PT era outra: mostrar à ala pró-Iris que uma aliança poderia ser feita não só com o PMDB. Morreu como factóide, já que Alcides (como se imaginava) descartou rompimento com tucanos e demistas.
No sábado, 19, a decisão final: por um voto de diferença, os delegados petistas optaram por uma aliança formal com Iris, indicando seu vice. Não satisfeita com a derrota, a ala petista derrotada começou a 'exigir' que o PMDB oficializasse a cessão da vice aos petistas e que o PT teria de estar livre para escolher seu nome. Há contradições nesse discurso.
Afinal, se essa ala queria mesmo candidatura própria, não é estranho agora querer exigir o contrário - que Iris oficialize o PT como vice? Não seria mais natural que essa ala torcesse para a aliança com o PMDB naufragar, como ocorreu em 2006?
E outra: por que essa exigência de liberdade para o PT escolher o nome? Se essa ala é mesmo contra uma aliança com Iris, o mais natural é nem lançar um nome para ser vice de Iris, correto?
Pelo menos é a lógica. Daí não fazer a mínima diferença a forma como esse "vice" vai ser escolhido. A não ser que, no fundo, a ala pró-candidatura própria agora se junte a ala que sempre quis aliança com Iris.
De todo modo, vai ficando mais do que claro que algo de estranho aconteceu durante os últimos seis meses. Quando Carlos Soares levantou a possibilidade do PT ser vice de Iris, a ala pró-candidatura própria era majoritária no início das discussões.
A expectativa era que a aliança não vingaria. Em cada etapa, no entanto, a ala irista cresceu dentro do PT. Sempre lentamente, até se tornar majoritária.
A derrota da candidatura própria é uma história que ainda precisa ser bem contada.
De duas, uma: ou o grupo pró-candidatura própria foi incompetente ao extremo ou não fez tanto esforço assim para que o PT estivesse longe de Iris.
A segunda hipótese parece improvável, está mais para alguma 'teoria da conspiração', mas não deve ser descartada.
Basta notar que o PT inteiro - inclusive vereadores que estiveram, nos últimos seis meses, contra a aliança com o PMDB na eleição - apoiou grande parte das medidas da administração Iris na Câmara de Vereadores de Goiânia.
No mínimo, é uma posição dúbia. Se esses petistas queriam enfrentar Iris em 2008, não seria mais lógico que eles tivessem feito oposição a Iris o tempo todo? São respostas que as ações do PT dirão daqui em diante. Talvez, no fundo, a ala do PT derrotada no encontro partidário esteja sendo apenas pragmática. "Se é pra se aliar com Iris, que assim seja", talvez pensem.
Afinal, o vice de Iris (se o peemedebista for reeleito, claro) tem tudo para assumir a prefeitura em 2010. E tudo que o grupo de Pedro e Marina quer é voltar ao poder. O que mostra que as alas do PT não são tão diferentes assim.
Postado por Eduardo Horácio às 20:12 de 04/05/08.
Post com 0 comentários
|
04/05/08 - Domingo
Política
O 'horror-show' do PT goiano
A tragédia de Lucélia, vítima de tortura e submetida a trabalho escravo pela madrasta Sílvia Calabresi, não tem fim. Não bastasse um empresário goiano auto-promoção em cima da menina, dando a ela uma bolsa-de-estudos (por que não oferecer a bolsa em anonimato?), o PT goiano também não perdeu a oportunidade.
No dia 19, a menina de 12 anos foi levada por uma militante pró-candidatura própria para a reunião do PT que definiria se o partido teria ou não candidato próprio. Vestiu-se a camisa do PT em Lucélia, que dizia defender o grupo pró-candidatura.
Para um grupo que sempre defendeu os direitos humanos, é um retrocesso e tanto. No mínimo, a atitude dos petistas foi um 'horror-show', como gostava de dizer o protagonista de Laranja Mecânica.
Postado por Eduardo Horácio às 21:14 de 04/05/08.
Post com 0 comentários
|
02/05/08 - Sexta-feira
Eleição 2008
Iris é favorito, mas já não é imbatível
Nos bairros centrais de Goiânia, Demóstenes já está empatado com Iris
Desde que as pesquisas eleitorais sobre a sucessão de Goiânia começaram, Iris Rezende (PMDB) sempre apareceu isolado de seus concorrentes. Nenhum adversário parecia, sequer, fazer cócegas no seu favoritismo.
De novembro (data da primeira pesquisa Grupom) até hoje, Iris cresceu ainda mais nas intenções de voto. Continua líder em todas as estratificações. Mas um nome já se consolida como adversário: o senador Demóstenes Torres (DEM).
Com a nova pesquisa do instituto, publicada na Tribuna do Planalto (clique aqui e veja os números), o favoritismo de Iris continua, mas alguns sinais de alerta devem ser observados pelo peemedebista.
Um deles: entre os eleitores formadores de opinião - que geralmente se concentram entre aqueles que têm curso superior -, Iris experimenta uma leve oscilação para baixo, enquanto Demóstenes Torres (DEM) cresce. Entre esses eleitores, o índice de Iris foi de 29,4% em novembro para 26% agora, enquanto Demóstenes subiu de 10,3% naquela oportunidade para 15,4%.
A sombra de 1998 O ano de 1998 não tem nada a ver com 2008, mas Iris começou a perder a campanha para governador de dez anos atrás exatamente no momento em que o então adversário Marconi Perillo (PSDB) cresceu entre os eleitores com curso superior.
O fenômeno pode se repetir agora? Talvez. Em 2004, Pedro Wilson cresceu no segundo turno justamente porque os formadores de opinião migraram de Iris para Pedro, mas não o suficiente para impedir o peemedebista de ser eleito.
Entre os eleitores que moram na região Central de Goiânia (onde também estão os formadores de opinião), Demóstenes cresce mais do que Iris e empata com o peemedebista. De novembro pra cá, Iris subiu de 23,6% para 29,2%, enquanto Demóstenes cresceu de 9,1% para 27,1%. Ou seja: na região Central da cidade, Demóstenes já está empatado tecnicamente com Iris. Faltando mais de cinco meses para a eleição, é um dado importante a favor de Demóstenes.
No cômputo geral, Demóstenes aparece em segundo lugar na estimulada (13,4%) e na potencialidade de votos (36,6%), quando se leva em consideração até quatro candidatos preferidos de cada eleitor pesquisado. Mais do que isso: em todos os cenários em que aparece, quaisquer que forem os candidatos, Demóstenes é sempre o segundo colocado.
Quando o eleitor é perguntado sobre o melhor nome para enfrentar Iris, o postulante do DEM aparece com 34,9% das preferências, contra 20,8% de Sandes Júnior (PP) e 18,9% de Barbosa Neto.
Demóstenes é, hoje, o nome com maior fôlego eleitoral, embora ainda distante da popularidade alcançada por Iris nas regiões periféricas da cidade. Se tiver mesmo o apoio do PSDB, como se desenha hoje, Demóstenes passa a ser o nome que de fato vai ser o contraponto a Iris na eleição deste ano. Pode até não ganhar, mas incomodará Iris na campanha.
O cuidado de Demóstenes Mas se Demóstenes for mesmo candidato, um cuidado ele deve ter. Como já observado aqui em outra oportunidade, a impopularidade crônica de Alcides Rodrigues (PP) e o desgaste de Marconi Perillo (PSDB) fazem com que o candidato centro-liberal mais forte hoje seja alguém desvinculado aos dois.
Se Marconi - e, porventura, também Alcides - passarem a apoiar ostensivamente Demóstenes na campanha, há uma chance de sua candidatura crescer em rejeição. Apoios de Marconi e Alcides terão de ser discretos, para que o candidato do DEM tenha o lado bom do apoio (a estrutura de PP e PSDB), sem pegar o lado ruim (a impopularidade de seus líderes).
O pré-candidato do PP, Sandes Júnior, que aparece com 10,3% das intenções de voto na estimulada, é um enigma.
Apesar de sua terceira colocação, tudo indica que o PP não vai lançá-lo, principalmente pelo seu fraco desempenho em 2004 quando, mesmo tendo o apoio de Alcides e Marconi Perillo (PSDB), ficou fora do segundo turno.
Só há uma chance da candidatura de Sandes vingar: se os partidos aliados decidirem que devem lançar vários nomes para tentar forçar um segundo turno.
É bom notar um dado relevante da pesquisa: não sendo candidato, os votos de Sandes tendem a ir, majoritariamente, para Demóstenes Torres e Iris Rezende.
Barbosa Neto (PSB) vai muito bem para um candidato que está completamente ausente do cenário pré-eleitoral. Está entre os menos rejeitados, aparece em quarto lugar no cenário estimulado (8,2%) e empatado em terceiro no potencial de votos (30,3%). Se não for candidato - como se especula hoje – Barbosa tende a transferir a maioria dos seus votos para Iris Rezende, segundo o levantamento do Grupom.
A pesquisa, por outro lado, esvazia a já esvaziada candidatura de Raquel Teixeira (PSDB). Abandonada por seus próprios colegas de partido, Raquel é a candidata mais rejeitada de todos os 11 nomes colocados na pesquisa estimulada. 33,4% dos eleitores goianienses dizem que jamais votariam em Raquel.
A rejeição da tucana vem da época em que denunciou Sandro Mabel (PR) no episódio do mensalão – e depois foi canibalizada por seu próprio partido – e também da rejeição crescente do goianiense ao senador Marconi Perillo (PSDB). Raquel tem sua imagem bastante vinculada a Marconi. E ele, Marconi, sofre hoje com o desgaste de ter endividado o Estado no período em que foi governador.
O cuidado que Raquel não teve, Demóstenes terá de ter daqui em diante: ter o apoio de Marconi, sem se vincular ostensivamente a ele.
Postado por Eduardo Horácio às 22:16 de 02/05/08.
Post com 0 comentários
|
05/05/08 - Segunda-feira
Futebol
Caio Jr. deixa Goiás e assume Fla
Conforme antecipado anteontem com exclusividade por este blog, Caio Júnior acaba de deixar o comando técnico do Goiás para assumir o Flamengo.
A contratação já estava acertada desde terça-feira, um dia antes do Goiás ser eliminado da Copa do Brasil e cinco dias antes da decisão do Campeonato Goiano.
O Goiás, agora, tenta a contratação de Geninho, que pode ser dispensado do Atlético-MG.
Postado por Eduardo Horácio às 11:39 de 05/05/08.
Post com 0 comentários
|
09/05/08 - Sexta-feira
Política
Procurador da República denuncia Marconi e Alcides por caixa dois
| Fonte: revista Época |
 |
Matéria principal da Época desta semana diz que o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, denuncia o senador e o governardor de Goiás por fraude na campanha eleitoral de 2006
Marconi Perillo é acusado do crime de peculato por ser suspeito de ter voado durante a campanha em aviões do governo do estado e ter utilizado policiais militares como seguranças pessoais
Marconi e Alcides Rodrigues foram os mentores e principais beneficiários de um esquema de captação ilícita de recursos, diz procurador
Provas mostram que Marconi Perillo e Alcides Rodrigues usaram servidores e bens públicos na campanha de 2006
Por Matheus Leitão e Rodrigo Rangel
Até quinze dias atrás, o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) e o governador de Goiás, Alcides Rodrigues Filho (PP), formavam uma dupla de sucesso no mundo político. Depois de governar o estado por dois mandatos, acabando com o domínio do PMDB local, Perillo elegeu-se senador, em outubro de 2006, com 75% dos votos, e ainda transformou seu vice, o então desconhecido Alcides Filho, o "Cidinho”, em seu sucessor no governo.
Na manhã de 28 de março, o Ministério Público Federal finalizou uma denúncia devastadora contra os dois. Num processo que tramita em segredo de Justiça, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, denunciou os políticos ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, caixa dois, uso da máquina pública e utilização de notas frias e laranjas para fraudar a eleição de 2006. Se for aceita pelo plenário do STF, a denúncia vai desafinar o sucesso da dupla goiana.
No documento de 16 páginas, ao qual ÉPOCA teve acesso com exclusividade, o procurador-geral descreve uma investigação da Polícia Federal que produziu cinco CDs com escutas telefônicas de uma dezena de pessoas, relacionadas em seis volumes. A denúncia foi distribuída ao ministro Ricardo Lewandowsky, que será o relator no plenário do STF. Por meio das escutas, a Polícia Federal detectou um esquema para transferir recursos da campanha de Cidinho para a de Perillo, e depois tentar encobrir essa manobra ilegal por meio de notas frias.
As acusações mais graves são contra Perillo, suspeito de ter voado durante a campanha em aviões do governo do estado e ter utilizado policiais militares como seguranças pessoais. Por isso, o senador é acusado do crime de peculato (apropriação ilegal de recursos públicos), com pena de até 12 anos de prisão.
“O senador Marconi Perillo e o governador de Goiás, Alcides Rodrigues, foram os mentores e principais beneficiários de um esquema de captação ilícita de recursos, utilização de notas frias, pagamentos de despesa de campanha por meio de 'laranjas' e outras fraudes eleitorais”, escreveu o procurador-geral Antonio Fernando. O advogado de Perillo, Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, diz que o procurador errou ao basear a denúncia nas escutas telefônicas sem ter ouvido antes os dois políticos. “Só lamento que eu não tenha sido ouvido pelo Ministério Público, porque já teria esclarecido o que fosse necessário”, afirmou Marconi Perillo, por meio de sua assessoria.
“Estou absolutamente tranqüilo porque chequei, rechequei e fui muito exigente com a minha prestação de contas”, disse o senador. De acordo com a defesa, Perillo utilizou apenas aviões particulares na campanha. ÉPOCA procurou a assessoria e os advogados do governador Rodrigues, mas não obteve comentários sobre a denúncia até a noite desta quinta.
Os detalhes da denúncia Em tópicos, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, listou as supostas fraudes na campanha:
1 - Constatou-se adulteração de contratos de carros de som. Para o procurador-geral, houve fraude na alteração dos contratos de aluguéis desses veículos nas campanhas de Alcides e Perillo. Com a ajuda de Waldete Faleiros, contadora do diretório estadual do PSDB em Goiás, notas fiscais de gastos de Perillo com carros de som foram alteradas para a campanha de Alcides para justificar um erro logístico percebido no fim da eleição: não havia sido contabilizada legalmente nas contas de Perillo nenhuma doação para esse tipo de serviço.
2 - Utilização de caixa 2 por meio da Multcooper, uma empresa de serviços especializados, responsável pelo pagamento de funcionários dos dois candidatos. Para o Ministério Público, a prestação de contas mostrou que havia um contrato entre as duas campanhas e a Multcooper no valor de R$ 711 mil. Cada candidato deveria pagar metade, cerca de R$ 355 mil. Entretanto, Marconi declarou à Justiça Eleitoral o pagamento de uma única parcela de R$ 416 mil, R$ 60 mil acima, o que seria indício de caixa 2. Há também o depoimento de um prestador de serviços da empresa, Vasco Melo Santos Camargo Junior, que recebeu o pagamento pelo seu serviço em dinheiro vivo, sem recibo ou contrato. As notas fiscais apreendidas da campanha de Alcides também mostram pagamento de R$ 600 mil a uma empresa chamada Cantagalo Comunicação Ltda. A despeito do alto valor, não existe esse pagamento na prestação de contas à Justiça.
3 - Utilização de notas frias - O procurador-geral Antonio Fernando acusa os dois candidatos de apresentarem uma série de notas frias para justificar gastos de campanha. Cabia à Waldete Faleiros contatar empresas para “regularizar” contas de campanha. Em uma interceptação telefônica feita pela Policia Federal, no dia 18 de dezembro de 2006, Waldete consegue realizar a fraude com o presidente da Multicooper, Genaro Herculano, de acordo com o MP.
Waldete - Eu preciso fazer uma operação em nome do PSDB, no valor de quinze mil, é possível? Genaro - O que você precisa de mim? Waldete - Uai, eu preciso de uma nota... e descontar o cheque. Genaro - Tá, e os impostos, como é que você faz? Waldete - Pois é, quanto que seria? Genaro - Dá 16.33 Waldete - Bom, eu queria assim... na realidade são trinta, entendeu? Mas eu tava precisando fracionar. Genaro - Mas o que é que seria? O que a gente vai colocar? Waldete - Pois é, aí poderia ser locação de veículo. Genaro - É, locação de veículo dá, porque eu tenho muito veículo. Waldete - Eu só quero saber assim... como é que eu faço... Se você deposita o dinheiro e devolve... Genaro - Faz igual aquele dia... Você traz o cheque e ela te devolve em dinheiro. Te devolve em dinheiro pra não ter problema.
Na mesma investigação, o procurador-geral aponta Lúcio Fiúza, administrador financeiro da campanha de Marconi, como seu cúmplice e homem de total confiança. Waldete liga para Fiúza no dia 20 de dezembro de 2006 para consultá-lo sobre notas frias de uma outra empresa, a Promix. Antonio Fernando afirma que fica “evidente” a participação de Marconi Perillo.
Waldete - Deixa eu falar com o senhor. Eu tô tendo dificuldade para conseguir aquele documento. Lúcio - Hum. Waldete - Mas me ocorreu uma idéia, vamos ver se o senhor concorda. É o Reinaldo (da Promix), ele tem um saldo devedor contábil lá no diretório. Eu não poderia... desfazer pra ele e ele...? Lúcio - Uai... Eu não sei como é a confiabilidade, né? Waldete - Pois é, foi por isso que eu te liguei. Lúcio - Vamos pensar mais um pouco... Continua pensando por enquanto... Até eu pegar uma luz com o chefe. Waldete - Tá. Porque aí não precisa nem nota entendeu? Só recibo.
4 - Ocultação de provas - Na denúncia do Ministério Público existe ainda a acusação de ocultação de provas contra Marconi Perillo, Waldete Faleiros e Lúcio Fiúza. Os diálogos interceptados no período de 8 e 12 de dezembro de 2006 mostram, de acordo com o MP, que os denunciados tiraram provas do comitê, a fim de obstruir investigação eleitoral. As provas teriam sido levadas para a casa de Marconi.
No dia 8 de dezembro, Waldete orienta Rodrigo, funcionários de um dos comitês, a esconder documentos e computadores.
Waldete - Agora que eu vi que tinha duas chamadas aqui. Pois é, era pra você sair daí, tirar o notebook, tirar os documentos... Rodrigo - Deixa eu te falar, eles chegou de supetão, eles pegou os documentos do PSDB, viu. Waldete - Pegou tudo? Rodrigo - Pegou. Waldete - Ai, meu Deus.
Mais tarde, no mesmo dia, Waldete conversa com Lúcio.
Lúcio - Por que só levaram computador?! Waldete - Não. Levaram a documentação toda e os computadores. Lúcio - A nossa documentação também? Waldete - Não, a nossa tá comigo. Lúcio - Tá certo. Deixa bem guardado, hein? Não tinha nenhum papel, nenhum rascunho. Waldete - Não Dr. Lúcio, não tinha nada assim que comprometesse, a não ser por muita falta de sorte.
Interceptação do dia 3 de janeiro de 2007, escreve Antonio Fernando, revela que parte dos documentos subtraídos, inicialmente guardado em um cofre no Palácio das Esmeraldas, foi levado para a casa de Marconi Perillo.
5 - Uso da máquina pública - As provas colhidas durante a investigação, afirma o MP, revelam que Marconi Perillo e Alcides Rodrigues usaram servidores e bens públicos na campanha de 2006. De acordo com a investigação da Policia Federal, os seguranças usados nas campanhas eram policiais militares estaduais durante o horário do expediente.
No dia 2 de janeiro, uma interceptação telefônica entre Marconi Perillo e Lúcio Fiúza é resumida na denúncia. “Marconi avisa a Lúcio que pagou os funcionários da Fazenda e os seguranças, faltando agora o valor do salário dos sargentos que ele não sabe, diz que os sargentos vieram com uma conversa de ser 700,00, mas ele acha que é menos pois eles estão recebendo uma parte do governo”.
Além do processo no STF, o governador e o senador devem responder a ação por crime eleitoral, provocada pelo Ministério Público Eleitoral. Nesse caso, se forem condenados, podem perder o mandato.
Leia mais na revista Época desta semana
Postado por Eduardo Horácio às 16:50 de 09/05/08.
Post com 1 comentários
|
10/05/08 - Sábado
Política
Pegaram Perillo
Por Juca Kfouri
Quando governador de Goiás, Marconi Perillo tantas fez que Jorge Kajuru abandonou sua emissora de rádio, a Rádio K do Brasil, que liderava audiência em Goiânia, e voltou para São Paulo, onde acabou por se deprimir e ficar gravemente doente.
Perillo processava Kajuru a cada espirro que ele desse. E ele espirrava muito...
Em alguns processos, Kajuru até foi condenado, o que só agravou sua situação psicológica, hoje em recuperação.
Pois leia o que a revista "Época" conta sobre o ex-governador e atual senador tucano na edição que está chegando às bancas:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG83588-9295-520,00-MP+DENUNCIA+PERILLO+E+ALCIDES+POR+CAIXA+DOIS.html
Postado por Eduardo Horácio às 05:38 de 10/05/08.
Post com 0 comentários
|
10/05/08 - Sábado
Política
Marconi preocupado com Meirelles
O Correio Braziliense trouxe na edição de ontem, dia 9, uma matéria que diz que Henrique Meirelles já avisou a Lula que deixará o Banco Central para ser candidato a governador em Goiás em 2010 - provavelmente pelo PRB, partido de José Alencar, segundo está na matéria.
Até aí, nada anormal.
A novidade mesmo é essa matéria ter ido parar, na íntegra, no sítio do senador Marconi Perillo (PSDB) na internet. Marconi que, como todos sabem, também é candidato a governador daqui a dois anos.
Ou seja: os boatos de que Marconi se preocupa 24 horas por dia com Meirelles são mesmo verdadeiros.
Para ler a matéria sobre Meirelles no sítio de Marconi na internet, clique aqui.
Postado por Eduardo Horácio às 05:46 de 10/05/08.
Post com 0 comentários
|
11/05/08 - Domingo
Política
Iris repete maio de 68
Popularidade de peemedebista é a mesma de 40 anos atrás, quando foi prefeito de Goiânia pela primeira vez
A popularidade de Iris Rezende é a maior prova de que o mítico maio de 68 não acabou. Exatos 40 anos atrás, Iris Rezende era prefeito de Goiânia e, mais do que isso, gozava de imensa popularidade. Era um dos prefeitos mais populares do País, como inclusive registrou a revista Realidade.
Além disso, era o candidato mais forte para a eleição para governador que ocorreria dois anos depois (em 1970).
Todos os dados acima, retirados de 1968, são reais e - coincidência histórica - repetem-se agora. A julgar pelos dados da pesquisa Grupom (publicada há duas semanas na Tribuna do Planalto) e agora da pesquisa Fortiori (na edição desta semana da Tribuna), o Iris de 2008 copia o Iris de 1968.
É altamente popular (71,6% de aprovação) e forte candidato na próxima eleição a governador. Alcançou popularidade principalmente com obras físicas (agora e também em 68), enfocando a pavimentação asfáltica.
Se Iris não mudou de 1968 para 2008, o goianiense parece também não ter mudado.
Os problemas que vê hoje na cidade são parecidos com aqueles vistos quarenta anos atrás. As obras físicas (e não tanto os serviços, como defende, por exemplo, Nion Albernaz – que era secretário das finanças de Iris em 1968) ainda seduzem o goianiense.
O voluntarismo, a intuição e o amadorismo ainda funcionam para determinar o sucesso de uma administração, pelo menos aos olhos do eleitor de Goiânia.
Os números mostram o massacre de Iris. Na pesquisa espontânea (que mostra a consolidação de candidaturas), Iris está quase 34 pontos à frente do segundo colocado.
Seu potencial de voto é superior a 70%, enquanto o segundo colocado (Demóstenes Torres, do DEM), só vai até 33,6%.
No cenário da pesquisa estimulada que tem nove candidatos, Iris tem 57,3% contra 12,4% de Demóstenes, novamente segundo colocado.
Iris também lidera em todas as clivagens.
Ganha em todas as escolaridades, em todas as idades (é muito forte entre os eleitores mais jovens, com mais de 56% das intenções de voto), nos dois sexos (embora esteja um pouco pior entre as mulheres), em todas as rendas (com pequena queda entre os mais ricos) e em todas as zonas eleitorais (na 147ª zona, quase alcança 70%).
Há algo que, hoje, impeça Iris de ser reeleito? No atual momento de pré-campanha, é difícil de visualizar.
Na campanha, no entanto, muita coisa sempre acontece. O único nome, hoje, que pode ameaçar Iris (na visão particular deste colunista) é Demóstenes Torres. Mesmo sem se apresentar como candidato, Demóstenes está consolidado na segunda posição, representando talvez o único nome anti-Iris da campanha.
Nos poucos momentos em que o massacre de Iris não é tão forte, quem se sobressai é o possível candidato do DEM.
Num cenário da pesquisa Fortiori com apenas três candidatos (Iris, Demóstenes e Martiniano Cavalcante), Demóstenes consegue atrair grande parte dos votos dos outros candidatos retirados do cenário.
Exemplo: na 1ª zona eleitoral, a diferença entre Iris e Demóstenes é de "apenas" 14 pontos porcentuais.
Entre eleitores com curso superior (em tese, os formadores de opinião), Demóstenes alcança 24,7% contra 62,4% de Iris.
O possível candidato do DEM ainda estaria, hoje, distante do sonho de uma vitória mas, se for anunciado candidato, deve crescer mais um pouco. Se tiver uma boa estrutura e um bom tempo de televisão (daí precisar de um partido como PP ou PSDB na aliança), pode crescer ainda mais.
Independente de Demóstenes ser ou não o nome ideal da oposição a Iris, o fato é que os demais candidatos vão de mal a pior.
Raquel Teixeira (PSDB) está mesmo líder em rejeição. Repetindo índices do Grupom, o Fortiori aponta que espantosos 30,7% dos eleitores não votariam nela.
Iris Rezende, por sua vez, é o menos rejeitado: apenas 9,3% dos eleitores pesquisados pelo Fortiori dizem que não votariam no peemedebista em hipótese alguma.
No cenário com nove candidatos, Sandes Júnior (PP) aparece em terceiro lugar, com 8,3% dos votos. Entre os eleitores com curso superior, Sandes não passa de 4,7%.
É um candidato com potencial fraco, mas, com a divisão da base aliada, tem boas chances de acabar sendo candidato pelo partido do governador.
Com a candidatura adormecida, Barbosa Neto (PSB) está em quarto lugar, com 6,2%.
Se estivesse levando sua candidatura a sério, Barbosa certamente teria índices melhores. Como se boicotou, logo poderá ser ultrapassado até mesmo por Raquel Teixeira, que é quinta colocada.
Representante de alguns dos ideais da esquerda de 68, o candidato do Psol, Martiniano Cavalcante, está na sétima posição com 0,2%. É quase impossível Martiniano vencer a eleição, até pela falta de estrutura de seu partido.
Mas tem tudo para crescer. Afinal, já que o PT não tem candidato próprio, ele tende a angariar grande parte dos votos dos eleitores de esquerda. Martiniano promete também um discurso agressivo contra a administração de Iris Rezende. Terá, ainda, a presença da ex-senadora Heloísa Helena (Psol) nos comícios e nos programas de televisão.
Clique aqui e veja os números da pesquisa Fortiori/Tribuna do Planalto
Postado por Eduardo Horácio às 17:12 de 11/05/08.
Post com 0 comentários
|
12/05/08 - Segunda-feira
Política
Perillo responderá ao 4º inquérito
Ex-prefeito de Itapaci acusa Perillo de cobrar propina para liberar verbas
Perillo poderá ser denunciado por corrupção passiva, cuja pena máxima é de 12 anos de prisão
Em outro processo federal, revelado pela revista Época, senador também é acusado de formação de quadrilha, peculato, crime eleitoral, fraude contábil e ocultação de provas
Felipe Recondo No Estadão de hoje
Um novo inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), aberto a pedido do Ministério Público na última quinta-feira, fechou uma semana repleta de problemas para o senador Marconi Perillo (PSDB-GO). Ele agora será investigado pela acusação de ter cobrado propina para ajudar na liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a Prefeitura de Itapaci (GO).
O suposto envolvimento de Perillo data de 1996, quando ele era deputado federal. De acordo com depoimento prestado ao Ministério Público de Goiás, o ex-prefeito de Itapaci Francisco Agra Alencar disse que Perillo o chamou a Brasília e impôs, para que ajudasse a liberar recursos do FNDE, o pagamento de propina equivalente a 20% do valor reservado para a construção de uma escola no município.
O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2004, mas por decisão dos ministros foi encaminhado ao Supremo, que só começou a examinar o tema no ano passado.
Na quinta-feira, o Ministério Público pediu que um inquérito fosse aberto para investigar o assunto e determinou que o senador seja convidado para prestar depoimento e que o Banco Sudameris, onde a propina teria sido paga, investigue se algum pagamento foi feito em seu nome.
Caso haja indícios suficientes, já adiantou o Ministério Público, Perillo poderá ser denunciado por corrupção passiva, cuja pena máxima é de 12 anos de prisão.
Foi o último capítulo de uma semana que começou no depoimento da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Comissão de Infra-Estrutura do Senado, presidida por Perillo. O senador foi um dos artífices da estratégia que culminou na convocação de Dilma para tratar do dossiê com gastos do cartão corporativo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Viu o senador José Agripino (DEM-RN), numa pergunta desastrada sobre a tortura sofrida pela ministra durante a ditadura, levantar a bola para Dilma.
Depois, veio a público a denúncia de 16 páginas encaminhada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ao Supremo.
No documento, Marconi Perillo é acusado de formação de quadrilha, peculato, crime eleitoral, fraude contábil e ocultação de provas.
De acordo com o Ministério Público, durante a campanha de 2006, Perillo e Alcides Rodrigues (PP), atual governador de Goiás, teriam montado "um esquema de captação ilícita de recursos, utilização de notas fiscais frias, pagamento de despesas de campanha por meio de laranjas e outras fraudes eleitorais". Além disso, os dois teriam usado servidores públicos, em horário normal de expediente, como cabos eleitorais.
Além desses casos, há outros três inquéritos contra o senador em tramitação no Supremo. Nenhum deles está próximo de ser concluído.
Perillo ainda tem seis anos e meio de mandato a cumprir.
Clique aqui e leia a matéria no sítio do Estadão na internet
Postado por Eduardo Horácio às 11:42 de 12/05/08.
Post com 1 comentários
|
15/05/08 - Quinta-feira
Revista Época
Novas gravações comprometem Marconi
| Reprodução |
 |
Procurador-Geral da República investiga se houve tráfico de influência em conversa telefônica entre Marconi Perillo e desembargadora que assume TRE de Goiás. Conversa foi gravada pela Polícia Federal. ÉPOCA teve acesso exclusivo à transcrição do diálogo
MATHEUS LEITÃO E RODRIGO RANGEL Da Revista Época
Semana passada, ÉPOCA trouxe a público uma denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, contra o senador Marconi Perillo (PSDB) e o governador de Goiás, Alcides Rodrigues (PP). Num processo que corre em segredo de justiça no Supremo Tribunal Federal, o procurador denunciou a dupla goiana pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, caixa dois, exploração da máquina pública na campanha e uso de notas frias e laranjas para fraudar a prestação de contas na eleição de 2006.
Agora, ÉPOCA revela com exclusividade que há mais do que isso na investigação que embasou a peça acusatória. Dentre os documentos enviados ao Ministério Público pela Polícia Federal, há novas gravações telefônicas com potencial de enredar o senador tucano em outros processos. Uma delas, em especial, levou o procurador-geral a pedir abertura de novo inquérito contra Perillo, pelo crime de tráfico de influência. Trata-se de um comprometedor diálogo com a desembargadora Beatriz Figueiredo Franco, do Tribunal de Justiça de Goiás, que nesta sexta-feira (16) assume a presidência do Tribunal Regional Eleitoral do estado e, a partir do posto, vai comandar as eleições goianas deste ano.
Na conversa, Marconi Perillo tenta conduzir uma decisão da desembargadora num processo envolvendo a prefeitura de Itumbiara, município do interior administrado por um aliado seu. A magistrada, escolhida desembargadora pelo próprio Perillo, demonstra presteza. "O interesse é conceder ou negar a liminar?", pergunta Beatriz. Ela se nega a ser tratada com deferência. "Que vossa excelência, o quê", diz. O diálogo foi gravado no final de dezembro de 2006. Marconi havia deixado o governo nove meses antes para se dedicar à campanha ao Senado. A seguir, a conversa:
"DESEMBARGADORA: Alô. MARCONI: DESEMBARGADORA tudo bem? MARCONI: Ohh, ta entrando hoje uma rescisória com pedido de liminar, contra a PREFEITURA DE ITUMBIARA. DESEMBARGADORA: Contra a prefeitura? MARCONI: É, então ta entrando, e parece que foi distribuído para Vossa Excelência. DESEMBARGADORA: Que Vossa Excelência o que? O problema é o seguinte, o interesse é conceder ou negar a liminar? Contra né? MARCONI: Negar. Negar. DESEMBARGADORA: O problema é que eu tô de férias em janeiro, se foi distribuído hoje, eu vou ligar para o assessor, pois eles estão trabalhando hoje e amanhã. MARCONI: Já foi distribuído. DESEMBARGADORA: Pois é, então pegar e negar, porque se não vai pro presidente MARCONI: A senhora quer anotar o número do processo. DESEMBARGADORA: Quero.Eu vou ser presidente dessa Câmara, a Segunda Seção Cívil. MARCONI: Já ta na mão da senhora, já ta distribuído. DESEMBARGADORA: Pois é, é da Segunda Seção Cível, ou é do Órgão Especial. MARCONI: Órgão Especial ou Seção Cível? (parece estar perguntando para outra pessoa) MARCONI: Seção Civil, viu. DESEMBARGADORA: Ah tá, é melhor, pois é, porque eu que vou ser presidente, mas como eu tô em festa de férias, aí fica sendo o DESEMBARGADOR FELIPE, e aí vai pra ele despachar então. MARCONI: A senhora tem que resolver hoje. DESEMBARGADORA: É melhor, é. MARCONI: A senhora quer anotar o número?"
A proximidade entre a desembargadora e o hoje senador Marconi Perillo vai além do fato dele tê-la nomeado para o cargo. Beatriz Figueiredo é casada com o padrinho de batismo de Perillo, Marcos Laveran, que também foi flagrado nas escutas telefônicas. Antes de passar o telefone para a desembargadora, o padrinho ouviu uma prévia do pedido. Laveran trabalhou como funcionário do gabinete da mulher até a resolução que pôs fim ao nepotismo nas repartições do Judiciário. Na transcrição, o nome dele foi reproduzido pelos agentes federais como Laverã.
"DR. MARCOS LAVERÃ: Tá na mão de quem? MARCONI: Tá na mão aí. DR MARCOS LAVERÃ: Oi? MARCONI: Ta na mão, ta na sua mão aí. Ta nas mãos da desembargadora. DR MARCOS LAVERÃ: Tá bom. MARCONI: Você quer anotar o número? DR MARCOS LAVERÃ: Quero, você quer falar direto com ela ou não? MARCONI: Ela ta aí perto do Sr? DR MARCOS LAVERÃ: Tá. MARCONI: Não eu prefiro... aé, eu falo com ela então. (parece estar meio contrariado) DR MARCOS LAVERÃ: Não, você que manda. MARCONI: Não, é porque eu não queria... bom, tudo bem eu falo. DR MARCOS LAVERÃ: Sabe o que que é? MARCONI: Ahhh. DR MARCOS LAVERÃ: Porque hoje não deve ter nada, por que ela vai viajar daqui a pouquinho. MARCONI: Foi distribuído hoje uma liminar para ela. DR MARCOS LAVERÃ: Não, então tem que conversar com ela aqui mesmo. MARCONI: Deixa eu falar com ela então DR MARCOS LAVERÃ: Por que ela vai viajar daqui a pouco. MARCONI: Ela vai para onde chefe? DR MARCOS LAVERÃ: Ela vai pra Aparecida. MARCONI: Ah então tá bom.
(...) conversa sem interesse para investigação
DR MARCOS LAVERÃ: Eu acho que é melhor conversar com ela agora, porque aí qualquer coisa que precisar ela passa pra mim, eu to aqui junto, aqui."
Itumbiara é um município de 86 mil habitantes localizado no sul de Goiás. A ação rescisória que motivou o pedido de Perillo à desembargadora faz parte de uma intensa guerra judicial travada por mais de 40 municípios goianos, entre eles a capital Goiânia, contra a Prefeitura de Itumbiara. O pano de fundo dessa briga é o rateio da parcela do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços, o ICMS, distribuído pelo estado aos municípios. Goiânia e as demais prefeituras, dentre as quais a de Montividiu, queriam reverter uma decisão anterior, do próprio Tribunal de Justiça, que havia aumentado o valor da parcela destinada a Itumbiara.
Desde o começo, a tramitação do processo foi turbulenta. Passou por outros gabinetes do tribunal, cujos titulares acabaram afastados do caso por razões processuais. No fim de dezembro de 2006, a ação foi finalmente redistribuída e caiu nas mãos da desembargadora Beatriz. Foi quando Perillo entrou em cena para pedir o "favor". O pedido foi atendido prontamente. Se passaram menos de 48 horas entre a ligação do senador e o despacho da magistrada. Em 28 de dezembro, antes de entrar de férias, ela negou a liminar. Exatamente como solicitou Marconi Perillo.
Não era uma decisão qualquer. Ao negar a liminar, a desembargadora abriu caminho para que Itumbiara continuasse a receber sua parcela extra no rateio do ICMS. Os valores ultrapassam R$ 30 milhões. Parte foi destinada a escritórios particulares de advocacia que defendiam os interesses da prefeitura.
O caso, a exemplo da denúncia revelada por ÉPOCA semana passada, está sob a mesa do ministro Ricardo Lewandowski, do STF. O grampo telefônico feito no telefone celular de Perillo, com autorização judicial, é parte da Operação Voto da Polícia Federal. O procurador-geral da República também pede que Marconi seja investigado por irregularidades na Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop). A suspeita surgiu, também, das gravações telefônicas feitas pela PF. A missão dos agentes era investigar denúncias de crimes eleitorais supostamente praticados pelo grupo político de Marconi. O tucano, após dois mandatos consecutivos de governador, era candidato ao Senado. E, para sucedê-lo, apoiava o seu vice, Alcides Rodrigues Filho. A alta popularidade de Marconi serviu não apenas para elegê-lo senador como para alçar o inexpressivo Alcides ao comando do estado. A eleição se deu sob inúmeras denúncias de uso da máquina pública em favor da dupla.
A conduta da desembargadora Beatriz Figueiredo também está sob análise do Ministério Público, que examina a possibilidade de pedir o afastamento imediato da magistrada. Procuradores também pretendem processá-la em Brasília perante o Conselho Nacional de Justiça, órgão criado para fazer o chamado controle externo do Poder Judiciário. Para ela, é uma inusitada inversão de papel. Até a cerimônia em que será empossada presidente do TRE de Goiás, nesta sexta, ela comanda a Corregedoria do tribunal. Lá, ironicamente, sua incumbência era justamente fiscalizar a conduta dos juízes eleitorais goianos.
Marconi Perillo não foi localizado para falar sobre o caso. Seu advogado, Antonio Carlos "Kakay" Almeida Castro, disse que o senador está em viagem à África. Castro afirmou que não há na conversa nada que caracterize tráfico de influência. "O senador não fez nada errado. Trata-se de um pedido legítimo feito por um homem público".
ÉPOCA também procurou a desembargadora Beatriz Figueiredo. Na quarta-feira, uma funcionária do gabinete informou que ela atenderia no dia seguinte. Nesta quinta-feira, porém, a mesma funcionária afirmou que magistrada não poderia atender "nem hoje nem amanhã". Marcos Laveran não foi localizado.
Perillo nomeou Beatriz Figueiredo como desembargadora no ano 2000, em vaga destinada a membros do Ministério Público (ela era procuradora de justiça até então). A relação próxima entre os dois, porém, não foi a única a chamar atenção dos agentes federais no curso da apuração.
A explicação para o empenho de Perillo em defesa dos interesses do município de Itumbiara está no tabuleiro da política goiana. Na mesma semana em que telefonou para a desembargadora, Perillo estava terminando de negociar uma aliança com o prefeito da cidade, José Gomes da Rocha. À época, Gomes era filiado ao PMDB, partido de alguns dos maiores rivais do senador tucano em Goiás. Perillo estava empenhado em levá-lo para um dos partidos que compunham seu arco de alianças. Em troca, conforme registraram os jornais locais à época, chegou a prometer ao prefeito a vaga de vice caso venha a concorrer novamente ao governo goiano em 2010. Agora, isso depende dele sobreviver politicamente a mais essa investigação.
Clique aqui e leia trechos da denúncia contra Marconi
Clique aqui e veja como a desembargadora Beatriz Figueiredo negou a liminar, conforme pedido de Perillo
Clique aqui e veja a matéria, que já está no sítio da revista Época na internet
Postado por Eduardo Horácio às 20:10 de 15/05/08.
Post com 5 comentários
|
19/05/08 - Segunda-feira
Política
Pingo é letra
A direção regional do PSDB de Goiás divulgou nota hoje em que diz que são “corriqueiros” telefonemas do senador Marconi Perillo (desde quando era governador) para a desembargadora Beatriz Figueiredo Franco, sempre fazendo pedidos.
A nota era para apoiar Marconi Perillo, claro, mas acaba provando que as relações entre ambos foram pouco republicanas.
Mas, ao chamar de "corriqueiros", a nota também tem a função de ser uma espécie de "habeas corpus preventivo" contra novas gravações que podem aparecer.
Postado por Eduardo Horácio às 23:01 de 19/05/08.
Post com 0 comentários
|
20/05/08 - Terça-feira
Política
Psol vai denunciar Marconi Perillo ao Conselho de Ética do Senado
Assessoria do senador, acusado de tráfico de influência, diz que ele apenas "defendia uma causa pública” e que, se necessário, faria tudo de novo
Eduardo Militão Do Congresso em Foco
O Psol vai fazer mais uma representação contra um parlamentar nos próximos dias. O partido vai denunciar o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) ao Conselho de Ética do Senado por conta dos grampos telefônicos em que ele é flagrado pedindo para uma desembargadora negar liminar que contrariava os interesses de um município controlado por seu aliado. A liminar foi negada pela magistrada, conforme pediu o tucano.
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) justifica por que sua legenda vai representar contra Marconi Perillo e contra o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), citado em grampos da Operação Santa Tereza, da Polícia Federal. “São situações muito graves e o partido tem a obrigação de fazer as representações”, afirmou ele ao Congresso em Foco, na noite de ontem (dia 19).
Chico diz que o partido pretende ingressar com a denúncia contra o tucano amanhã (dia 21), juntamente com a denúncia contra Paulinho, mas admite deixar a representação para a semana que vem para embasar melhor a acusação. “Estamos recebendo documentos do Ministério Público sobre o caso dele. A nossa assessoria jurídica está estudando”, afirmou.
O presidente do Conselho de Ética do Senado, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), não foi localizado pela reportagem, mas seus auxiliares disseram que a pauta do colegiado está livre. “Há apenas documentos, outros expedientes, denúncias anônimas”, comentaram.
Prefeito aliado Segundo transcrições de um grampo telefônico feito pela PF e transcrito pela revista Época, Perillo telefonou, em dezembro de 2006, para a desembargadora Beatriz Figueiredo Franco. Ele avisa que uma ação contra a prefeitura de Itumbiara, dirigida pelo aliado político José Gomes da Rocha, tinha sido distribuída para o gabinete da magistrada. Antes de explicar, ele é interrompido pela desembargadora, que ontem (dia 19) assumiu o cargo de presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás.
“O problema é o seguinte, o interesse é conceder ou negar a liminar? Contra, né?”, questiona Beatriz. “Negar. Negar”, responde Perillo, segundo a transcrição dos diálogos.
A liminar contra o município foi rejeitada depois da conversa. Em jogo, estava uma partilha de impostos que garantiria a Itumbiara uma receita extra de R$ 30 milhões, segundo Época. A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu a abertura de inquérito sobre o caso.
Só manchetes A assessoria do senador goiano desqualificou a futura representação do partido de Chico Alencar: “O Psol vive dessas denúncias, que rendem notícias e manchetes, mas não prosperam”. Os auxiliares do tucano lembram que os fatos aconteceram antes de o parlamentar assumir seu mandato, o que impediria o Conselho de apurar os fatos.
Os assessores do senador argumentam que a conversa não registra nada de antiético ou de ilegal, como um suposto tráfico de influência. “O senador não pediu para favorecer uma pessoa, mas uma cidade de 70 mil habitantes. Ele estava defendendo uma causa pública. Ele fez isso e vai continuar fazendo.”
A assessoria de Perillo diz que ele não pode ser acusado de tráfico de influência porque a lei diz que isso significa obter vantagens valendo-se dos cargos ocupados. A conversa ocorreu em dezembro de 2006, dois meses depois de ele ter sido eleito senador e quando já estava fora do governo de Goiás. “O Marconi Perillo era um 'ninguém'”, afirmou a assessoria.
Clique aqui e veja mais no sítio do Congresso em Foco na web
Postado por Eduardo Horácio às 22:57 de 20/05/08.
Post com 0 comentários
|
21/05/08 - Quarta-feira
Política
Os pré-julgadores
No texto desse blog que reproduz a matéria da revista Época, o leitor do blog Aparecido de Carvalho deixou o seguinte comentário: "Os pré-julgadores do senador Marconi Perillo devem ser gênios jurídicos, para condenarem-no antes mesmo de o Poder Judiciário se manifestar de forma oficial e definitiva. Professores universitários de Direito e juristas isentos, são muito claros ao dizer que não há nenhum crime na conduta do senador Marconi, mas uma tentativa de usar uma investigação e denúncia, como prova de crime que, provavelmente, não será aceita pelo Supremo Tribunal Federal. Resumo da ópera: antes de alguns asnos soltarem seus urros publicamente, é necessário que tenham o mínimo de conhecimento do assunto, para não acharem apenas seus iguais para roçar-lhes a pele."
A pergunta (minha): quem é que já pré-julgou o senador Marconi Perillo?
Que eu tenha visto, ninguém, principalmente na imprensa goiana.
Ao contrário: Marconi anda tendo (com justiça) muito espaço para se defender.
Mas não dá - não dá mesmo - para esconder uma denúncia feita pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza.
E o que não dá também é ver Marconi Perillo dizendo-se perseguido pelo governo federal por ter convocado a ministra Dilma Roussef.
Até porque as gravações telefônicas até agora reveladas pela Polícia Federal são de 2006, quando nem havia denúncias contra a Dilma. E Marconi nem era ainda senador...
Postado por Eduardo Horácio às 01:00 de 21/05/08.
Post com 6 comentários
|
24/05/08 - Sábado
Eleições 2008
Frei Valdair é o fantasma de Otoni
Em Anápolis, situação de Rubens Otoni (PT) é boa, mas candidato do PTB assusta
Em princípio, o cenário da eleição de Anápolis em 2008 parece ser semelhante ao das duas eleições anteriores, quando Rubens Otoni (PT) saiu na frente nas pesquisas e lutou, durante a campanha, contra o anti-petismo de Anápolis. Em 2004, Pedro Sahium (PSB) acabou sendo reeleito. Em 2000, foi Ernani de Paula (então no PPS) que venceu. Nas duas eleições, Onaide Santillo (PMDB) largou bem, mas foi perdendo fôlego ao longo da campanha.
De fato há semelhanças, mas há também diferenças significativas.
No campo das semelhanças, quem pode ser o Ernani (ou o Pedro Sahium) da vez é Frei Valdair (PTB). Sua candidatura aparece bem na primeira pesquisa Grupom sobre a sucessão em Anápolis, divulgada nesta edição da Tribuna do Planalto.
Em um cenário estimulado com 13 candidatos, figura em segundo lugar, com 19,4%, em empate com Onaide Santillo (PMDB), que tem 19,2%. O líder é Rubens Otoni, com 23,4%.
Frei Valdair, o mais provável anti-Otoni da vez, não é bem uma novidade. Quatro anos atrás, quando foi candidato pelo PFL (hoje DEM), quase tirou Rubens Otoni do segundo turno.
Crescendo bastante na última semana, ele obteve 21% dos votos, apenas 5 pontos porcentuais a menos que o petista.
Agora, em 2008, o grande ponto forte de Frei Valdair é ser pouco rejeitado.
Como o PMDB não deve lançar Onaide para indicar o vice de Otoni (mesmo que isso não aconteça, Onaide não costuma mesmo ter fôlego para crescer), o único candidato forte que sobra para enfrentar Otoni é o petebista.
No cenário em que Onaide não é candidata, Rubens Otoni vai a 34,3%, enquanto Frei Valdair sobe para 27,6%. O candidato mais próximo dos dois é Ridoval Chiareloto (PSDB), com 9% das intenções de voto.
Anti-petismo? Apesar de já ter perdido a eleição em Anápolis por três vezes, a situação de Otoni nunca esteve tão boa.
É verdade que Anápolis sempre teve um sentimento anti-PT muito forte.
Tanto que, em 2002 e 2006, a cidade foi uma das poucas de Goiás que em que José Serra (2002) e Geraldo Alckmin (2006) derrotaram Lula no primeiro e segundo turnos.
Agora, a situação é um pouco diferente. Na mesma pesquisa Grupom, 64,9% dos anapolinos aprovam o presidente Lula, sendo que 50,2% dos eleitores consideram sua administração "boa", enquanto apenas 10% acham "péssima" e 9% classificam como "ruim".
Otoni também pode contar com uma situação inédita: o apoio do PMDB. Bem ou mal, é um partido que vai agregar mais peso à sua campanha.
Enquanto ele terá o PT e o PMDB ao seu lado, Frei Valdair tem por enquanto apenas o PTB, partido de pouca estrutura na cidade.
A chance de Valdair ganhar estrutura é conseguir o apoio de PSDB ou PP. Principalmente o PP, partido do governador Alcides Rodrigues.
A pesquisa Grupom traz um dado bastante relevante: 62,4% dos eleitores dizem que "um prefeito do mesmo grupo político do governador é o melhor para Anápolis". Sem precipitações, esse número mostra duas tendências:
1) O eleitor anapolino é mesmo pró-governador, seja ele qual for, diferentemente de outras cidades do Estado;
2) O eleitor de Anápolis está cansado de prefeitos que entram em "guerra" com o governo do Estado, como foi o caso de Ernani de Paula e, um pouco menos, de Pedro Sahium.
A eleição de Anápolis, como sempre, se mostra indefinida.
O PMDB terá de mostrar que consegue domar Onaide e Frederico Jayme.
No PT, o desafio é não deixar Otoni morrer na praia novamente, como sempre aconteceu.
Frei Valdair terá de se preocupar em ganhar estrutura, para não perder fôlego ao longo da campanha eleitoral.
Já Ridoval Chiareloto precisa, antes de mais nada, do engajamento de seu partido. Apesar de o senador Marconi Perillo ser popular em Anápolis, essa popularidade ainda está longe de ser transferida para Chiareloto.
Postado por Eduardo Horácio às 10:57 de 24/05/08.
Post com 0 comentários
|
24/05/08 - Sábado
Eleições 2008
Se lançar Sandes, Alcides ajuda Iris
Uma certeza povoa a cabeça de alguns palacianos. A tese é polêmica, mas faz sentido. É assim: se o Palácio das Esmeraldas resolver apoiar a candidatura de Sandes Júnior (PP) à prefeitura de Goiânia, é porque o governador Alcides Rodrigues (PP) já fechou apoio branco a Iris Rezende (PMDB).
Afinal, Sandes é um dos poucos candidatos que, pode-se dizer, tem chances quase iguais a zero na eleição de Goiânia.
Em 2004, quando Iris era menos forte e o PT tinha candidato (Pedro Wilson), Sandes não passou de um terceiro lugar, só perdendo votos ao longo da campanha. E pior: ainda virou objeto de chacota.
Terminada a campanha, a única certeza para 2008 é que Sandes não conseguiria ser candidato outra vez.
É lógico que um fato novo - a favor de Sandes, claro - poderia mudar o cenário.
No entanto, nenhum fato - muito menos novo - ocorreu.
Se a pré-campanha de 2004 sempre colocou Sandes no páreo como um dos favoritos, a pré-campanha de agora simplesmente o ignora.
A candidatura dele, se confirmada, será apenas uma resposta protocolar do PP e do Palácio das Esmeraldas ao eleitorado e aos aliados.
Para quem considera um apoio indireto de Alcides a Iris uma obra de ficção, basta analisar as outras alternativas para o lançamento de uma candidatura deste tipo.
Vamos a elas:
1) Alcides lançaria Sandes porque é ingênuo e acredita piamente na vitória dele;
2) Alcides não está nem um pouco interessado na sucessão de Goiânia.
Apostar na ingenuidade de Alcides é, isso sim, uma ingenuidade. Ninguém vence uma eleição para governador sem um pouco de malícia. Então, hipótese descartada.
Já a idéia dele não estar interessado na eleição de Goiânia também não combina com o perfil de um político. Qual governador não gostaria de por um aliado na prefeitura de sua capital? Todos, provavelmente.
Daí que, se Alcides não se importa com a reeleição de Iris, é porque considera o peemedebista, no mínimo, um quase-aliado.
E por que não apoiar logo Iris? Lançando Sandes, Alcides fica bem com o PP, com seus aliados e sua base eleitoral. Afinal, um apoio direto a Iris seria polêmico e racharia os partidos aliados.
E mais: se apóia Iris declaradamente, Alcides estará dando corda para Marconi Perillo incendiar a base contra a aliança PP-PMDB.
Lançando um candidato - mesmo que seja para perder -, acaba por dar uma satisfação ao seu partido e aos aliados.
Se Alcides quisesse mesmo derrotar Iris Rezende, ele teria assumido as rédeas da coordenação da campanha ainda em 2007. Teria reunido os pré-candidatos no Palácio das Esmeraldas várias vezes e, no fim, encaminharia um consenso em torno de um nome.
Com o candidato indefinido até agora (faltando menos de dois meses para o início da campanha), qualquer nome escolhido terá chances menores do que se fosse escolhido ano passado.
Iris, o suposto adversário, não é qualquer um. Está com a maior popularidade de um prefeito em Goiânia desde a redemocratização. Não é, portanto, Sandes Júnior (que seria escolhido a poucos dias do início da campanha) que provocaria uma reviravolta no cenário.
Por fim, uma triste constatação. O fato de Alcides não ter encaminhado o processo eleitoral de Goiânia mostra o quão frágil é o jeito de se fazer política no Estado.
Afinal, mesmo sem Alcides, a base (ou o que sobrou dela) poderia ter se reunido e tocado o processo. Nada disso aconteceu.
A política goiana é recheada de gente acostumada a receber tudo de cima pra baixo, a seguir ordens, a falar amém para o governador.
Historicamente, em Goiás, o governador sempre dita o ritmo e rumo do processo eleitoral. Como não houve (e não há) ordens superiores, o processo eleitoral só existe, por ora, no PMDB. Para o resto, não há nem idéia de quando vai começar.
Postado por Eduardo Horácio às 19:01 de 24/05/08.
Post com 1 comentários
|
29/05/08 - Quinta-feira
Política
Boadyr deveria estar preso - e não morto
Ex-prefeito da cidade de Goiás, Boadyr foi condenado por estupro continuado de sete crianças e por favorecer a prostituição de menores.
Seus crimes estão no mesmo patamar dos cometidos por Sílvia Calabresi e de quem matou Isabela Nardoni e João Hélio Fernandes.
Só não é candidato a prefeito novamente (com apoio de Alcides Rodrigues) porque morreu
O assassinato do ex-prefeito de Goiás Boadyr Veloso (PP) é lamentável.
Lamento o fim de sua vida porque ele deveria estar preso - e não morto. Preso pelos próximos 30 anos, como manda o código penal.
A gravidade dos crimes cometidos por Boadyr é imensurável. No mínimo, está no mesmo patamar de Sílvia Calabresi e de quem matou Isabela Nardoni e João Hélio Fernandes.
Só que Boadyr andou livremente pelas ruas até morrer. Não foram poucas as pessoas na cidade de Goiás que continuaram convidando-o para um café em suas casas.
O crime de Boadyr? Três anos antes de ser eleito prefeito, em 1997, Boadyr foi preso em flagrante com uma menor e uma mulher adulta num motel de Goiânia.
O prefeito se defendeu cinicamente, dizendo "que estava no motel discutindo política". Boadyr foi condenado por estupro continuado (de sete crianças) e por favorecer a prostituição de menores.
Como o arcaico Código Penal brasileiro diz que o processo é extinto se a menor vítima de abuso se casar e não entrar na justiça, Boadyr não foi preso.
Detalhe: as sete menores que foram vítimas de Boadyr se casaram em 48 horas e - coincidentemente - no mesmo cartório.
Boadyr se safou. Infelizmente morreu. Deveria, repito, estar preso.
O governador Alcides Rodrigues e seu secretário Roberto Balestra, ambos do PP, estavam articulando a candidatura a prefeito de Boadyr na cidade de Goiás (este blog comentou o assunto em fevereiro - clique aqui e releia).
Mesmo dando total apoio para alguém condenado por estupro de menores, Alcides e Balestra também ficam impunes. E são dois dos homens mais poderosos do Estado. Só perdem para Jorcelino Braga.
Goiás é um Estado sério?
Postado por Eduardo Horácio às 03:28 de 29/05/08.
Post com 1 comentários
|
30/05/08 - Sexta-feira
Política
O prêmio ridículo de Iris
| Foto: Domingos Elias/Secom |
 |
O prêmio que o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), foi receber é, no mínimo, questionável.
Goiânia campeã em qualidade de vida? Que critérios foram usados?
Como pode ser uma cidade campeã de qualidade de vida se estamos entre as cidades brasileiras líderes em casos de dengue?
E o trânsito infernal (inferno causado pela má-gestão da prefeitura e pelos motoristas)?
E o ar altamente pesado e poluído, também conseqüência do trânsito?
E o abandono do Centro de Goiânia?
E o transporte coletivo, que é seguramente um dos piores do Brasil, como inclusive atestam os usuários? E as filas nos hospitais, o sucateamento das escolas?
Sem contar o desrespeito aos direitos humanos, a violência policial, os 18 casos de assassinatos e desaparecimentos atribuídos a policiais militares de Goiás nos últimos sete anos. Tudo isso denunciado à ONU.
Goiânia pode ter muitas qualidades, mas está longe de ser minimamente boa em qualidade de vida.
Postado por Eduardo Horácio às 00:45 de 30/05/08.
Post com 15 comentários
|
31/05/08 - Sábado
Política
Pedro deixa de ser pedra anti-PMDB
Por Vassil Oliveira
Domingo o PT deve escolher o vice de Iris Rezende (PMDB). O nome mais forte continua sendo o de Paulo Garcia.
Na semana passada, um bom indicativo para a ala pró-Iris: o deputado federal Pedro Wilson, resistente à aliança, participou de audiência pública do PMDB no Jardim Nova Esperança. Lá, discursou, riu e ouviu um gaiato pedindo-lhe para ser vice de Iris (apenas sorriu). Tudo ao lado da deputada federal Iris Araújo e do secretário irista Thiago Peixoto.
Pedro só foi embora no final do evento, coisa que normalmente não faz. Do PT, com ele, estava o pró-irista vereador Carlos Soares, que aplaudiu tudo em respeitoso silêncio.
Leia a coluna inteira de Vassil clicando aqui.
Postado por Eduardo Horácio às 17:44 de 31/05/08.
Post com 0 comentários
|
31/05/08 - Sábado
Eleições 2008
Rubens Otoni candidatíssimo
O deputado federal Rubens Otoni (PT) diz que não quer, mas está maluco para disputar a prefeitura de Anápolis mais uma vez.
Até segunda ordem ele está, portanto, candidato.
Seu projeto vai além de Anápolis.
Sendo eleito prefeito, torna-se a liderança principal do PT no Estado, enterrando de vez Pedro Wilson e Marina Sant'Anna.
Sendo a liderança principal no Estado, pode até ser candidato a governador em 2010 - ou ser peça decisiva numa candidatura de Henrique Meirelles.
E se perder a eleição de Anápolis mais uma vez? Não estará perdendo nada. Continuará forte no imaginário do eleitor anapolino e seguirá com seu mandato de deputado federal.
Postado por Eduardo Horácio às 21:54 de 31/05/08.
Post com 0 comentários
|
31/05/08 - Sábado
Eleições 2008
Demóstenes aberto ao diálogo
Por Afonso Lopes
O senador Demóstenes Torres balança.
Como o desespero para encontrar um candidato pela base aliada é grande, Demóstenes sente que as atenções estão se voltando para ele.
Até porque todos os demais (Barbosa Neto, Sandes Júnior e Raquel Teixeira) foram derrotados por Iris antes mesmo da campanha começar.
Os caciques acreditam agora que somente Demóstenes poderá dar algum aperto para Iris.
Ah, sim, o senador não está doido de vontade de disputar a eleição. Então, sua lista de exigências não será pequena.
Leia mais no novo blog de Afonso Lopes clicando aqui.
Postado por Eduardo Horácio às 21:01 de 31/05/08.
Post com 0 comentários
|
|