Vanderlan sobe, Marconi oscila e Iris cai
Vanderlan é o menos rejeitado
Senado: Demóstenes e Renner crescem
Dilma dispara: vantagem de 24,2 pontos
Debate mostra fragilidades de Marconi
Veja: houve "armação" contra Marconi
Conheça o histórico de Marconi nos debates
TRE divulga o que leitor do blog já sabia
Veja o tempo dos candidatos ao Senado
Serpes nas entrelinhas: nada definido
Senadores põem na campanha assessores pagos pela Casa
Marconi volta a ter mais tempo de TV
Perillo se contradiz ao explicar documentos e diz que denúncia é "café requentado"
Tucano diz que denúncias são eleitoreiras
STF abre inquérito contra Marconi
Iris tem mais tempo de TV
Os 60,1% que preocupam Iris e Marconi
Eleição em Goiás não está definida
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05/04/08 - Sábado
Política
Lula-3 mudaria tudo em Goiás

Embora seja o desejo secreto de muitos petistas, o projeto que estabelece a possibilidade de disputar um terceiro mandato consecutivo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dificilmente sai do papel. Pelo menos é a tendência atual. Há resistência interna no PT, entre aliados e, principalmente, na oposição e na imprensa.

É bom mesmo que não saia do papel. Altamente casuística, a proposta, uma vez aprovada, fragilizaria uma democracia que ainda caminha para o amadurecimento. Não seria bom pra o País, independente de ser Lula ou não o nome a ser beneficiado.

Mas, se a idéia vier a se tornar realidade, muita coisa muda - e não só no cenário nacional. A proposta de uma nova reeleição, – assim como a que permitiu que FHC disputasse uma reeleição, aprovada em janeiro de 1997 – estaria automaticamente estendida a todos os governadores e prefeitos também. Em Goiás, muitas reviravoltas aconteceriam. 

Exemplo: Iris Rezende (PMDB), igualmente, poderia ser reeleito prefeito em 2008 e, se quisesse, novamente em 2012. Embora o desejo de Iris, todos sabem, seja disputar o cargo de governador no meio do segundo mandato.

O grande fato novo seria a possibilidade do governador Alcides Rodrigues (PP) poder se candidatar à reeleição, em 2010. Com as regras atuais, já foi reeleito uma vez (em 2006) e, portanto, não pode postular o mesmo cargo novamente.

Quem mais perderia com a possibilidade de Alcides se candidatar a governador em 2010 é o senador Marconi Perillo (PSDB). Candidatíssimo a voltar ao Palácio das Esmeraldas daqui a dois anos, o tucano teria de enfrentar um governador candidato à reeleição. Mesmo que Alcides estivesse em baixa, não seria fácil. Bem ou mal, o tucano experimentaria do próprio veneno: ter de enfrentar um candidato com a máquina administrativa na mão.

Em baixa ou em alta, Alcides seria forte porque, entre outros motivos, candidatos com a máquina na mão costumam atrair muitos partidos para uma ampla aliança. Pelo menos sempre foi assim em Goiás.

Se as regras não mudarem – e Alcides não puder ser reeleito pela segunda vez – Marconi até pode ser um candidato de oposição a Alcides. Mas as facilidades são maiores. Sua oposição a Alcides estaria em outro patamar, parecida com a que fez Iris em 1990, quando atacou sem dó o ex-aliado Henrique Santillo (que não era candidato à reeleição, medida inexistente à época). Em 1990, como Santillo não era candidato, ele não teve como enfrentar Iris diretamente. Apenas apoiou, discretamente, a candidatura de Paulo Roberto Cunha.

Quem também perderia com a possibilidade de Alcides ser outra vez candidato seriam alguns aliados. Hoje há nomes que sonham ter o apoio do Palácio das Esmeraldas em 2010 para enfrentar, entre outros, Marconi Perillo.

Iris Rezende é um deles, embora saiba que chance de ter o PP em seu palanque é remota. Outro postulante é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Este, sim, dá sinais de que considera o apoio de Alcides importante para sua candidatura a governador ganhar força.

No interior do Estado, candidatos a prefeito que em 2008 tentarão a  g reeleição poderiam, em 2012, tentar uma nova candidatura ao mesmo posto. Locais onde há lideranças mais fortes tenderiam a 'perpetuar' poucos nomes no poder, com pouca alternância de idéias.

Em Goiânia, a vice de Iris na candidatura à reeleição do peemedebista este ano tenderia a ser ainda mais disputada.

Afinal, com Iris (se for reeleito este ano) renunciando à prefeitura em 2010 para tentar ser governador, seu vice teria dois anos e nove meses de mandato e ainda poderia se candidatar à reeleição outras duas vezes. Um atrativo e tanto.

Tudo, claro, ainda não passa de hipóteses. Afinal, a proposta de um terceiro mandato para Lula é polêmica e não deve sair do papel. Mas, amanhã, a tendência pode ser outra.

Postado por Eduardo Horácio às 06:42 de 05/04/08.
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05/04/08 - Sábado
Política e Futebol
Não basta querer a Copa 2014

Por Vassil Oliveira

É preciso agir. E logo.

O maior adversário hoje para Goiás conquistar o direito de sediar alguns jogos da Copa 2014 é o próprio Estado de Goiás. Cadê as ações propositivas para 'vender' Goiânia como boa sede? Cadê a promoção da idéia da Copa entre os goianos, para que entendam a importância da iniciativa? Cadê o foco no resultado, no interesse comum?

A definição do técnico Felipão como nosso garoto-propaganda já é um passo grande, mas um Felipão sozinho não faz uma Copa. Temos acima de tudo de fazer a nossa parte. E ela começa por entender que a Copa em Goiás não é uma obra do governo do Estado ou da Prefeitura de Goiânia. Não basta ao governador ou ao prefeito só olhar; eles têm de participar. Sim, mas isso, a busca pela Copa, é algo que precisa ir além deles.

Leia o texto na íntegra clicando aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 06:47 de 05/04/08.
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05/04/08 - Sábado
Política
Raquel Teixeira está sozinha

Não há dúvidas: a candidatura de Raquel Teixeira (PSDB) está mesmo abandonada à própria sorte. Os tucanos de Goiás, no máximo, só a elogiam lugares reservados. Até agora, nunca vieram a público falar bem de sua candidatura ou, pelo menos, mal do adversário a ser batido, Iris Rezende.

Com o Tribunal de Contas da União (TCU) condenando Raquel a devolver R$ 12 milhões aos cofres públicos quando foi secretária da Educação em Goiás, esperava-se que, desta vez, os tucanos fossem ao menos defendê-la. Nada. Fizeram um jantar na casa da tucana, mas o assunto foi um só: a briga do PSDB com o governo Alcides. Na saída do jantar, nenhuma palavra sobre Raquel.

Postado por Eduardo Horácio às 06:44 de 05/04/08.
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12/04/08 - Sábado
Martiniano Cavalcante
O único nome de esquerda em Goiânia
Foto: Paulo José

Com PT se aliando ao PMDB, nome do Psol tem tudo para ser o único candidato de esquerda na sucessão de Goiânia deste ano. Ele concedeu entrevista à Tribuna do Planalto

Por Anapaula Hoekveld, Eduardo Sartorato, Elizeth Araújo e Filemon Pereira

Se a chamada base aliada ainda não se definiu em Goiânia e o PT nem mesmo sabe se disputará a eleição de outubro com candidato próprio, o prefeito Iris Rezende (PMDB) terá ao menos um adversário disposto a confrontá-lo.

O engenheiro e militante de esquerda Martiniano Cavalcante é o pré-candidato do PSOL à Prefeitura de Goiânia. Martiniano, que já disputou a prefeitura em 1996, critica a disposição do PT em apoiar a reeleição de Iris. O socialista minimiza a gestão peemedebista em Goiânia, ressaltando que o prefeito só se destaca pela comparação com o fracasso da administração do ex-prefeito Pedro Wilson (PT).

Ele elogia, contudo, a quebra de contratos que Iris promoveu na prefeitura, mas em seguida ressalva que é possível fazer mais.

Martiniano Cavalcante quer implantar na em Goiânia um modelo de gestão onde sobressaia a democracia participativa. Fala na formação de conselhos de gestão das principais secretarias e em mutirões permanentes para, entre outras ações, zerar o déficit de habitação na capital. Martiniano Cavalcante visitou a redação da Tribuna do Planalto na segunda-feira, 7.

Tribuna do Planalto - Como o PSOL se prepara para disputar as eleições municipais de outubro?
Martiniano Cavalcante -
A nossa conferência eleitoral realizada em março definiu que teremos candidatura própria em todas as capitais. Em algumas capitais o Psol já desponta como uma alternativa considerável. Em Porto Alegre, a Luciana Genro (deputada federal) aparece em segundo lugar em todas as pesquisas, disputando com a Maria do Rosário (deputada federal, PT) e com a Manoela Ávila (deputada federal pelo PC do B). No Rio de Janeiro, o Chico Alencar (deputado federal pelo Psol) aparece no bloco de candidaturas que já ocuparam espaço de competitividade. E em Belém nós estamos numa luta com o Edmilson Rodrigues para que ele saia candidato. Ele está em primeiro lugar, mas não quer ser candidato, quer terminar o doutorado. Aqui em Goiânia nós temos pré-candidatura a prefeito. Sou eu o pré-candidato e temos uma chapa bastante competitiva de vereadores com lideranças do movimento sindical, popular, comunitário e que disputarão com muito apetite essas cadeiras da Câmara. O Psol tem todas as condições de disputar as eleições em Goiânia.

Essa possível aliança entre PT e PMDB ajuda o Psol a completar essa lacuna da esquerda em Goiânia?
Ajuda os eleitores a compreenderem a verdade de modo mais explícito. O que ocorre aqui é um reflexo muito simétrico do que ocorre em Brasília. Então, o eleitorado de Goiânia terá oportunidade de perceber com seus próprios olhos que a hegemonia do Delúbio (Soares) e dos métodos delubianos no PT de Goiás, leva o partido a posicionar-se diante de um balcão de negócios, cujo propósito é voltar ao comando da prefeitura de Goiânia sem disputar eleições, pelo caminho mais fácil, do conluio com o PMDB. Ao tempo em que o Iris quer garantir seu espaço para o retorno ao governo do Estado, o PT quer voltar à prefeitura. E ambos com uma gula impressionante, fugindo da verdade, omitindo a verdade dos eleitores. O Iris faz de conta que é candidato a prefeito, na verdade é candidato a governador. E essa parte do PT, essa banda delubiana do PT, indica um nome para vice e, na verdade, é candidato a ser prefeito por dois anos e oito meses. Goiânia tem a característica de ter uma população muito combativa, de oposição. E, às vezes, com uma tendência à esquerda reiterada nas últimas seis eleições. O Psol iluminará esse cenário político no debate que nós faremos, mostrando aos eleitores e a população, separando o joio do trigo. Nós vamos mostrar que o PT disse durante toda sua vida, que eram todos 'farinha do mesmo saco', acabou se resumindo ao PT pulando para dentro do saco depois de 25 anos. E nós queremos dialogar com a população para ganhar esse espaço político. Dialogar de maneira positiva, com um programa inovador, com um programa de transformações profundas na sociedade goianiense e que efetivamente nenhum outro partido pode apresentar. O Psol se coloca na disputa com uma candidatura para valer. Inclusive, o programa que nós vamos apresentar nas eleições desmistifica essa idéia do cacique, do caudilho, da estrela. Ele propõe que sejam os cidadãos e cidadãs dessa cidade os protagonistas da construção de uma experiência de democracia direta, que nós não vivemos ainda no Brasil.

Para fazer essas propostas, mostrar durante o processo eleitoral, o partido precisa de estrutura. Qual a estrutura do Psol para essa campanha?
O Psol não toma isso como uma verdade absoluta. Se fosse uma verdade absoluta a Heloisa Helena não teria tido 7 milhões de votos sem gastar nada na campanha presidencial. Nós achamos que despertar a consciência de milhares de pessoas se dá, sobretudo, pelo posicionamento político. Fazer material, fazer panfleto e fazer o programa de televisão se tornou muito barato hoje. Para um partido que tenha dignidade política, que tenha o compromisso de combater a corrupção, de fato o compromisso de democratizar o aparelho de Estado e não de usá-lo como espaço de marcas políticas, o partido que se contraponha a isso não precisa de dinheiro. Quem precisa de dinheiro para comprar voto, para enriquecer aqueles que são seduzidos durante as campanhas eleitorais, esses partidos aí de fato precisam de milhões, mas felizmente o Psol não se encontra entre eles.

Na visão do sr. a minirreforma foi um avanço, não?
Não foi um avanço. Na verdade, são barganhas. Quando a pressão social cresce demais, se ameaça ilegitimar o processo político-eleitoral, pequenas mudanças são feitas, mas que efetivamente não atingem a essência do programa. A eleição continua do mesmo modo com o voto aberto e não voto em lista, os partidos têm muito pouca influência. Então, essas medidas são incapazes de bloquear o intuito desses que usam o poder econômico, que burlam essas medidas com facilidade. Ela legitima aparentemente o processo eleitoral, mas mantém o mecanismo que permite a compra de votos. Tem gente aí que sai uma semana antes da eleição e se elege a vereador.

A gente percebe um posicionamento mais duro do sr. em relação ao vereador Elias Vaz. É só uma questão de temperamento ou são posições diferentes no partido?
O Elias tem sido muito duro com o Iris. Tem sido bem mais duro com o Iris do que eu. Tenho feito críticas políticas, o Elias tem sido uma pedra no sapato do Iris. O Elias denunciou no início da gestão a tentativa de locação de equipamentos de informática, que era uma fraude. Segundo as más línguas, não sou eu que estou dizendo, por trás estava o vice-prefeito Valdivino de Oliveira. O Elias denunciou as pessoas que estavam encasteladas, que eram parentes e apaniguados de vereadores e que o prefeito cooptava para a sua base de governo. O Elias denunciou a construção irregular das faculdades. O Elias travou um embate duríssimo com o Iris. O Iris tem agido de uma maneira inteligente com o Elias, provoca pouco a fera. O Elias é a oposição que existe em Goiânia ao prefeito. Outra coisa, nem eu e nem ele não tratamos as pessoas como inimigas. Eu travei um embate muito duro contra o ex-governador Marconi Perillo, inclusive na justiça, ele me processou várias vezes, mas não tratamos os indivíduos como se fosse uma relação pessoal. Nem o Elias é inimigo pessoal do Iris, nem eu sou. Entretanto, juntos nós vamos derrotar o Iris, eu, o Elias e a população de Goiânia.

Iris foi eleito prometendo asfalto, saúde 24 horas e transporte coletivo de qualidade em seis meses. O transporte coletivo tem solução? O PSOL defendia o transporte alternativo, que não funcionou.
Não foi isso que nós vimos. Nós vimos que havia um estímulo a destruição do transporte alternativo. E a destruição do transporte alternativo proposto pela imprensa, pelos grandes anunciantes, pelos empresários do transporte e pelo governo estadual e municipal tinha um único alvo: destruir a liderança política que estava à frente do transporte.

Mas há experiências positivas com transporte alternativo?
Em todos os países da Europa existe transporte alternativo. Ele é um transporte complementar. E funciona bem em todos os lugares onde ele é estabelecido com esse caráter. Por que ele é um transporte complementar e por que ele funciona bem? Você não pode querer que um metrô tenha a capilaridade de um transporte alternativo. O metrô não tem a capilaridade que tem um ônibus e um ônibus não tem a capilaridade que podem ter os micro-ônibus. Então, é um processo progressivo. A combinação dessas formas de transporte é que tem de ser estabelecida em Goiânia. E o começo do estabelecimento disso passaria por uma democratização efetiva do transporte em Goiânia. E não é o que a prefeitura fez. O transporte nessas condições vai sofrer melhorias cosméticas, com ônibus novos, mas a demanda continuará a mesma. Há uma queda no número de pessoas que utilizam o transporte em Goiânia. O futuro, em todos os aspectos, inclusive o ambiental, demanda menos transporte e não mais deslocamento. E estamos andando no sentido contrário do que o futuro exige. As pessoas deixam de andar de ônibus em Goiânia para andar de moto ou de carro.

E a prefeitura irá estrear agora uma campanha para fortalecer o uso do transporte coletivo, mas se as pessoas forem usar...
Não tem qualidade suficiente. Então, o sujeito cai em um círculo vicioso. Se não tem qualidade também não tem arrecadação suficiente para se projetar como uma solução adequada. Então, é preciso mudar isso. E a Prefeitura de Goiânia tem de incidir concretamente como sujeito do transporte. E existe um aspecto no planejamento urbano que precisa ser trabalhado com muita seriedade. Não há solução para o transporte urbano quando o deslocamento das pessoas ocorre de maneira anárquica. Quando se diz menos transporte, se fala em menos deslocamento. Quando se fala em menos deslocamento, se fala em universalização dos serviços e da vida em partes menores da cidade. Isso não é difícil. Uma das últimas intervenções de planejamento urbano que nós tivemos em Goiânia foi a duplicação da T-63. E aquilo propiciou o surgimento de um pólo alternativo na cidade. Aquela região da T-63, no Setor Bueno, já dispõe de quase todos os serviços públicos. E foi uma iniciativa pequena. Nós temos condições de ter entre 10 e 15 pólos de desenvolvimento em Goiânia, de tal modo que as pessoas trabalhem perto de onde moram. Isso é possível fazer com o manejo do Plano Diretor, da Lei do uso do solo e com modificações no Código Tributário. Isso é possível de ser feito e pode tirar muito o impacto da necessidade de transporte. Outra coisa fundamental, que é óbvia aos olhos de qualquer pessoa, é que se você estabelece uma alternância de horários no início das atividades, você constrói uma vida mais saudável. Sobrecarrega menos as estruturas, em geral. Se as escolas começam a funcionar às 7 horas, o serviço público às 8 horas e o comércio às 10 horas, você tem um fluxo que permite ao transporte coletivo, por exemplo, suportar a demanda.

‘Quando se mede a figura de Iris frente a necessidade de Goiânia, ela desaparece’

Que avaliação o sr. faz da gestão Iris Rezende e do favoritismo dele apontado pelas pesquisas?
Essa é a pergunta que todos me fazem e eu repondo com muita firmeza. Existe na população de Goiânia um sentimento que me lembra aquela anedota - a população chorando na praça porque o rei estava prestes a morrer. Alguém viu e disse: 'Ora, mas então esse rei é muito bom, todos querem que ele sobreviva.' E as pessoas respondiam: 'não, não é que ele é muito bom, é que o filho dele, o príncipe, é péssimo.' Então, parece que boa parte da popularidade do Iris se deve ao desastre que foi a administração do Pedro Wilson. Em todos os aspectos piores do que a atual. Talvez seja difícil encontrar uma administração em Goiânia pior do que foi a do Pedro Wilson.

E esse favoritismo se deve também à fragilidade das outras pré-candidaturas?
Não, disputa real só quando começa mesmo. Não acho que a gente deva subestimar candidaturas. Mas eu penso o seguinte. Uma parte é a comparação com o que foi e outra parte é que o Iris se via acuado. Dizem que o um gato acuado é um animal extremamente feroz. E o Iris estava acuado por duas derrotas terríveis e estava tão acuado que lançou mão de parte de um programa que nós defendemos. Em 1996, eu fui candidato a prefeito de Goiânia. Essa cidade sabe que quem pautou a proposta de ruptura dos grandes contratos da prefeitura fomos nós. E o Iris precisava de dinheiro para fazer alguma coisa. Então, ele rompeu o contrato da Enterpa, ele reduziu o contrato da Ita pela metade, rompeu o contrato com a Enza. A prefeitura economizou R$ 6 milhões por mês. São mais de R$ 70 milhões por ano. Você multiplica isso por quatro anos, dá o dinheiro do asfalto e das obras que estão sendo feitas. Entretanto, é preciso fazer muito mais. Isso tem um impacto. Quando você joga essas obras aos olhos da população, comparado com o Pedro Wilson, que era o Pedro dormindo... Então, quando se compara as duas coisas, a figura do Iris cresce. Mas quando se mede a figura de Iris frente à necessidade de uma cidade como Goiânia, ela desaparece. Porque não tem capacidade para entrar nesse debate. E eu quero propor o debate com ele. Primeiro, do ponto de vista da forma da gestão política nós estamos vendo a educação e a saúde em uma situação de impasse. É um dono de hospital particular que está gerindo a saúde em Goiânia. Não há nada mais atrasado do que isso. Nós queremos fazer esse debate com alguém que se considera ou se porta como messiânico, como caudilho, como chefe, como coronel.

E qual a proposta administrativa do Psol para essas áreas?
A proposta do PSOL para essas áreas, que são áreas fins da prefeitura, é que os profissionais tenham o direito permanente de eleger e de revogar os mandatos dos que têm cargos de chefia e da definição do conteúdo da ação pública. Portanto, os trabalhadores da educação de uma maneira geral, não só definirão o caráter do programa pedagógico como irão eleger o conselho de gestão da Secretaria de Educação, que cumprirá o papel de secretariado. Assim também será na saúde. Nós pensamos em instituir um conselho na cidade, eleito por um número proporcional de votos e esse conselho se reúne periodicamente, discute, faz o balanço das áreas, dos programas. Pensamos em fazer uma revolução no problema da reforma urbana em Goiânia. Nós temos 50 mil famílias que não tem lote em Goiânia, e temos 100 mil lotes dentro de Goiânia. O nosso programa tem três eixos: Primeiro, o respeito às questões dos direitos humanos, não como discurso, mas para solucionar esses problemas. Segundo, o problema da democracia direta. Terceiro, o problema da reforma urbana e das novas formas de sustentação econômica. O atual prefeito fala em mutirão, nós vamos demonstrar como é que se faz um mutirão permanente. Como é que se faz uma revolução democrática permanente em uma cidade, incorporando as pessoas na luta para solucionar os seus próprios problemas.

Quando o sr. faz uma avaliação negativa da gestão Pedro Wilson, isso de certa forma prejudicou a esquerda em Goiânia e no Estado?
E eu votei no Pedro, lamentavelmente. Embora o Lula diga que não é de esquerda, a história teima em vê-lo como o maior ícone que a esquerda brasileira construiu. E às vezes a história é mais pelo que parece do que pelo que é realmente. Então, de fato sim prejudicou bastante. Prejudica, sobretudo, porque a direita no Brasil há muitos anos faz um trabalho consciente, casado com os meios de comunicação, para destruir a credibilidade da política como busca coletiva de solução dos problemas. E um dos elementos importantes de propaganda da direita é de que a política é suja, é corrupta e pertence à meia dúzia de inescrupulosos. E, lamentavelmente, a chegada do PT ao governo, tanto ao governo do município quanto o governo federal, fortaleceu no senso comum essa idéia. Isso é o prejuízo maior que eu vejo.

Apesar dos escândalos, por que na hora da disputa eleitoral os partidos tradicionais tendem a conquistar mais o eleitorado?
Em um país como o Brasil, eu penso que o PT chegou ao governo em uma trajetória considerável. Foram duas décadas e meia, não é um tempo longo. No nosso caso, e no caso das pessoas que tinham uma corrente de pensamento à esquerda do PT, era necessário que ocorresse a prova dos nove. A primeira eleição que o Lula disputou, em 1989, nós fazíamos uma polêmica porque tinha um setor ainda mais à esquerda do que nós que discordava da candidatura de Lula. E eu dizia: 'se a população não souber que o Lula governa e vai governar desse modo, como é que vai sobrar espaço para a esquerda fazer política.' Nós tínhamos de propiciar que governassem para tirar a prova dos nove. E o PT tirou a prova dos nove. Aplicou o seu programa, aplicou a metodologia da conversão ao ideário do inimigo e o Brasil não mudou. Então, se nós lutávamos pelas condições sociais injustas, contra o atraso econômico e cultural do nosso país, nós temos os motivos para continuar lutando. O Psol ganha a prefeitura. Não sei se nessa eleição ou em outra. O Psol disputará o poder no Brasil.

Como o sr. assiste a esse momento de crise do Estado?
Eu assisto de uma maneira monótona, enfadonha. E me preocupa muito, de uma maneira geral, na perspectiva dos atores políticos. Quem está no Palácio das Esmeraldas hoje é absolutamente previsível. A situação que o ex-governador deixou o Estado também era previsível. Agora, o que deixa a gente com certo temor sobre o futuro de Goiás é que os sujeitos econômicos não vêem o tamanho da tragédia que provocarão. O Cerrado foi reduzido a 7% do seu bioma natural. O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil. A maior fonte de água doce do país. Isso devia ser cuidado pelo exército, é uma riqueza universal. A água movimenta no mundo hoje cifras equivalente à metade do que o mercado do petróleo movimenta, e em dez ou 15 anos movimentará muito mais do que o petróleo. E nós estamos exportando em cada tonelada de soja, 1,3 mil litros de água. Em cada boi, nós estamos exportando 2,5 mil litros de água. Então, você vai a Santa Helena, você uma das regiões mais degradadas do planeta. E estão programadas mais 20 usinas em Goiás. O governo do Estado dá subsídios, isenção de ICMS, apoio para obtenção de créditos para construir uma indústria de devastação ambiental, que não deixa retorno nenhum. Na verdade, essa indústria do Etanol é utilizada para fortalecer a ideologia do automóvel na sociedade, criar os problemas os problemas urbanos, fechando um cerco de dominação e alienação política.

Postado por Eduardo Horácio às 11:37 de 12/04/08.
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12/04/08 - Sábado
Política
O que Marconi quer com Demóstenes?
Foto: Leo Iran

O fato novo da sucessão em Goiânia é o possível lançamento da candidatura a prefeito de Demóstenes Torres (DEM).

O assunto já era levemente discutido antes, já que o deputado federal Vilmar Rocha (DEM) nunca quis, de fato, ser candidato a prefeito pelo partido.

O que faz a candidatura de Demóstenes ser agora uma possibilidade real é o apoio que o senador Marconi Perillo (PSDB) daria a ele.

Marconi apoiando Demóstenes? Dois anos atrás, essa idéia era mais do que uma impossibilidade. Na campanha eleitoral de 2006, Demóstenes acusou Marconi de ser um dos possíveis mandantes dos tiros que acertaram sua residência. Até explorou isso em seus programas eleitorais no rádio e na televisão.

No fim da campanha, o ódio mútuo entre ambos era tão alto que Marconi chegou a dizer, em entrevista, que Demóstenes era uma "pessoa do mal, doentia, bajuladora, desprovida de caráter e leviana". Demóstenes retrucou dizendo que Marconi era "analfabeto, vagabundo, maloqueiro e ladrão". Em resumo, parecia que seriam inimigos para sempre.

Em 2007, já com Marconi empossado no Senado, o impossível aconteceu. Eles se reaproximaram. Elogios mútuos foram freqüentes, houve uma união para denunciar um suposto esquema de espionagem organizado pelo senador Renan Calheiros (PMDB) e a idéia de parceria em 2010 já não era mais tabu.

Agora, Marconi acena para o DEM nacional. Diz que pode retirar a candidatura de Raquel Teixeira (PSDB) à prefeitura de Goiânia e levar o partido a apoiar Demóstenes.

O que estaria por trás dessa nova postura de Marconi? Há hipóteses a serem consideradas, com base inclusive no próprio retrospecto de Marconi Perillo. Vejamos:

1) Marconi só faz de conta que pode apoiar Demóstenes, imitando a estratégia de 2004, quando prometeu ao então prefeito Pedro Wilson (PT) que levaria o PSDB a apoiar sua reeleição e, no fim das contas, acabou mesmo apoiando Sandes Júnior (PP). E reeditando também o que fez a Barbosa Neto, no mesmo ano de 2004, quando jurou ao candidato do PSB que ele seria o candidato a prefeito da base aliada. O risco para Marconi: ao enganar Demóstenes, o tucano pode reviver o ódio mútuo entre ambos e ficar ainda mais isolado no cenário político goiano.

2) Como Marconi sinaliza a aliados que já considera Iris reeleito este ano, o tucano pode apoiar Demóstenes para queimá-lo, levando-o a uma segunda derrota consecutiva em cargos majoritários (a primeira foi em 2006, quando ficou em quarto lugar na disputa para governador). Assim, enfraqueceria Demóstenes em 2010, quando ele poderia tentar a reeleição para o Senado. O risco para Marconi: ao levar Demóstenes a perder para Iris, o tucano estará fortalecendo o projeto do peemedebista para 2010, o que não é nada bom para o PSDB.

3) Marconi pode mesmo apoiar Demóstenes, até como forma de se fortalecer diante da inesperada aliança PP-PMDB. Apoiando o DEM em 2008, poderia amarrar um acordo desde já para ter o apoio do mesmo DEM na eleição para governador em 2010, quando o DEM ficaria com uma das vagas ao Senado. O risco para Marconi: mínimo, já que aqui o tucano está arrumando uma estratégia de sobrevivência frente à união de Alcides e Iris.

Por outro lado, mesmo que leve o apoio a Demóstenes até o fim, Marconi estará desagradando muitos de seus aliados mais fiéis.

A começar por Raquel Teixeira, uma tucana fiel a Marconi que novamente ficaria a ver navios.

Estaria também jogando para escanteio Vilmar Rocha, uma das partes marconistas do DEM. Vilmar apoiou Marconi quando era governador do início ao fim, ao contrário de Demóstenes. Mas, desde que virou pré-candidato a prefeito, Vilmar nunca recebeu um aceno sequer de Marconi. Ao contrário.

Marconi estaria deixando de lado, novamente, Barbosa Neto (PSB). Desprezado em 2004, Barbosa ficaria novamente isolado agora em 2008, apesar de nunca ter criticado Marconi publicamente. O que Marconi também estará excluindo são seus aliados do PSDB. Muitos deles (como João Campos) deixaram de tentar uma candidatura a prefeito este ano porque imaginaram que Marconi apoiaria Raquel Teixeira.

E Demóstenes? É viável? Claro que sim. Sabe argumentar, é bom de debates e repercute nacionalmente.

Tem, no entanto, de evitar os erros de 2006, quando agiu na campanha eleitoral mais como promotor público do que como candidato a governador. Precisa também ser mais sereno ao se comunicar pela televisão.

Demóstenes tem, ainda, um trunfo que o fortalece: já venceu Iris Rezende uma vez. Foi em 2002, na disputa para o Senado. Em toda a história de Goiás, só Demóstenes, Marconi e Lúcia Vânia podem se orgulhar de já terem vencido Iris Rezende. Não é pouco. Afinal, assim como há dez anos, agora em 2008 Iris Rezende novamente é tido como imbatível.

Postado por Eduardo Horácio às 11:43 de 12/04/08.
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18/04/08 - Sexta-feira
Sandro Mabel
Um deputado pouco republicano
Foto: Agência Câmara

O deputado federal Sandro Mabel (PR-GO) conseguiu o que queria: vai ser o relator da comissão especial da Câmara dos Deputados que vai discutir a reforma tributária.

Mabel, como se sabe há tempos, é favor da guerra fiscal, aquela que acaba levando alguns Estados a renunciar aos impostos que deveriam receber das empresas.

Não é pra menos.

Mabel é um dos empresários que mais lucram com a guerra fiscal. É dono de uma famosa empresa de alimentos que leva seu nome e, além de Goiás, recebe incentivos fiscais no Mato Grosso do Sul, por exemplo.

E mais: sua empresa tem processos correndo na Justiça por não-recolhimento de impostos. A Mabel também é investigada por um suposto crime contra a ordem tributária (leia mais clicando aqui).

Ou seja: seus interesses na reforma tributária não combinam com o nome de seu partido.

De republicano, Mabel não tem nada.

Postado por Eduardo Horácio às 00:11 de 18/04/08.
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19/04/08 - Sábado
Política
A base e a ‘Era da desconfiança’

Por Vassil Oliveira

O que o senador Marconi Perillo (PSDB) quer com o senador Demóstenes Torres (DEM)? A pergunta foi feita pelo jornalista Eduardo Horácio (DEM), em sua coluna na página 2, na semana passada, e deu o que falar.

Ouvi de muita gente que Marconi precisa de Demóstenes para se fortalecer nacionalmente (o DEM e o PSDB podem fechar aliança) e principalmente para não ficar isolado em Goiás, já que PR e PP estão cada um cuidando de sua vida e boa parte do DEM goiano há muito se comporta como seu adversário. Por isso estaria estimulando a candidatura do colega senador.

Bem, e Demóstenes, não precisa de Marconi? Nacionalmente, o democrata não deve favor a ninguém. Mas, em Goiás, Demóstenes tem o DEM e... quem mais? No fundo, o objetivo de Demóstenes é buscar a reeleição ao Senado. Para isso, precisa de aliados. Sozinho, não faz a reeleição. Melhor (re)aliar-se a Marconi agora, apesar dos pesares pontuados por Eduardo Horácio?

Uma aposta é que, com Demóstenes candidato - um candidato segundo colocado em todas as pesquisas até aqui publicadas –, Marconi forçaria o governador Alcides Rodrigues e o seu PP a colocar um ponto final nesta história de diálogo político com o presidente Lula e o PP (entre a base e Iris Rezende, Alcides escolheria a base para não parecer traidor), e, de quebra, jogaria água fria no namoro de Alcides com Iris e o PMDB na Capital. Tudo em nome de seu projeto de volta ao governo em 2010.

Leia a continuação do texto clicando aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 15:07 de 19/04/08.
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19/04/08 - Sábado
Política
O pesadelo de Ademir Menezes
Foto: Wagnas Cabral

Pesquisa mostra que vice-governador não tem candidato para vencer Maguito Vilela na eleição de Aparecida

A pesquisa Ecope divulgada na semana que passou balançou a política de Aparecida e mostrou o que todo o meio político do município já suspeitava: o grupo político do vice-governador Ademir Menezes (PR) vive sua maior crise.

No levantamento, o peemedebista Maguito Vilela aparece com 64% das intenções de voto. Ademir Menezes, se fosse candidato, viria em segundo, com 9,8%, mais de 54 pontos porcentuais atrás do peemedebista. Ozair José (PP) e Marlúcio Pereira (PTB) aparecem em terceiro, com 6,8% e 6,5%, respectivamente. O atual prefeito de Aparecida, José Macedo (PR), alcança míseros 4,5%, e o tucano Daniel Goulart não passa de 1,3%.

O grupo político de Ademir, do qual fazem parte o atual prefeito e Marlúcio Pereira, entre outros, respondeu mal aos números. Argumentou-se que Maguito teria índices tão altos por já ser "muito conhecido".

Faz até sentido, já que o peemedebista foi governador e só deixou de ser senador recentemente. No entanto, o argumento mostra furos porque Ademir, Macedo e Ozair também são bastante conhecidos na cidade. Ademir já foi prefeito, Macedo é o atual prefeito e Ozair já disputou algumas eleições em Aparecida. Na cidade, os adversários de Maguito são tão conhecidos quanto o peemedebista.

Maguito até pode perder a eleição (como já perdeu outras em que também era favorito), mas não por esse motivo.

Mais do que mostrar que Maguito é líder, a pesquisa Ecope mostra mesmo é o cansaço da população de Aparecida com o grupo que dirige a cidade há quase 20 anos.

A impopularidade crônica do prefeito José Macedo contaminou em cheio o vice-governador Ademir Menezes (PR). Nenhum dos dois é mais benquisto pelo eleitor. Há possibilidade de reversão? Claro. Mas Macedo e Ademir terão de trabalhar mais nos próximos seis meses do que nos últimos três anos.

A impopularidade de Ademir não é de hoje. Em 2006, na eleição para governador, mesmo com Ademir Menezes sendo vice na chapa de Alcides Rodrigues (PP), Maguito foi campeão de votos em Aparecida nos dois turnos.

Em vez de trazer votos, a presença de Ademir na chapa de Alcides acabou atrapalhando o candidato a governador do PP na cidade.

Os adversários do PMDB seguem dormindo em pleno ano eleitoral e gastam o tempo que tem desqualificando Maguito.

Possível candidato, Daniel Goulart diz que Maguito é "um cavalo paraguaio", fazendo referência às eleições de 2002 e 2006, quando Maguito saiu na frente na disputa para governador e terminou em segundo.

Marlúcio Pereira diz que Maguito vai experimentar seu "fim de carreira", menosprezando inclusive a própria cidade onde mora. Afinal, por que perder uma eleição em Aparecida é "fim de carreira"?

Como vencer Maguito? Essa deveria ser a pergunta que o grupo de Ademir deveria se fazer.

Qualquer iniciante em marketing político teria algumas pistas.

Uma delas: quem lançar um nome novo, não vinculado a Ademir Menezes, vai ter mais chances de enfrentar e até ganhar de Maguito Vilela. Para derrotar Maguito, no entanto, será preciso ir além do discurso fácil de que Maguito é um "forasteiro".

O PSDB, com o tucano Daniel Goulart, vai mal na cidade. Ele poderia ser o "nome novo". Mas sua candidatura mal passa de 1%.

A vantagem de Goulart é ser pouco conhecido em Aparecida. Mas o PSDB estaria disposto a torná-lo mais conhecido? E mais: Goulart - que não une nem seu partido - conseguiria a adesão de partidos aliados? Dificilmente.

Problemas não faltam ao grupo de Ademir Menezes. Um deles: unir já no primeiro turno ou deixar a união para o segundo turno?

Uma junção de forças em uma única candidatura pode facilitar uma vitória de Maguito já no primeiro turno - que, hoje, seria fácil. Se os pré-candidatos deixarem a união apenas no segundo turno, correm risco de se atacarem mutuamente, preservando o adversário peemedebista.

Outro problema a ser resolvido: a quem será destinado o apoio do governador Alcides Rodrigues.

Hoje, há a possibilidade do PP de Ozair José ser o vice de Maguito. Se isso se confirmar, no mínimo Alcides terá de ficar neutro na eleição, não podendo, por exemplo, declarar apoio ao candidato apoiado por seu vice, Ademir Menezes.

Conseguir a neutralidade de Alcides (ou até mesmo seu apoio explícito) é um outro trunfo que Maguito pode carregar até o início da campanha.

Enfim, o grupo de Ademir Menezes tende a passar por seu maior teste de fogo desde que assumiu o poder na cidade.

Terá de escolher um candidato, terá de segurar Alcides e terá de vencer um candidato que, hoje, está com mais de 50 pontos porcentuais de vantagem.

Estrutura esse grupo tem. Já ficou mais do que provado nas eleições passadas, ao contrário de Maguito (que ainda está montando sua estrutura).

O que falta a Ademir é, daqui em diante, transformar essa estrutura em votos. Não será nada fácil.

Postado por Eduardo Horácio às 15:09 de 19/04/08.
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19/04/08 - Sábado
Eleição 2008
Quase oficial: PT vai se aliar com Iris

A aliança do PT com o PMDB nas eleições deste ano está praticamente confirmada.

O encontro regional do partido está acontecendo agora.

No total, conforme previsto, 116 delegados optaram por aliança com o PMDB de Iris Rezende, enquanto 115 votaram na possibilidade de candidatura própria.

Ou seja: por 1 voto, o PT deve deixar de lançar candidato e apoiar a reeleição de Iris em outubro.

O partido, agora, reconta os votos para, enfim, oficializar o resultado.

Postado por Eduardo Horácio às 16:01 de 19/04/08.
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19/04/08 - Sábado
Eleição 2008
Oficial: PT vai apoiar Iris

Agora já não há mais dúvidas: a aliança do PT com o PMDB nas eleições deste ano está oficialmente confirmada.

Na recontagem dos votos, 116 delegados optaram por aliança com o PMDB, enquanto 115 votaram na possibilidade de candidatura própria.

Ou seja: por 1 voto, o PT não lança candidato e apóia a reeleição de Iris Rezende em outubro.

Parte do partido que desejava candidatura própria já fala em cruzar os braços e não fazer campanha para Iris.

O PT, como acontece desde que nasceu, está rachado.

Postado por Eduardo Horácio às 16:45 de 19/04/08.
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24/04/08 - Quinta-feira
Denúncia
Alcides Rodrigues é alvo da Polícia Federal na Operação Navalha

Grampos mostram diálogos entre atual governador de Goiás e Sérgio Sá, lobista da Gautama

Lobista da Gautama se refere a Marconi Perillo como "nosso senador"

Alcides Rodrigues, Ronaldo Caiado, Kátia Abreu e diretor financeiro da Celg, Nerivaldo Costa, jantaram com lobista

ANDRÉA MICHAEL
Na Folha de S.Paulo de hoje

O próximo alvo das investigações relacionadas à Operação Navalha é o governador de Goiás, Alcides Rodrigues (PP). Conhecido como Cidinho, conforme diálogos gravados pela Polícia Federal aos quais a Folha teve acesso com exclusividade, ele trocou ligações, jantou e cumpriu agenda na Esplanada dos Ministérios, com o lobista Sérgio Sá, representante da Engevix e dos negócios do empreiteiro Zuleido Veras, acusado de montar um esquema de fraude a licitações em benefício da empresa Gautama.

Desde maio de 2007, quando foi deflagrada a Operação Navalha, o Ministério Público Federal trabalha na denúncia, que deve ser apresentada ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) nos próximos dias e por meio da qual deve acusar pelo menos 55 pessoas pela prática de vários crimes, como corrupção ativa, passiva, fraude a licitações e formação de quadrilha.

Entre os denunciados estarão os governadores Teotônio Vilela (AL) e Jackson Lago (MA), o ex-governador João Alves Filho (SE) e o ex-ministro Silas Rondeau (Minas e Energia).

As conversas às quais a Folha teve acesso e que estão sob análise do Ministério Público de Goiás revelam que o lobista Sérgio Sá negociou com diretores da Celg, a companhia de energia goiana, a aprovação de aditivo de R$ 1,1 milhão sobre um contrato de R$ 4,5 milhões do Programa Luz Para Todos, do governo federal - antes mesmo de haver completado 12 meses de assinatura inicial, tempo previsto para execução da obra - e a autorização de passagem de uma linha de energia até Tocantins.

Documento obtido pela Folha revela que, em 22 de novembro de 2006, Rondeau recebeu Rodrigues e Sérgio Sá para tratar do programa. Na ocasião, o contrato já havia sido assinado. O despacho do ministro é: "encaminhar projeto".

"Nosso senador"
As relações de Sá com Rodrigues iniciaram em 2006, como relatou à Folha o ex-presidente da Celg André Costa na gestão do governador Marconi Perillo, hoje senador (PSDB). Nas gravações, o lobista se refere ao parlamentar como "nosso senador". Sá pede que o assessor de Rondeau Ivo Costa dê satisfações a Perillo por ele ainda não ter sido recebido pelo então ministro, conforme diálogo de 15 de fevereiro de 2007.

Tais ligações tornaram-se mais intensas na gestão de Rodrigues, segundo o lobista, que diz que lhe fora oferecida, pelo governador, a presidência da Celg.

Também em fevereiro de 2007, o lobista convocou políticos para um jantar, que ocorreu no dia 15 daquele mês. Participaram, além de Rodrigues, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) e o diretor financeiro da Celg, Nerivaldo Costa. O ajudante-de-ordens do governador, em conversa com o lobista gravada, confirma a presença do pepista.

Sá conseguiu de forma considerada rápida a concessão de autorização de passagem, por Goiás, da linha de transmissão de energia. Em conversa gravada em 13 de fevereiro, Sá diz que precisa do documento para uma reunião no BNDES. O interlocutor diz que o estudo levaria cerca de três meses, mas, a pedido dele, fora executado em dois dias e meio. Sá chama de "amiga" a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e Rondeau de "nosso ministro".

Um ponto de interesse de Zuleido é o alcooduto que vai transportar combustível do Centro-Oeste a Paulínia (SP). O investimento é de US$ 1 bilhão, sustentado por Petrobras, Camargo Corrêa e a japonesa Mitsui. O início da construção está previsto para 2009, mas, segundo conversas gravadas em março de 2007, o grupo criminoso já demonstra interesse em entrar no negócio.

"Não cometi irregularidade", diz Alcides
O governador de Goiás, Alcides Rodrigues (PP), afirmou à Folha que "o melhor que poderia acontecer é que fosse tudo investigado à exaustão, até para mostrar que eu não cometi nenhuma irregularidade".

Rodrigues confirmou que participou de um jantar, em Brasília, na companhia de Sérgio Sá, então lobista da Engevix. O governador disse que o tema da conversa na ocasião foi política.

O senador Marconi Perillo (PSDB), que afirmou nunca ter visto Sérgio Sá, declarou que "a utilização de meu nome é indevida e criminosa".

O secretário de Meio Ambiente de Goiás, José de Paula, também disse desconhecer Sá e não se lembrar dos detalhes da autorização de passagem para a linha de energia concedida pelo Estado às empreiteiras.

Pela Intesa, o presidente da companhia, Marcelo Pedreira, disse que em nenhum momento Sá atuou em nome dos interesses da empresa.

O presidente da Engevix, Cristiano Kok, afirmou à reportagem que Sá recebia participação de 2% a 3% dos negócios que conseguisse prospectar para a empresa, mas que nunca foi autorizado a proceder à prática de tráfico de influência.
Participante do jantar em Brasília, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) disse que, a pedido da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), compareceu ao evento para falar de política.

A senadora afirmou que por duas vezes solicitou a intermediação de Sérgio Sá: uma para obter um audiência na Petrobras para um amigo e outra num encontro de Sá na Secretaria de Fazenda de Goiás.

"Mas eu só marquei a audiência. Nunca participei de reunião nenhuma, somente do jantar, que foi uma discussão política", disse Abreu.

Sérgio Sá não foi localizado pela reportagem.

Veja a matéria completa da Folha clicando aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 23:49 de 24/04/08.
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25/04/08 - Sexta-feira
Política
Recordar é...

Em maio do ano passado, três políticos goianos apareciam na lista dos presenteados pela construtora Gautama: Alcides Rodrigues (PP), Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB) (veja mais clicando aqui). 

Iris e Marconi falaram do assunto naquela oportunidade (clique aqui e leia).

Postado por Eduardo Horácio às 00:15 de 25/04/08.
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25/04/08 - Sexta-feira
Operação Navalha
Sérgio Sá tinha trânsito livre na Celg

Por Fabiana Pulcineli
Hoje em O Popular

Representante da empresa Engevix, que faz parte de um grupo que mantinha contrato com a Celg no programa Luz Para Todos desde 2006, o lobista Sérgio Sá circulava pelos corredores da estatal goiana com desenvoltura. Auxiliares da Celg ouvidos pelo POPULAR afirmam que ele freqüentava muito a empresa, onde sempre ressaltava seus contatos no governo federal. "Ele falava com todo mundo. Passava pelas salas perguntando de novidades e tal”, disse um funcionário do alto escalão da empresa.

De acordo com as gravações ouvidas pela reportagem da Folha, o lobista negociou com diretores da Celg a aprovação de aditivo de R$ 1,1 milhão sobre o contrato de R$ 4,5 milhões do programa do governo federal - antes mesmo de haver completado um ano da assinatura inicial.

O presidente da Celg, Enio Branco, confirmou ontem ao POPULAR que o aditivo foi aprovado, mas ressaltou que a operação foi legal. Embora não estivesse ainda no comando da empresa, Enio disse ter se informado sobre o aditivo. Ele explicou que a licitação do Luz Para Todos foi feita em setembro de 2005 e o resultado saiu em fevereiro de 2006. Segundo Enio, o aditivo foi aprovado em abril do ano passado.

O governador Alcides Rodrigues (PP) disse ontem que o contrato com a Celg foi cancelado, mas defendeu a operação: "A Celg tem um corpo jurídico competente e ela certamente olhou a legalidade para fazer o aditivo que foi anunciado”. Enio disse que a lei permite aditivo de até 25% do valor mesmo antes dos 12 meses.

A reportagem da Folha afirma que Sérgio Sá teria dito que o governador ofereceu a ele o comando da Celg. O governo nega a informação. Segundo a reportagem, o diretor-financeiro da Celg, Nerivaldo Costa, participou das conversas entre o governador e Sérgio.

Leia mais clicando aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 05:20 de 25/04/08.
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25/04/08 - Sexta-feira
Operação Navalha
Resposta de Alcides é vazia

A entrevista que o governador Alcides Rodrigues (PP) concedeu ontém à tarde - e tem trechos publicados hoje nos jornais - é desastrosa e vazia.

Desastrosa porque diz não ver "problema" em pedir ajuda a um lobista da Gautama para resolver "problemas financeiros da Celg", como ele mesmo diz.

Vazia porque diz que a divulgação dos dados estaria ligada a interesses políticos.

"A verdade é que estamos fazendo uma reforma administrativa profunda, estamos mexendo numa caixa de marimbondo. Os interesses contrariados podem estar, quem sabe, por trás disso”, diz ele.

Interesses contrariados? De quem? Da PF? Estaria a Polícia Federal intrigada com a "reforma administrativa profunda" de Alcides?

Lula? O governo federal - que trata Alcides como aliado político - é quem mais deseja ver o nome Gautama longe dos jornais.

Quem mais? A oposição? O PMDB goiano não arrisca uma crítica sequer a Alcides e é sempre o primeiro a bater palmas.

Ou seria o PSDB, que estaria dando um tiro no próprio pé, já que Marconi é citado como "nosso senador"?

Os argumentos de Alcides não páram em pé nem por alguns segundos. São tão vazios quanto seu governo.

Postado por Eduardo Horácio às 05:37 de 25/04/08.
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26/04/08 - Sábado
Relações Perigosas
Secretário de Comunicação tem contrato com governo Alcides

Empresa de Túlio Isac compra espaço em TV estatal, o que vai contra a Constituição

Empresa de Túlio também deve R$ 204 mil à Agecom, que dirige TV estatal


Por Fabiana Pulcineli
Hoje em O Popular

Deputado estadual licenciado e recém-nomeado secretário Extraordinário de Comunicação, Túlio Isac (PSDB) é proprietário de uma empresa que tem contrato com o governo, por meio da Agência Goiana de Comunicação (Agecom). O contrato, que será investigado pelo Ministério Público Estadual, estaria em desacordo com o que determina a Constituição Federal.

Na interpretação de juristas consultados pelo POPULAR, o artigo 54 impede que parlamentares tenham contrato com órgãos públicos. Segundo os especialistas, a condição de secretário equivale a de deputados e senadores e a situação ainda pode ser mais grave - poderia se encaixar também no descumprimento dos princípios de moralidade e impessoalidade.

Túlio é sócio da empresa Top Produções e Publicidade Ltda., responsável pela produção do programa que ele mantém na Televisão Brasil Central, da Agecom. Ele compra o espaço na grade da TV para apresentar seu programa diário Cidade Esperança.

Para a promotora Marlene Nunes Freitas Bueno, da Promotoria de Patrimônio Público, há elementos para a abertura de inquérito civil público para avaliar a legalidade do contrato. Segundo ela, o caso se encaixaria no inciso I do artigo 54, que abre exceção para a obediência a cláusulas uniformes.

Leia a matéria completa clicando aqui.

Túlio Isac: 'Estou sem paz para trabalhar'
O secretário Extraordinário de Comunicação, Túlio Isac, não quis dar entrevista sobre a possível ilegalidade no contrato e as dívidas com a Agecom e atribuiu a reportagem à "perseguição e birra” contra ele. “Não estou tendo paz para trabalhar.”

A reportagem propôs conversar pessoalmente com o secretário para apresentar documentos, mas ele não aceitou. “Sou totalmente legal, não tenho vantagens, sou tratado do mesmo jeito dos demais. Se eu não pagar, tiram meu programa do ar”, disse por telefone. “Não vou falar mais nada com vocês. Que a justiça me puna”, finalizou.

Leia mais clicando aqui.

Empresa de Túlio deve R$ 204 mil à Agecom
Em fevereiro deste ano, a empresa da qual Túlio Isac é proprietário – Top Produções e Publicidade Ltda. – negociou parcelamento de dívida de R$ 204 mil com a Agecom. O POPULAR teve acesso a documentos que mostram que as cobranças vinham sendo feitas, pelo menos, desde dezembro de 2006.

No dia 5 daquele mês, Túlio assinou documento confessando dívida de R$ 128 mil e se comprometendo a quitar o débito em 40 parcelas de R$ 3,64 mil – que somaria um total de R$ 145,6 mil. O documento alertava que o não-pagamento poderia acarretar a suspensão da cessão de espaço na TV e cobrança judicial.

Em 29 de agosto de 2007, o despacho 0357 – da Gerência de Faturamento e Cobrança para a Diretoria Administrativa e Financeira da Agecom – informava que, após cobrança à empresa, “não houve interesse por parte do devedor em quitar o débito”.

A negociação deste ano previa pagamento de 45 parcelas mensais de R$ 5,24 mil. Chefe da Diretoria Financeira, Maíres Moraes disse que só informaria se houve pagamento das parcelas e a dívida atual com autorização do presidente, Valterli Alves, que não foi encontrado pela reportagem. Ele não atendeu o celular.

Postado por Eduardo Horácio às 03:47 de 26/04/08.
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O que Marconi quis dizer com a frase "Eu esperei esse debate como o vigia espera o alvorecer" dita depois do debate da OJC de 31 de agosto?
Que, assim como um vigia, queria ir embora logo do debate;
Que ele está vigiando os adversários até de madrugada;
Que ele não estava nem aí para o debate (ou o alvorecer)
Que depois de Lua Nova e Eclipse ele mal pode esperar pelo Alvorecer
 
 
 
 
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