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Serpes nas entrelinhas: nada definido
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Marconi volta a ter mais tempo de TV
Perillo se contradiz ao explicar documentos e diz que denúncia é "café requentado"
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03/01/08 - Quinta-feira
Política
Iris entra no clima de ‘já ganhou’

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), subiu no "salto alto". Candidato à reeleição em outubro deste ano, Iris diz hoje à coluna Giro (de O Popular) que vai participar da campanha do PMDB no interior do Estado, embora ele, Iris, seja candidato apenas em Goiânia.

Iris não está sendo generoso com o interior. Ele quer ser governador em 2010. Daí querer reaparecer no interior, onde o PMDB hoje vai mal.

Se até admite abandonar a campanha de Goiânia em agosto e setembro por alguns dias, é porque Iris começa a achar que sua reeleição na capital já está garantida. É ou não é o clima de ‘já ganhou’?

Iris, ao entrar no já ganhou, faz uma aposta de risco. Se descuidar de Goiânia, o PMDB pode acabar indo mal no interior e também na capital (onde hoje vai bem nas pesquisas).

Depois da derrota do PMDB em 2006, Iris fez de tudo para que seu partido ficasse a seus pés. Conseguiu.

Para o azar do PMDB.

O partido, que depende apenas de um líder em fim de carreira, sabe que uma derrota de Iris em 2008 praticamente sepulta o PMDB para 2010.

Em tempo: Entre 1996 e 1998, Iris descuidou de Goiás e foi ser ministro de FHC, em Brasília. Na campanha para governador, repetia que teria 1 milhão de votos a mais que o desconhecido Marconi Perillo (PSDB). A história de 1998 todo mundo já conhece.

Postado por Eduardo Horácio às 04:14 de 03/01/08.
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05/01/08 - Sábado
Pesquisa
Os mais lembrados da história de Goiás

Do blog do Vassil

Mário Rodrigues Filho está de férias.

Sem muita coisa em que pensar, decidiu: o seu instituto, o Grupom, vai realizar pesquisa detalhada para identificar os nomes mais lembrados dos políticos de Goiás.

Em todos os tempos.

Naturalmente, não será tarefa fácil, já que um levantamento desse tipo requer cuidados especiais e muito bom senso. Por exemplo:

- quais critérios vão nortear a pesquisa?

- haverá diferenciação entre lembrança e conhecimento efetivo?

- como avaliar o efeito natural do tempo na memória do eleitor?

- como diferenciar a lembrança relativa a Pedro Ludovico, a Nion Albernaz e, hoje, a Alcides Rodrigues e Iris Rezende?

- que fazer no caso do eleitor nem conhecer Pedro Ludovico, mas saber quem é, por razões que nem é preciso detalhar, Deivison Costa ou Pedro Azulão?

Mas isso é café pequeno para Mário.

Postado por Eduardo Horácio às 16:45 de 05/01/08.
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07/01/08 - Segunda-feira
Cinema
Os melhores filmes de 2007

Eis abaixo a lista dos 10 melhores filmes do ano de 2007, na visão de seis jornalistas consultados pelo blog. Nenhum filme conseguiu aparecer nas seis listas. O que chegou mais próximo disso foi Cartas de Iwo Jima, votado por cinco dos seis consultados.

A regra é que deveriam valer apenas os filmes que tiveram estréia em 2007 em algum cinema do Brasil. Filmes que estrearam em 2006, mas continuavam em cartaz em 2007, não deveriam valer.

Houve listeiros indisciplinados. Na verdade, a maioria relacionou mais de dez filmes. E alguns selecionaram filmes que estrearam em 2006 (caso, por exemplo, de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, Match Point e O Diabo Veste Prada).

O blog, no entanto, manteve a lista da forma como foi enviada pelos jornalistas. Se você também tem uma lista top 10 de 2007, coloque-a na seção de comentários. As listas serão publicadas aqui até o fim do mês.


A lista de Marco Aurélio Vigário
01) Os Donos da Noite - James Gray
02) A Conquista da Honra - Clint Eastwood
03) Jogo de Cena - Eduardo Coutinho
04) Império dos Sonhos - David Lynch
05) Tropa de Elite - José Padilha
06) A Rainha - Stephen Frears
07) Cartas de Iwo Jima - Clint Eastwood
08) Pecados Íntimos - Todd Field
09) A Vida Secreta das Palavras - Isabel Coixet
10) Scoop - O Grande Furo - Woddy Allen
Observações de Marco: Se fosse escrevê-la amanhã, talvez fizesse algumas alterações (a gente vai lendo, refletindo e mudando de opinião), mas no geral é isso mesmo. Vi pouco mais de 30 estréias esse ano. Perdi algumas boas. Então essa pode ser a explicação pra algumas ausências. Gostei da brincadeira.


A lista de Marcos Bandeira
01) Cartas de Iwo Jima - Clint Eastwood
02) Scoop - O Grande Furo - Woddy Allen
03) Tropa de Elite - José Padilha
04) Notas sobre um Escândalo - Richard Eyre
05) Babel - Alejandro Gonzales
06) O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias - Cao Hamburger
06) Não por Acaso - Philippe Barcinski
07) O Diabo Veste Prada - David Frankel
07) Mais Estranho que a Ficção - Marc Forster
08) Diamante de Sangue - Edward Zwick
09) 300 de Esparta - Frank Miller
10) Ponte para Terabítia - Gabor Csupo
10) Tá Dando Onda - Ash Brannon e Chris Buck
10) Os Simpsons - David Silverman
Observação de M. Bandeira: Não fui muito ao cinema em 2007. De toda forma, é uma lista com o que vi de melhor (?)


A lista de Vassil Oliveira
01) Bobby - Emilio Estevez
(vi em vídeo - o que foi muito bom, porque os Extras são uma beleza à parte)
02) A Rainha - Stephen Frears
03) O Labirinto do Fauno - Guillermo Del Toro
04) Tropa de Elite - José Padilha
05) Pecados Íntimos - Todd Field
06) A Lenda de Beowulf - Robert Zemeckis
07) Cartas de Iwo Jima
& A Conquista da Honra - ambos de Clint Eastwood
08 - Um Amor Além do Muro - Dominik Graf
09) O Cheiro do Ralo - Heitor Dhalia
10) Conduta de Risco - Tony Gilroy
Observações de Vassil: Devo dizer que não vi filmes que me falaram que são bons, como Império dos Sonhos, a Vida dos Outros e A Vida Secreta da Palavras, além de alguns brasileiros elogiados. A decepção (em relação ao livro): O Passado. Nada posso falar de O Amor nos Tempos do Cólera. O livro é maravilhoso, perfeito, mas... não vi o filme. E se houver uma classificação do tipo mais ou menos, coloco este, porque até hoje não sei se gostei ou não do filme: Babel.


A lista de Eduardo Horácio
01) Um Amor Além do Muro - Dominik Graf
02) Jogo de Cena - Eduardo Coutinho
03) A Rainha - Stephen Frears
04) Bobby - Emilio Estevez
05) O Passado - Hector Babenco
06) Cartas de Iwo Jima - Clint Eastwood
07) Zodíaco - David Fincher
08) Scoop - O Grande Furo - Woddy Allen
09) O Cheiro do Ralo - Heitor Dhalia
10) Maria Antonieta - Sofia Coppola
Observações de Eduardo: Lamento não ter visto, ainda, filmes bem elogiados como Império dos Sonhos, Santiago, Cão sem Dono, Medos Privados em Lugares Públicos e A Vida Secreta das Palavras. Dos que coloquei na lista, o que mais me surpreendeu foi O Zodíaco, pois sempre espero pouco de David Fincher. E o pior filme do ano é, sem dúvida, Tropa de Elite.


A lista de Brisa de Queiroz
01) Jogo de Cena - Eduardo Coutinho
02) O Cheiro do Ralo - Heitor Dhalia
03) Santiago - Joao Moreira Salles
04) Ratatouille - Brad Bird
05) O Ultimo Rei da Escocia - Kevin MacDonald
06) Pecados Íntimos - Todd Field
07) Cartas de Iwo Jima - Clint Eastwood
08) Os Simpsons - David Silverman
09) Cão sem dono - Beto Brant
10) Babel - Alejandro Gonzales


A lista de Liberato Santos
(ele fez a lista sem ranqueá-la)

Piaf – Um Hino ao Amor - Olivier Dahan
A Bolha - Eytan Fox
Tropa de Elite - José Padilha
O Cheiro do Ralo - Heitor Dhalia
2:37 - Murali K. Thalluri
A Vida Secreta das Palavras - Isabel Coixet
Medos Privados em Lugares Públicos - Alain Resnais
Um Lugar na Platéia - Danièle Thompson
Ratatouille - Brad Bird
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias - Cao Hamburger
Scoop - Woddy Allen
Babel - Alejandro Gonzales
Match Point - Woddy Allen
Motoboys - Caito Ortiz
Motoqueiro Fantasma - Mark Steven Johnson

Postado por Eduardo Horácio às 03:39 de 07/01/08.
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12/01/08 - Sábado
Política
Marconi atropelado em Brasília
Ilustração: Marcos Roberto

Por Filemon Pereira
Tribuna do Planalto

O senador Marconi Perillo (PSDB) afirmou, antes do recesso de final de ano, que seria o novo líder do PSDB no Senado em 2008.

A declaração do tucano ocorreu nos corredores do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE), local onde ele concedeu uma coletiva no dia posterior à barração da CPMF no Senado. Marconi estava exultante.

Na última semana, no entanto, Arthur Virgilio (PSDB-AM) foi confirmado para mais um ano na liderança do partido.

Imediatamente, o senador goiano mudou o discurso. Declarou que ele 'bateu o martelo' em torno da permanência de Virgílio.

Nos bastidores, o clima entre os dois tucanos não é dos melhores.

Marconi e Arthur Virgilio se desentenderam na condução da votação da CPMF. O senador goiano negociou com Lula a prorrogação do imposto, mas foi desautorizado pelo líder tucano e obrigado a recuar.

No auge do embate, Virgílio ameaçou a deixar a liderança do PSDB. Marconi cedeu, fechou questão contra a CPMF, mas saiu crente que seria o novo líder. Não conseguiu.

Até aqui, 2 a 0 para o amazonense, um dos principais nomes no Congresso.

Postado por Eduardo Horácio às 03:53 de 12/01/08.
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15/01/08 - Terça-feira
Política
O sonho de todo repórter político

Repórteres políticos tarados por eleição (100% deles) têm inveja mesmo é do processo eleitoral dos Estados Unidos.

Lá, com essa história de primárias, a eleição dura mais de ano. Uma beleza.

Pena que por aqui nada acontece antes do carnaval.

Postado por Eduardo Horácio às 01:03 de 15/01/08.
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16/01/08 - Quarta-feira
Cinema
Filmes na TV Aberta

Uma boa sugestão do jornalista Marco Aurélio Vigário: o blog Filmes na TV Aberta. Quem escreve nele é o paulistano Airton Shinto.

Como o nome sugere, é um guia para quem acompanha filmes na TV Aberta.

Seja por opção ou em função dos preços altos dos ingressos de cinema, do aluguel de DVDs e da assinatura de TV a cabo.

Claro, a TV aberta, em geral, maltrata o cinema: dublagens ruins, cortes de cenas e excesso de intervalos são três dos problemas principais.

Ainda assim, há o que ver.

Ontem, por exemplo, o filme italiano Os Cem Passos passou na TV Cultura. Não é obra-prima, mas não é lixo. E é um filme que nem existe em DVD por aqui.

Além do blog, Airton mantém uma comunidade no Orkut com mais informações.

Postado por Eduardo Horácio às 01:34 de 16/01/08.
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17/01/08 - Quinta-feira
Saúde
Mortes por febre amarela já superam 2007

Número de casos subiu para dez, com quatro registros novos, incluindo duas mortes confirmadas ontem pelo Ministério da Saúde

Em 2007, cinco pessoas morreram da doença; para ministério, é provável que novas vítimas tenham se infectado em matas de GO

Angela Pinho e Johanna Nublat
Hoje na Folha de S.Paulo

O número de casos de febre amarela no Brasil neste ano já subiu para dez, com quatro registros novos confirmados ontem pelo Ministério da Saúde, incluindo duas mortes. Já são sete os mortos pela doença em 2008. Outros 12 registros estão sob investigação e sete foram descartados após análises.

Os números deste ano, passados apenas 16 dias, já superam os de todo o ano passado. Em 2007, foram registradas cinco mortes provocadas pela doença, entre seis casos.

Desde 2003 não havia nem tantos casos nem tantas mortes por febre amarela no país. Naquele ano, o país registrou 64 casos e 23 mortes.

Em 2004, foram cinco registros, com três mortes. No ano seguinte, foram confirmados três casos e três mortes. Em 2006, houve dois casos e duas mortes e, no ano passado, seis casos e cinco mortes.

Todos os registros, de acordo com o ministério, são de febre amarela silvestre, isto é, contraída em região de matas. A variável urbana, transmitida pelo mesmo mosquito da dengue, foi erradicada em 1942.

Segundo o ministério, os casos confirmados ontem são de pessoas que contraíram o vírus provavelmente em áreas de mata de Goiás - a pasta não divulgou os municípios.

Postado por Eduardo Horácio às 01:03 de 17/01/08.
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17/01/08 - Quinta-feira
Viva o agronegócio?
Fim do Cerrado favorece febre amarela

Estudiosos apontam um desequilíbrio ecológico em Goiás provocado pela expansão das cidades e da fronteira agrícola

Para ministra Marina Silva, desmatamento, alterações do ecossistema e aumento das cidades causam migração de animais para áreas urbanas

Por Talita Bedinelli e Eliane Cantanhêde
Edição de hoje da Folha de S.Paulo

A degradação do cerrado no Centro-Oeste é uma das principais causas do aumento de casos de febre amarela em macacos, segundo especialistas em ambiente. Isso, somado a falhas no combate ao mosquito transmissor da doença, pode ter levado a um aumento do número de casos em relação a anos anteriores, dizem.

Para o presidente da Sociedade Goiana de Infectologia, Marcelo Daher, a Usina Hidrelétrica Corumbá 4, em Luziânia - que entrou em operação em janeiro de 2006 -, ajudou a provocar um desequilíbrio ecológico, que pode ter relação com os casos atuais em Goiás.
"Os macacos e animais vão para áreas mais próximas de centros urbanos, neste caso, provavelmente para Brasília e Anápolis, que ficam perto da região alagada [pela represa]."

Na opinião dele, há também relação entre a construção, em 1998, da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, em Minaçu, e o alto número de casos em 2000. Na ocasião, houve 24 mortes perto de Alto Paraíso do Goiás, que fica próximo da represa.

A Corumbá Concessões S.A, dona da Corumbá 4, afirma que se houvesse relação, as mortes teriam acontecido antes, logo após a construção. A reportagem procurou às 17h Furnas, que administra Serra da Mesa, mas não havia mais um técnico para comentar o assunto.

Biólogos dizem que não é possível afirmar que há relação direta entre as usinas e o aumento de casos. Mas afirmam que o desequilíbrio ecológico pode colaborar para o aparecimento dos casos.

Esse desequilíbrio, na opinião do professor de engenharia florestal Reuber Brandão, da UnB (Universidade de Brasília), pode ser ocasionado também pela expansão das cidades e da fronteira agrícola.

"O cerrado é uma região de expansão agropecuária, de crescimento das cidades e implementação de infra-estrutura. Então, há a redução dos ambientes naturais o que pode adensar os animais e, com isso, ampliar a possibilidade de propagação de doenças entre eles."

Apenas 61,1% da área do cerrado está conservada atualmente, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente.

Macacos de estimação
Para a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, a migração crescente de animais silvestres para áreas urbanas, aumentando o risco de doenças tropicais, é provocada por três fatores: o desmatamento, as alterações do ecossistema e o aumento e a proliferação das cidades.

"É claro que o aumento da remoção da cobertura vegetal, as alterações do ecossistema por intervenção humana e o avanço dos assentamentos humanos provocam uma convivência cada vez maior de pessoas com animais, produzindo efeitos e desequilíbrios que não são positivos", disse.

A convivência pacífica entre homens e animais gerou também uma prática condenável: "Uma prática equivocada, por falta de compreensão e de informação, de dar alimento aos animais, criando um processo fora da cadeia de reprodução normal dos animais".

Ela citou como exemplo os macacos, que têm morrido em Goiás e Minas e podem ser vetores da febre amarela: "As pessoas, até bem intencionadas, mas equivocadamente, põem um cacho de bananas no fundo do quintal de casa ou da chácara para os macacos, o que leva a um aumento da migração".

De acordo com o coordenador de fauna e recursos pesqueiros do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Leo Caetano Fernandes da Silva, a retirada de macacos da natureza também contribui com o aumento de animais em áreas urbanas. Muitos, diz ele, acabam soltos dentro das cidades porque dão muito trabalho.

O maior número de macacos na cidade e o grande número de mosquitos Aedes aegypti (transmissores de febre amarela e dengue) podem ter colaborado para o aumento dos casos entre os humanos, ressalta a bióloga Marilda Schuvartz, professora da UFG (Universidade Federal de Goiás).

Para ler a reportagem da Folha na íntegra, clique aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 04:04 de 17/01/08.
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18/01/08 - Sexta-feira
Saúde
Febre Amarela é o Césio de Alcides?

Em 1987, quando o Césio 137 já tomava grandes proporções, o governador Henrique Santillo parecia desnorteado. Informações desencontradas somadas a um governo omisso fizeram com o que as conseqüências do acidente radioativo fossem ainda maiores.

Agora, em 2008, a Febre Amarela já soma 10 mortes no Brasil. Mais do que todo o ano de 2007. Quase todos os mortos foram contaminados em Goiás.

O que faz o governador Alcides Rodrigues? Absolutamente nada. Nenhum pronunciamento oficial na TV, nenhuma entrevista coletiva, nada de satisfação. Parece estar no Reino da Dinamarca.

O secretário de Saúde do Estado, Cairo de Freitas, passou o início do ano mais fora do que dentro de Goiás. Quando falou do assunto, minimizou-o, deu de ombros. Agora, opta por travar uma (justa, mas não prioritária) briga por espaço com o secretário da Fazenda, Jorcelino Braga.

Braga, aliás, que só pensa em acumular poder. Quer controlar tudo. O pior: acumula poder só para ter mais poder. Apenas isso. Não tem um projeto político, não tem uma estratégia para o Estado. Braga, no governo, é um secretário cheio de poder e vazio de idéias.

E assim anda o governo. Caminha para trás, às vezes para o lado. A educação vai mal, a cultura é desprezada, a segurança pública é denunciada e a saúde está um caos. Alcides já está no poder há 22 meses. Mas seu governo até hoje não começou.

Postado por Eduardo Horácio às 03:24 de 18/01/08.
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19/01/08 - Sábado
Meu nome não é Johnny
Enfim, um antídoto para Tropa de Elite
Foto: divulgação

Novo filme de Mauro Lima, Meu nome não é Johnny não vai mudar a vida de ninguém. Nem a história do cinema brasileiro. Mas está acima da média. O filme se inspira no livro-reportagem de mesmo nome. No livro, o autor Guilherme Fiuza conta a história de João Guilherme Estrella, o mais famoso traficante de cocaína da classe média em seu tempo.

Dado o frescor de Tropa de Elite, a comparação entre os dois filmes é quase inevitável. Traficantes são capetas, como define o capitão Nascimento? Consumidores também? O que dizer de traficantes que traficam para sustentar o próprio consumo? O que dizer de consumidores que consomem por vício e não por opção?

Não dá para ficar a favor de João Estrella. Mas também não dá pra não entendê-lo, o que não significa absolvição. Se o combate às drogas fosse tão simples como propõe Tropa de Elite, a "guerra" do capitão Nascimento já estaria ganha (e não perdida) há muito tempo.

O maior mérito de Meu nome não é Johnny é não simplificar o mundo, é expor ambigüidades. E fugir do tom pedante, maniqueísta e professoral de Tropa de Elite.

Como bem observa Contardo Calligaris, o filme não cai na tentação fácil de dizer que a educação solta do pai é a culpada pelo vício do filho. Para ficar num só exemplo que rompe com o "lenga-lenga", o pai não reprime o rojão que é solto na sala; mas, em outro momento, diz ao filho que terá de pagar pela prancha, se quiser surfar.

O moralismo, claro, preferiria ver um João Estrella caricatural, o que seria um prato cheio para condená-lo sem hesitações.

Não se deve perder de vista que Tropa de Elite mostra (e encampa, ainda que sutilmente) a visão do capitão Nascimento. Nem esquecer que Meu nome não é Johnny também tende para a visão de João Guilherme Estrella.

Uma boa surpresa é o ritmo bom, pontuado com bom humor. Ninguém percebe os 128 minutos de filme. Os diálogos são inteligentes e verossímeis, combinação rara no cinema.

A trilha sonora se adapta a cada momento do filme, o que é um bom recheio pop para facilitar o diálogo com o público. Exemplo: quando Selton Mello (que interpreta João Estrella) e sua banda tocam Outra vez, de Roberto Carlos, o esperado ali seria a cena destoar do todo. Mas acontece o contrário: até a canção se torna menos brega.

Selton Mello, aliás, está em seu melhor filme, a despeito de duas boas atuações anteriores (O Cheiro do Ralo e Árido Movie). Selton melhora o filme no mesmo patamar que Philip Seymour Hoffman's melhora Capote e Daniel Oliveira engrandece Cazuza. Cléo Pires (que interpreta Sofia, mulher de João) também se destaca. Só não dá para compará-la com obras anteriores. Afinal, dizer que Cléo está melhor do que esteve em Benjamin (seu único filme anterior) nada acrescenta.

Apesar de não simplificar e de não recorrer ao moralismo fácil, o filme adota a narrativa clássica hollywoodiana. Fazendo justiça à estrutura clássica, o protagonista assume a culpa, mas a assume de forma ambígua, lançando dúvidas sobre os limites entre dentro e fora da lei.

De resto, este blogueiro exorciza de vez Tropa de Elite. Não há mundo ideal. Mas, com todos os defeitos, o mundo de dúvidas de João Estrella é melhor, mais complexo e mais rico do que o mundo de certezas do capitão Nascimento.

Postado por Eduardo Horácio às 02:34 de 19/01/08.
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19/01/08 - Sábado
Política
Alcides e Marconi já estão rompidos

Por Vassil Oliveira
Da Tribuna do Planalto

A ruptura entre o governador Alcides Rodrigues (PP) e o senador Marconi Perillo (PSDB) já aconteceu. Só não vê quem não quer. Mas o maior problema na base aliada hoje não é este. É o andar de cima negar, sem razão aparente, uma crise que tonteia o andar de baixo, que corre por todos lados para salvar a pele antes que seja tarde. A não ser que tudo não passe de um calculado movimento de auto-destruição consciente.

O tempo perdido com a negação do inegável é tempo ganho pelo adversário, o PMDB, que trata de vender a idéia de volta inevitável do partido ao poder em 2010. Só assim para se entender por que tem governista pregando o fim dos tempos como se anunciasse a boa-nova.

Leia a continuação do texto clicando aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 01:49 de 19/01/08.
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19/01/08 - Sábado
Política
Furo da semana: PMDB abraça Alcides

Um furo, capa desta semana na Tribuna do Planalto: o presidente regional do PMDB, Adib Elias, diz que seu partido "fica com Alcides se ele mostrar quem arrebentou o Estado".

Ou seja:
- Se Alcides oficializar seu rompimento com Marconi, o PMDB topa aliança com Alcides e, até mesmo, participar de seu governo
- É a primeira vez que um peemedebista diz isso publicamente

Comentário meu:
É tudo que Marconi quer. Nada melhor do que se livrar de um governador com impopularidade crônica e ainda arrastar essa impopularidade para seu principal adversário (o PMDB). O PMDB, por outro lado, se aliar com Alcides, além de ficar colado a um governo impopular, vai perder seu discurso de oposição.

Resultado:
Marconi volta em 2010 com um discurso forte contra a aliança PMDB-Alcides, assim como Iris se elegeu em 1990 atacando a aliança Henrique Santillo/Paulo Roberto Cunha.

O esperto e a esperteza:
O PMDB, no entanto, hoje se acha o mais inteligente dos partidos ao fomentar um rompimento (que seria inevitável) entre Marconi e Alcides.

Postado por Eduardo Horácio às 02:19 de 19/01/08.
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23/01/08 - Quarta-feira
Cinema
Comentário sobre Tropa de Elite

Por Marco Aurélio Vigário
(comentando o post anterior)

Eduardo, concordo com tudo o que disse sobre Tropa de Elite, exceto com uma coisa: a visão simplista, moralista e eugênica é do Capitão Nascimento, e não do José Padilha. Como Tropa de Elite é filmado em primeira pessoa, Padilha faz uma imersão no ponto de vista do Capitão. Mas isso não quer dizer que endosse a visão de mundo do personagem.

Nascimento é um homem à beira de um colapso de nervoso, sem amigos. Um homem que perde a família e que, mesmo quando tenta fazer a coisa certa (recuperar o corpo de um filho para a mãe), só produz mais e mais corpos. Ou seja, seu discurso não se sustenta. Nascimento se propõe a missão de escolher um substituto porque não aguenta mais o Bope. É mais uma vítima dessa guerra, embora adote um discurso de vencedor. Está racionalizando. Na prática quer mesmo é pular fora da situação.

A tragédia que Tropa de Elite tenta denunciar é que, embora insustentável, a visão de mundo de Nascimento se reproduz e sobrevive com a ascensão de André, um rapaz gente boa que, de tanto levar pancada, se converte à idelologia do Bope. A cena final de Tropa de Elite mostra o substituto de Nascimento com uma arma apontada para a câmera, ou seja, para o espectador. O alerta é claro: uma polícia sem controle (que se considera acima da lei) se volta contra a própria sociedade.

A revista Veja, com a capa sobre Tropa de Elite, aproveitou-se da situação para fazer uma leitura enviesada do filme. Muita gente adorou, porque a verdade é que muita gente se identifica com Nascimento. Mas isso é um problema dessa gente. Não é a intenção do José Padilha. Na entrevista que ele deu ao Roda Viva comparou a situação com uma fotografia famosa - Martin Scorsese com as mãos na cabeça depois uma sessão de Taxi Driver (ele não consegue acreditar no acaba de ver: a platéia delirando com o personagem doente criado por ele e interpretado por Robert De Niro). É uma coisa a que se está sujeito. O autor não manda no significado da obra depois que ela ganha as ruas. Está à mercê de todo tipo de interpretação.

Mas não precisa ir longe. Tropa de Elite é baseado num livro que tem como co-autor o Luiz Eduardo Soares. Esse cara, você sabe, é o mesmo que denunciou a existência de uma "banda podre" na polícia quando era secretário de Segurança do Rio de Janeiro. Que interesse ele teria em produzir uma obra que defendesse a truculência dessa mesma polícia?

Outra coisa: José Padilha. O filme anterior do cara é Ônibus 174, documentário que resgata a história de vida de um sequestrador morto pela polícia. Ônibus 174 denuncia a incompetência da polícia para lidar com uma situação de risco. Na contracorrente do senso comum, investiga várias facetas da vida do criminoso, humanizando-o. Padilha foi acusado de defender bandido. Naquela época, porém, o que ele fez foi mergulhar num episódio trágico e revolver o seu substrato. Trouxe à tona aspectos que horas e horas de reportagens não conseguiram revelar.

Não é subestimar a inteligência desses caras dizer que eles querem simplesmente defender policial agora? Que aprovam sem ressalvas a forma como a criminalidade vem sendo combatida no Rio de Janeiro?

Dizer que o filme de Padilha endossa a visão do Capitão Nascimento é como dizer que Camus endossa a visão de Mersault em O Estrangeiro. O que ambos fazem é mergulhar no universo de seus personagens para mostrar as distorções e o vazio que há neles. Só isso.

(o texto acima é uma reprodução do comentário que Marco Aurélio Vigário fez ao post anterior deste blog: "Enfim, um antídoto para Tropa de Elite". Como o comentário foi muito bom, acabou virando um post)

Postado por Eduardo Horácio às 18:34 de 23/01/08.
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26/01/08 - Sábado
Política
O ‘tempo novo’ nunca existiu

Por Vassil Oliveira
Da Tribuna do Planalto

Que 'tempo novo' não passa de um slogan de campanha, isso já foi dito aqui mais de uma vez. Vendido como projeto diferenciado de governo, tudo nunca passou de pura - e boa, diga-se - propaganda, tantas vezes repetida pra ver se, como naquele preceito clássico, virava verdade. Pra você, virou? A questão não é 'o que vem a ser' o tal 'tempo novo', mas 'quem é'. Porque o 'quem é' nega naturalmente o 'o que vem a ser'. Põe tudo por terra. Raciocinemos.

A personificação majoritária do 'tempo novo' é o senador Marconi Perillo (PSDB), por conta de seus dois governos. Ninguém 'é' mais do que ele. Porque nasceu com ele essa história, na campanha de 1998. Na época, a oposição se uniu em torno de seu nome em uma coligação que se denominou 'Certeza de Um Tempo Novo' (PSDB, PTB, DEM, PP e PSDC). Oposição a quê e contra quem? Oposição aos governos peemedebistas e contra Iris Rezende, carimbado de 'tempo velho'. Iris, todos sabem, caiu do cavalo, digo, do poder e sofreu o pão que o diabo amassou, quer dizer, foi jogado ao inferno pelos 'temposnovistas'.

Leia a continuação deste texto clicando aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 02:48 de 26/01/08.
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27/01/08 - Domingo
Reforma de Alcides
Por que não anda

Anunciada como resposta ao caos financeiro, a reforma administrativa continua empacada. Isto é péssimo

Por Afonso Lopes
Do Jornal Opção

Há alguma coisa errada com a reforma administrativa do governador Alcides Rodrigues. Ou o rombo não era lá essa coisa toda, de 100 milhões de reais por mês, ou o governo está em estado de choque, sem capacidade administrativa para reagir. Como se fosse um paciente terminal que, depois de todos os esforços da medicina, entregou os pontos.

Não é possível analisar o que está aí fora dessas óticas. Ou o rombo é tão grande que não há mais o que fazer senão esperar pelo pior, ou esses 100 milhões talvez já não sejam assim uma Brastempona tão grande.

Leia a continuação deste texto clicando aqui

Postado por Eduardo Horácio às 02:09 de 27/01/08.
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30/01/08 - Quarta-feira
Meio ambiente
Estamos perdidos

O presidente Lula agora diz que o desmatamento no Brasil é uma "coceira", não um doença grave (clique aqui e veja o vídeo em que fala isso).

O pior de tudo é que Lula não está mentindo para si mesmo. Ele, de fato, acha isso mesmo. Essa, aliás, é a grande tragédia.

A cabeça de Lula é a mesma dos líderes do "socialismo real", que colocava o crescimento em primeiro lugar, independente dos danos ambientais. Basta ver a quantidade de usinas nucleares construídaas pelos países que foram alinhados à antiga URSS.

Na Europa de hoje, sempre que o chefe de governo vai tomar uma decisão, ele consulta primeiro o ministro do Meio Ambiente. O meio ambiente não é coadjuvante, é a matriz de qualquer política pública.

No Brasil, Lula e toda a esquerda (e a direita também) tratam as questões ambientais como um estorvo ao crescimento do país.

E quem mais desmata é quem mais méritos recebe do governo. O agronegócio é o maior exemplo disso. Fazendeiros são tratados como os heróis do crescimento do Brasil, mas ninguém fala que foram eles que ajudam bastante a destruir o resto que existe de cerrado e amazônia no país.

Postado por Eduardo Horácio às 21:45 de 30/01/08.
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O que Marconi quis dizer com a frase "Eu esperei esse debate como o vigia espera o alvorecer" dita depois do debate da OJC de 31 de agosto?
Que, assim como um vigia, queria ir embora logo do debate;
Que ele está vigiando os adversários até de madrugada;
Que ele não estava nem aí para o debate (ou o alvorecer)
Que depois de Lua Nova e Eclipse ele mal pode esperar pelo Alvorecer
 
 
 
 
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