Arquivo Mensal
04/06/07 - Segunda-feira
Televisão
Roberto Romano no Roda Viva
Imperdível: o entrevistado do programa Roda Viva de hoje à noite é o professor da Unicamp Roberto Romano. O programa começa às 22h40 na TV Cultura.
Entre os entrevistadores estão Tereza Cruvinel, colunista do jornal O Globo; Alon Feuerwerker, editor de política do jornal Correio Braziliense; Alexandre Machado, diretor de jornalismo da TV Cultura; Carlos Marchi, repórter e analista de política do jornal O Estado de S. Paulo; Fernando Rodrigues, colunista e repórter do jornal Folha de S. Paulo em Brasília e Carlos Graieb, editor-executivo da revista Veja.
Postado por Eduardo Horácio às 02:47 de 04/06/07.
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04/06/07 - Segunda-feira
Operação Navalha
Ênio é Ênio Branco? Da Celg?
A nota abaixo foi publicada no Blog do Noblat, às 12h52:
Uma nova personagem
A Polícia Federal investiga se uma pessoa identificada apenas como Ênio nas gravações telefônicas da Operação Navalha, que conversa com Sérgio Sá, lobista da Gautama, seria Ênio Branco, diretor-presidente da Celg (Companhia Energética de Goiás).
Em conversa captada pela PF, Sá conversa com Ênio sobre suas relações com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O lobista diz que ele e sua mulher foram convidados por Renan para um almoço em sua casa.
Ênio é ligado ao PFL de Santa Catarina, do ex-senador Jorge Bornhausen.
A nota pode ser lida no Blog do jornalista Ricardo Noblat clicando aqui.
Postado por Eduardo Horácio às 12:49 de 04/06/07.
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10/06/07 - Domingo
Análise política
Oposição a Iris em Goiânia é tão ruim quanto oposição a Alcides em Goiás
Provavelmente a política goiana nunca foi tão frágil como agora. Tudo a ver com a fraqueza das oposições. O governador Alcides Rodrigues (PP), com todas as dificuldades que atravessa, tem encontrado um PMDB amistoso, que o elogia bastante e esquece do seu papel de opositor. O prefeito de Goiânia Iris Rezende (PMDB) tem hoje a Câmara de Vereadores a seu favor (o que antes era inimaginável), um PT que não sabe para onde vai e uma base aliada rachadíssima na capital. Muitos desta base até elogiam Iris. Críticas são raras e poucas.
Sorte de Alcides e de Iris; azar de Goiás e de Goiânia. Governos não andam sem oposição. Ou, quando andam, o caminho trilhado é cada vez mais autoritário, pois não há obstáculos, nem debates, nem aprimoramento. Apenas silêncio de cemitério.
Nem mesmo o medíocre lema do Partido Conservador Inglês ("governante não age, apenas reage") é seguido por aqui. Se ninguém age contra Alcides e Iris, por que eles iriam reagir?
Pior do que isso é que no lugar de uma oposição programática do adversário, começam a ganhar força os opositores internos - no caso do governo do Estado. Hoje, a grande ameaça a Alcides não é o PMDB. São seus aliados que o pressionam por cargos.
A pressão sobre Alcides é puramente fisiológica. O que significa a pior oposição possível para uma democracia, já avisava o capítulo 12 de O Príncipe (quando fala dos mercenários).
No caso de Iris, nem oposição interna significativa há. Com dois anos e meio de mandato, Iris ainda não viu oposição forte a ele, como se imaginava ao fim da acirrada campanha de 2004. PT e aliados do PP e PSDB atacaram Iris de todas as formas na eleição. Passado o processo eleitoral, se entregaram. A tal ponto que, em 2006, o PT capitulou e se aliou ao PMDB no segundo turno para governador (o que só não ocorreu no primeiro turno porque o PMDB não quis).
Para ficar só com dois exemplos clássicos, François Mitterrand (na França) e Luiz Inácio Lula da Silva (no Brasil) nunca deixaram de fazer oposição a quem os derrotava.
Mitterand, sempre que perdia eleições presidenciais, no dia seguinte estava nas ruas atacando o vitorioso. Ele perdeu duas vezes e ganhou na terceira.
Lula perdeu em 1989, 1994 e 1998 e, em todas elas, nunca desistiu do papel de oposição. No dia seguinte já articulava o PT para tentar frear o governo do adversário. O que sempre foi absolutamente saudável para a democracia. Hoje o Brasil não tem uma oposição que lembre aquela comandada pelo PT.
Voltando a Goiânia, a oposição sempre foi forte nas urnas e fraca nos gabinetes.
Em 2000, Nion Albernaz enfrentava forte oposição do goianiense, que era contra o aumento do IPTU, o veto ao transporte alternativo e a perseguição aos feirantes. Oposição que os partidos em nenhum momento fizeram. A voz do eleitor goianiense - bastante exigente - sempre esteve à frente da voz dos políticos.
Em 2004, da mesma forma, Pedro Wilson foi muito mal em questões como transporte alternativo e asfaltamento da cidade. Mas ninguém o criticava. PSDB e PMDB sonhavam em indicar o vice de Pedro, que era candidato à reeleição (lembremos que Iris só foi criticar Pedro Wilson faltando três meses para o pleito).
Mas quer saber? A história recente das eleições em Goiânia mostra que o eleito é sempre aquele que só faz oposição oportunista, que só fez críticas à prefeitura no período eleitoral.
Aos exemplos: 1) Nion Albernaz (PSDB), vitorioso em 1996, passou os quatro anos da administração de Darci Accorsi (então no PT) quase em silêncio. Centrava fogo no PMDB antes disso. Só criticou o PT no período eleitoral; 2) Pedro Wilson (PT), que ganhou em 2000, não fez nenhuma crítica direta à administração de Nion antes do período eleitoral. E, mesmo no período eleitoral, atacou pouco Nion e bateu bastante em Darci, que era seu concorrente direto; 3) Em 2004, até o início do ano, o PMDB nunca tinha feito uma só crítica a Pedro Wilson e sonhava em indicar o vice dele. Tanto que Iris chegou a dar nota 10 para a administração petista a menos de um ano da eleição. No período eleitoral, no entanto, Iris bateu duro em Pedro e manteve o primeiro lugar de ponta a ponta.
Ou seja: mais do que uma novidade, já é tradição em Goiânia não existir oposição de fato. O que impera é o modelo de oposição oportunista, que aparece no período eleitoral para tentar uma sintonia com o que pensa o eleitor. Uma hora, pode não dar certo.
Quem seria o oportunista vitorioso da vez? PT, PSDB, PP, PSB? Ou, desta vez, a situação (com o PMDB) derrota a tese?
Postado por Eduardo Horácio às 20:54 de 10/06/07.
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17/06/07 - Domingo
Análise política
Debate da dívida do Estado é surreal
Oposição dá trégua a Alcides e bate em Marconi. Já o governo esbraveja muito, mas não revela números do buraco financeiro de Goiás
Nas entrelinhas do debate entre governo e oposição para ver quem é o responsável pelo endividamento do Estado, sobram erros de estratégia dos dois lados.
A oposição peemedebista, capitaneada pelo prefeito de Goiânia, Iris Rezende, e pelo ex-governador Maguito Vilela, mira no ex-governador e senador Marconi Perillo (PSDB) e esquece o governador Alcides Rodrigues (PP).
Já os governistas erram em duas frentes: Alcides Rodrigues (PP) nega-se, até agora, a dar transparência aos dados da dívida e Marconi Perillo põe a culpa exclusivamente no PMDB, também sem dar números que diz ter, apenas relembrando fatos antigos.
Além do debate ser marcado por estratégias erradas - como se verá a seguir -, ele também é surreal. Se o assunto é dívida, a questão é mais contábil do que política. Bastaria que os números fossem apresentados sem maquiagem para que o imbróglio se resolvesse naturalmente.
Número por número, balanço por balanço, a população (interessada maior) saberia a origem das dívidas que hoje paralisam os investimentos do Estado.
Filme repetido O PMDB repete, agora em 2007, erro semelhante ao ocorrido na eleição de 2006. No ano passado, Maguito disputou a eleição para governador no primeiro turno sem atacar Marconi Perillo uma só vez, centrando fogo apenas em Alcides (ainda assim, moderadamente). Resultado: o governo Marconi não foi desconstruído, o que possibilitou que crescesse um caldo de cultura eleitoral a favor do candidato que defendesse o governo Marconi (e esse candidato foi Alcides).
Apenas no segundo turno, quando a eleição já estava praticamente perdida, é que o PMDB começou a bater em Alcides.
Em entrevista ao jornal Tribuna do Planalto no mês de março deste ano, Maguito disse que apenas seguiu orientações quando deixou de criticar Marconi Perillo. "Era o que todo mundo me recomendava", disse ele. A estratégia, reconhece ele, estava errada.
E Maguito ainda disse que não tinha controle nenhum sobre sua campanha. O estranho é, agora, a estratégia ser repetida: Marconi apanha, Alcides não. Tanto que Iris, nesta semana, recomendou a Alcides que desse transparência à dívida herdada dos quase oito anos de gestão de Marconi Perillo. E Maguito, na quarta-feira, 13, disse em evento na Assembléia Legislativa que "Marconi precisa enfrentar as coisas com verdade", em vez de "tapear e falar muito".
Aparentemente, a estratégia de bater em Marconi parece certa: afinal, em 2010 ele é provável candidato a governador, enquanto Alcides está impedido pela legislação de ser candidato, já que foi reeleito. Mas não é.
Com a trégua a Alcides, o atual governador deve nadar os quatro anos sem oposição, o que tende a fazer dele, daqui a alguns anos, um bom cabo eleitoral para 2010.
Em 2006, o PMDB bateu no candidato (Alcides) e deixou de lado o cabo eleitoral (Marconi). Agora, ocorre o mesmo: o cabo eleitoral potencial (Alcides) é deixado de lado, enquanto o candidato provável apanha (Marconi). A estratégia correta, a julgar pelo comportamento da oposição no mundo inteiro, é ser oposição de fato a tudo que representar governo, e não só a uma ala do governo.
Transparência Os aliados Alcides Rodrigues e Marconi Perillo, por sua vez, também contribuem para que o debate lançado pela oposição não perca fôlego.
Afinal, Alcides Rodrigues permanece em silêncio, sem sequer esboçar que vá dar transparência às contas do Estado, o que seria sua obrigação.
E Marconi Perillo, em vez de apresentar números e provar o que fala, apenas contra-ataca, colocando a culpa da dívida no governo de Maguito Vilela (1995-1998). Se ninguém mais nega que há uma dívida, por que não expor claramente esses números, sem maquiá-los?
Há, ainda, outra contradição.
Durante o final de seu primeiro mandato de governador, em 2002, Marconi Perillo disse que a dívida do Estado, herdada dos governos do PMDB, já estava quase toda paga. Depois de 2002, Marconi ficaria mais quatro anos à frente do Estado, cumprindo seu segundo mandato.
Se a dívida já estava quase toda paga em 2002, que dívida polêmica é essa de agora, que provoca essa crise financeira no Estado? Quando ela foi contraída?
Assim como o PMDB foca seus ataques exclusivamente em Marconi Perillo, o mesmo Marconi tem atacado apenas Maguito Vilela. Quem sai ganhando com essa história?
Iris Rezende, que caminha praticamente sem oposição na prefeitura e que é provável candidato a governador de 2010. Marconi e Maguito se acusam, Alcides e Iris são poupados. Ninguém no PMDB aposta que Maguito teria apoio interno para ser candidato a governador pela terceira vez consecutiva. Iris tem.
Se Iris sai ganhando com essa história, Alcides também não perde.
Afinal, a qualquer momento o atual governador pode dar transparência às contas do Estado e mostrar de quem é a responsabilidade maior. E, fazendo isso ou não, está sendo poupado.
Sorte de Alcides que o PMDB não bate nele. Assim, seu governo só não dará certo se ele próprio não quiser. Ou, claro, se alguns aliados atrapalharem demais.
Postado por Eduardo Horácio às 07:59 de 17/06/07.
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22/06/07 - Sexta-feira
Análise política
Há 14 meses no poder, Alcides diz que ainda não sabe tamanho da dívida
Na entrevista pingue-pongue concedida hoje ao Diário da Manhã, o governador Alcides Rodrigues (PP) disse que vai acabar com a crise financeira de Goiás "assim que tiver os estudos".
Ele diz que ainda não sabe os números da dívida. E que nada pode ser feito de afogadilho, sem planejamento.
Alcides é mesmo fascinante. Afinal, assumiu o governo do Estado em abril de 2006. Ele está há 14 meses no cargo de governador. E, até hoje, não sabe os números da dívida do Estado. 14 meses!
De duas, uma: 1) A dívida do Estado herdada de Marconi Perillo é tão grande, mas tão grande, que até hoje não deu tempo de descobrir tudo 2) A equipe financeira do Estado tem o mesmo ritimo de trabalho de Alcides
Postado por Eduardo Horácio às 05:07 de 22/06/07.
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22/06/07 - Sexta-feira
Análise política
Marconi cria factóide para ‘esconder’ debate sobre a dívida de Goiás
Com o debate da dívida do Estado, o buraco deixado por Marconi Perillo (PSDB) ficou cada vez mais visível. Difícil de esconder. Um elefante na sala, para usar uma metáfora pobre, mas apropriada.
O que fez Marconi? Desistiu do debate da dívida e lançou um factóide: diz que pode ser candidato a prefeito de Goiânia em 2008. Deixaria o Senado e transferiria seu título eleitoral para Goiânia. O objetivo, diz ele, é derrotar Iris Rezende (PMDB).
Com isso, tenta jogar fumaça no debate da dívida, já que não deixaria o Senado nunca para tentar ser prefeito de Goiânia, ainda mais com o risco enorme que a eleição do ano que vem anuncia. O plano de Marconi continua sendo a volta para o cargo de governador, em 2010.
Mas, por enquanto, vai seguir brincando com essa idéia de ser prefeito de Goiânia.
No fim das contas, Iris Rezende (este, sim, candidato à reeleição para prefeito) é que pode sair ganhando. Marconi não sendo candidato (o que é o óbvio), Iris ainda pode espalhar que o tucano teve medo de ser derrotado na capital.
Mas até lá, claro, outro factóide tucano terá sido criado.
Postado por Eduardo Horácio às 06:19 de 22/06/07.
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24/06/07 - Domingo
Enquete
Iris 11 x 0 Marconi
As duas notas abaixo estão na coluna de Filemon Pereira na Tribuna do Planalto desta semana:
11x0 A Rádio 730 fez uma enquete no programa Hora do Povo sobre uma hipotética disputa entre o senador Marconi Perillo (PSDB) e o prefeito Iris Rezende (PMDB) pela prefeitura de Goiânia, em 2008. Deu goleada irista: 11 a 0.
Dúvida cruel Um único ouvinte ligou na Hora do Povo para dizer que ficaria indeciso em um eventual embate Iris x Marconi. Bom começar a pensar em decidir.
Postado por Eduardo Horácio às 01:21 de 24/06/07.
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25/06/07 - Segunda-feira
Análise Política
A marca ‘Tempo Novo’ morreu?
O ano era 1998 e a história todos os goianos conhecem: alguns partidos se reuniram, lançaram um candidato a governador e batizaram a chapa de "Tempo Novo". A idéia era chamar o principal adversário, Iris Rezende (PMDB), de representante do "tempo velho". Acabou pegando. Marconi Perillo (PSDB) derrotou Iris. O marketing fez bem seu papel e a marca mostrou sobrevida, sendo vitoriosa em três eleições consecutivas para governador de Goiás: 1998, 2002 e 2006.
Ano que vem, a marca faz 10 anos. Será que a base aliada, fragmentada ou não, vai novamente usar esse slogan? Dez anos depois, ela ainda tem força? Este escriba ouviu dois especialistas em marketing. Um é Hamilton Carneiro, publicitário que já comandou várias campanhas vitoriosas do PMDB, incluindo a de Iris para prefeito de Goiânia em 2004. O outro é Carlos Maranhão, que também entende do assunto e foi um dos articuladores da campanha vitoriosa de Marconi em 1998.
Leia a continuação deste texto clicando aqui.
Postado por Eduardo Horácio às 03:31 de 25/06/07.
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