Vanderlan sobe, Marconi oscila e Iris cai
Vanderlan é o menos rejeitado
Senado: Demóstenes e Renner crescem
Dilma dispara: vantagem de 24,2 pontos
Debate mostra fragilidades de Marconi
Veja: houve "armação" contra Marconi
Conheça o histórico de Marconi nos debates
TRE divulga o que leitor do blog já sabia
Veja o tempo dos candidatos ao Senado
Serpes nas entrelinhas: nada definido
Senadores põem na campanha assessores pagos pela Casa
Marconi volta a ter mais tempo de TV
Perillo se contradiz ao explicar documentos e diz que denúncia é "café requentado"
Tucano diz que denúncias são eleitoreiras
STF abre inquérito contra Marconi
Iris tem mais tempo de TV
Os 60,1% que preocupam Iris e Marconi
Eleição em Goiás não está definida
Um passeio fácil da Coreia do Sul
Nem tradição salvou o jogo
 
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01/12/07 - Sábado
Pesquisa Grupom
Iris-2008 é mais forte que Iris-2004
Ilustração: Tribuna do Planalto

A pesquisa Grupom sobre a sucessão de Goiânia (clique aqui e veja os números) consolida algumas idéias que estavam no imaginário de muitos analistas.

A primeira delas: a oposição centro-liberal, comandada por PP e PSDB, ainda não tem candidato viável.

A segunda: Iris está hoje mais forte do que esteve quando venceu a eleição de 2004.

A terceira: o PT, a exemplo de todas as outras eleições, larga mal.

Iris é tão favorito (o que não significa vitória antecipada) que, em todos os seis cenários hipotéticos pesquisados, ele alcança mais votos que a soma de seus adversários, sempre com uma margem segura de 10 pontos porcentuais a favor.

Ou seja: seria reeleito já no primeiro turno, sem a necessidade do segundo.

O PT larga tão mal (como largou nas eleições anteriores, mesmo quando venceu) que no levantamento espontâneo o nome mais lembrado depois de Iris é do não-candidato Pedro Wilson (PT), já que Marconi Perillo (segundo colocado) e Alcides Rodrigues (terceiro colocado) não têm título eleitoral em Goiânia.

Dos candidatos do PT colocados na estimulada (Humberto Aidar e Marina Sant'Anna) pouco se pode falar, já que os índices de ambos são baixos e a diferença entre eles está dentro da margem de erro.

A oposição centro-liberal a Iris segue tão tonta que o candidato mais forte dela (Demóstenes Torres, do DEM) é alguém fora do circuito dos cardeais Alcides Rodrigues e Marconi Perillo.

Não é coincidência. A impopularidade crônica de Alcides fez com que o candidato centro-liberal mais forte fosse alguém desvinculado ao governador. Claro que os bons índices de Demóstenes têm também relação com sua atuação no Congresso Nacional, mas o fato de estar distante do Palácio das Esmeraldas ajuda.

Demóstenes consegue pontuação maior contra Iris do que Barbosa Neto (PSB), outro possível candidato da base aliada. Nem por isso, entretanto, Barbosa deve ser desprezado. Ao contrário. Tem a menor rejeição de todos os candidatos e, apesar de integrar o governo estadual, ainda tem (no imaginário do eleitor) seu nome desvinculado a Alcides e Marconi, já que foi candidato a governador no ano passado em uma chapa alternativa.

Barbosa também tem uma imagem de "novidade" que falta em Nion Albernaz (PSDB) e Sandes Júnior (PP), por exemplo.

Algumas certezas a pesquisa já aponta.

Uma delas: Demóstenes Torres se recuperou da derrota na campanha para governador. Se o DEM tiver candidato, este nome será Demóstenes. O levantamento estimulado mostra que Vilmar Rocha (que seria o candidato do DEM) vai mal das pernas, em último lugar, com 0,4%.

Outra certeza: desde a redemocratização do País, nunca um candidato entrou tão forte numa disputa goianiense como Iris entrará em 2008.

Iris lidera em todos os quesitos, mesmo onde é mais fraco. Exemplo: percebe-se que o ponto fraco de Iris é o público feminino. Enquanto tem 48% entre homens, o peemedebista não passa de 33,5% entre mulheres. Demóstenes e Nion são mais fortes entre mulheres, mas estão 23 pontos porcentuais atrás dos índices de Iris no mesmo item. 

O atual prefeito também é mais forte entre os mais velhos do que entre os mais jovens, tendência também verificada entre os eleitores de Demóstenes e Nion. Este é um ponto favorável a Barbosa Neto (PSB), o único dos principais candidatos com mais força entre os jovens. Ainda assim, mesmo entre os jovens, Barbosa está 15,8 pontos porcentuais atrás de Iris.

Entre os eleitores formadores de opinião (aqueles com formação escolar universitária incompleta ou completa), Iris tem índices menos significativos do que entre os eleitores menos escolarizados. Mas também lidera absoluto em qualquer faixa escolar.

Ou seja, Iris-2008 é mais favorito do que Iris-2004. Faltando 10 meses para a eleição, pode não significar muito.

Mas ele, pelo menos, já sabe onde melhorar para aumentar ainda mais seu favoritismo: entre os eleitores mais jovens, mais escolarizados e do sexo feminino.

Se na região Central Iris é mais fraco que na periferia, é bom lembrar que esta mesma adversidade se verificou três anos atrás, o que não o impediu de sair vitorioso.

Clique aqui e leia análise de Vassil Oliveira

Clique aqui e leia análise de Marcelo Heleno

Clique aqui e leia análise de Eduardo Sartorato

Postado por Eduardo Horácio às 06:58 de 01/12/07.
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08/12/07 - Sábado
Política
Balestra ganha para não fazer nada

O governo Alcides já tem sua nova rainha da Inglaterra: Roberto Balestra (PP). O articulador político oficial do Palácio das Esmeraldas não faz absolutamente nada.

A última prova disso é a reunião política que o secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, teve com o senador Marconi Perillo (PSDB) para acalmar os ânimos do tucanato (para ler a respeito, clique aqui). Balestra nem soube da reunião. E não é a primeira vez que isso acontece.

Postado por Eduardo Horácio às 02:25 de 08/12/07.
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02/12/07 - Domingo
Presidenta?
Heloísa Helena, com 18% no Datafolha, desponta com chances reais em 2010
Foto: Agência Senado

Mesmo fora da mídia, candidata do Psol teria hoje mais votos que qualquer candidato do PT e só perderia para Serra e Ciro, dois nomes ainda incertos para a sucessão de Lula

Se o candidato do PSDB à Presidência da República em 2010 for Aécio Neves, Heloísa Helena (Psol) teria 18% das intenções de voto se as eleições fossem hoje.

Se o candidato tucano for José Serra, seu índice cai para 13%. Nos dois cenários, supõe-se que Ciro Gomes (PSB) seja candidato.

Se Ciro não for candidato, Heloísa Helena fica em segundo lugar. Com Marta Suplicy (PT) no lugar de Ciro e Aécio no lugar de Serra, Heloísa Helena assumiria a liderança nas pesquisas.

Quem revela esses números é a nova pesquisa do Datafolha, divulgada hoje na Folha de S.Paulo.

Os números
No cenário em que os candidatos são Serra, Ciro, a ex-candidata à Presidência Heloísa Helena (PSOL), a ministra do Turismo Marta Suplicy (PT), e o atual ministro da Defesa Nelson Jobim (PMDB), o tucano aparece na frente com 37% das intenções de voto. Ciro aparece em segundo, com 18%, seguido por Heloísa Helena (13%), Marta (6%) e Jobim (2%).

Ciro lidera somente quando Serra sai da disputa, deixando a cabeça da chapa tucana para o mineiro Aécio Neves. No mesmo cenário acima, mas com Aécio no lugar de Serra, Ciro desponta com 27%, Heloísa Helena tem 18%, o tucano mineiro aparece com 15%, Marta tem 9% e Nelson Jobim, 3%.

O Datafolha também elaborou um cenário onde Serra e Aécio aparecem na mesma disputa. Mesmo nesse caso, Serra continua na liderança, com 33%, seguido por Ciro (19%), Heloísa Helena (15%), Aécio (11%) e Nelson Jobim (2%).

Postado por Eduardo Horácio às 01:56 de 02/12/07.
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08/12/07 - Sábado
Política
Jorcelino = Lula + Dirceu + Palocci

Errei feio quando, dois meses atrás, disse que ele adotava o estilo Dilma Roussef (clique aqui e reveja). O secretário da Fazenda de Goiás, Jorcelino Braga, é, de uma só vez, Lula, José Dirceu e Antonio Palocci.

Atualmente, o secretário controla as finanças (é secretário da Fazenda), planeja tudo (a secretaria do Planejamento está submetida a ele), articula politicamente (Balestra é figura decorativa) e ocupa, de fato, a função de governador.

Basta reparar que, no dia da reforma administrativa, apenas Braga concedeu entrevistas. Alcides, na ocasião (e em outras anteriores e posteriores) entrou e saiu em silêncio.

Ou seja: não é só Balestra que é rainha da Inglaterra. Alcides também é.

Postado por Eduardo Horácio às 03:33 de 08/12/07.
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09/12/07 - Domingo
Copa do Mundo 2014
Marta nega ou só confirma mais ainda?

Abaixo, trechos da entrevista da ministra do Turismo Marta Suplicy (PT) ao jornal O Popular de hoje, em que ela tenta reparar a frase, dita anteriormente, de que Goiânia não tinha hotéis suficientes para sediar a Copa do Mundo de 2014 (para ler mais a respeito, clique aqui e aqui).

Muitos goianos ficaram bravos com a senhora por ter dito que Goiânia não tinha condições de sediar a Copa. Como foi isso?
Distorceram um pouco o que eu falei. O que disse tem a ver com um levantamento que o ministério começou a fazer, bem antes de aparecer o assunto Copa, dos 65 destinos prioritários no País. Estão incluídas todas as capitais. Esse levantamento é para que, até 2010, esses 65 destinos alcancem o nível internacional de turismo, que é qualidade em hotelaria, infra-estrutura, aeroportos. Queremos canalizar os recursos do ministério para esses 65 destinos. De Goiás, estão incluídos Goiânia e Caldas Novas. Quando ganhamos a Copa, pedi para a Fundação Getúlio Vargas antecipar para fevereiro os 18 destinos que pleiteam sediar os jogos. Quando as 12 cidades forem escolhidas, em dezembro de 2008, nós vamos afunilar os investimentos necessários para uma Copa. É aí que foi mencionado Goiânia. Eu falei: "Por exemplo, uma cidade como Goiânia provavelmente não tem os leitos necessários”.

E isso pode ser resolvido até a Copa ou impede que Goiânia seja sede?
Não, não impede. É isso que disse, que vamos ter um planejamento não como pensávamos antes, para um nível de qualidade internacional, mas para a Copa, para as exigências da Fifa. Para ser sede temos de averiguar em cada cidade quantos leitos existem. Qual a função do ministério? Não é fazer hotel. Mas quando tivermos as 12 cidades, temos de ir em Goiânia, em Brasília e outras que sabemos não ter a quantidade suficiente de hotel e estabelecer o que será preciso. Aí vamos fazer seminários no Brasil e no exterior para buscar investidores. Foi usado o exemplo de Goiânia, mas podia ser qualquer outra. Vamos avaliar a sustentabilidade de hotéis e definir construção de apartamentos para serem vendidos depois, como foi no Pan. A única cidade em termos de hotel que não tem problema é São Paulo, que tem 45 mil leitos. Lá não tem esse problema, mas tem outros.

Quais seriam esses outros problemas?
Teremos de ver os roteiros turísticos porque a pessoa não vai ficar sentada na cidade depois que o time dela joga. Vai querer passear e aí compete ao ministério fazer um levantamento das cidades que vão ser vendidas como roteiros. Se vai haver jogos em Goiânia, quais os roteiros que poderemos vender aos turistas? Eles terão acesso a um bom aeroporto, há estradas, hotel, restaurantes? Os taxistas serão treinados em outra língua? Teremos recepcionistas adequados? Qualificação adequada? Então é isso. Foi um mal-entendido de bobeira.

Mas de todas essas exigências, Goiânia parece atender a nenhuma. A senhora acha que a cidade pode passar a ter condições de sediar?
Todas as cidades vão ter de se qualificar em alguma coisa. Não é Goiânia. Isso é evidente. Goiânia tem condições como as outras. Como eu disse, em todas vai ter de ser feito investimento. Por que Goiânia não pode ser? Por exemplo, hoje temos vários eventos em Brasília. A deputada, presidente da Comissão de Desporto e Turismo, a Lídice da Mata, veio me dizer que não há número de leitos suficientes. Vários convidados não vieram a um determinado evento porque não encontraram hotel. Então, achar que Goiânia tem alguma particularidade negativa, diferente das outras... Todas vão ter problemas. Agora, isso não é ruim. Isso é bom. É o momento certo de podermos encarar os problemas e resolvê-los. O País tem sete anos para se preparar e o Ministério do Turismo vai ajudar.

O governador de Goiás, Alcides Rodrigues, teve hoje (quarta-feira, 5, data da entrevista) audiência com a senhora. Do que trataram?
Tivemos uma reunião muito simpática com o governador e com o secretário de Turismo (Barbosa Neto, presidente da Agência Goiana de Turismo) e eles trouxeram o Plano Estadual de Turismo, que vai ser lançado dia 18 aqui no ministério, com a participação de cerca de 40 prefeitos. Já havíamos liberado um recurso para que este plano fosse elaborado.

Qual a importância desse plano? Ele vai garantir mais recursos para Goiás?
Ter um plano é por onde se começa e é o mais importante. Fiquei muito contente que o Barbosa tenha feito. O que achei mais interessante é que ele seguiu as diretrizes do Plano Nacional de Turismo 2007-2010. Escolhemos 65 destinos prioritários no Brasil e ele escolheu cerca de 40 em Goiás. O que é inteligente porque não temos recursos para investir em tudo. Lugares lindos há muitos. Escolhendo alguns, a gente foca naqueles, investindo a maioria dos recursos e conseguindo levantar o patamar daquela região. E virão todos os prefeitos para o lançamento. O Barbosa até falou que tem de ser uma sala grande porque virão todos. E eu falei: venham, eu acho ótimo.

Postado por Eduardo Horácio às 00:26 de 09/12/07.
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09/12/07 - Domingo
Copa do Mundo 2014
Retrospectiva Goiânia x Marta

Abaixo, uma lista de links sobre a declaração de Marta Suplicy - e suas conseqüências - de que Goiânia não tinha hotéis suficientes para abrigar uma das sedes da Copa do Mundo de 2014.

07/11
Marta reclama que Goiânia só tem um cinco-estrelas

12/11
Ideli Salvati também reclama de Goiânia

18/11
Tribuna: Hotéis de Goiânia dão conta da Copa

22/11
Governo de Goiás diz que ignora Marta

23/11
Marta liga para Alcides

09/12
Marta aponta 'distorção' em entrevista a'O Popular

Postado por Eduardo Horácio às 00:55 de 09/12/07.
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10/12/07 - Segunda-feira
Análise
A tensão de um é a alegria do outro
Foto: reprodução da Veja

Quando a relação vai mal, tudo vira crise. Na relação entre o governador Alcides Rodrigues (PP) e o senador Marconi Perillo (PSDB) a crise está em seu apogeu.

O caso mais palpitante hoje vem do Senado. Com direito à chamada de capa em Veja (ilustração acima), Marconi acusa a polícia do Senado, comandada por Renan Calheiros (PMDB), de espioná-lo. O tucano goiano diz ter sido avisado por Fernando Cunha (peça marconista no governo de Alcides) a pedido do governador.

Até agora, mesmo sob pressão, Fernando Cunha não confirmou. Alcides nega tudo, o que irrita Marconi. E o ex-deputado Abdul Sebba, ex-marido de uma das supostas detetives de Renan no caso, citado na matéria de Veja, também diz desconhecer tudo.

Alcides nega o que Marconi disse ter ouvido de Fernando Cunha.

Ou seja: alguém mente.

Se a história não for esclarecida, a declaração de Marconi não terá tido confirmação nem mesmo de dois de seus principais aliados (Cunha e Alcides).

Para uma relação em estado de pólvora, é gasolina mais do que suficiente para um incêndio.

Aliados de Marconi tentam forçar o governador a rever sua fala. Alcides está irritado, pois teria sido envolvido numa história que desconhece.

Se Alcides volta atrás, a responsabilidade do caso cai em suas mãos, sem contar o vexame de ter "mudado de idéia". Se não volta, segue nas mãos de Marconi.

Enquanto isso, Fernando Cunha não abre a boca. Se abrir, estará desagradando um dos dois chefes. É inevitável.

Especulações não faltam. Uma delas: por que Renan investigaria Marconi se já tinha votos mais do que suficientes para ser absolvido? Claro, não é improvável que Renan quisesse, além da absolvição, o fim político de seus rivais. Portanto, a especulação até procede, mas não em se tratando de Renan.

Por que Marconi envolveria Alcides, Cunha e Abdul na história se não tinha o apoio deles? Ou tinha, mas eles recuaram?

E mais: Marconi diz que houve uma investigação na Polícia Civil de Goiás sobre uma espionagem política envolvendo o tucano e ele, Alcides, não sabia de nada?

Para dizer o mínimo, não seria óbvio que Marconi pelo menos conversasse isso com ele em um ou outro encontro?

Ou a crise anda tão braba que ele não teria nem mesmo informado, daí exatamente o motivo maior da irritação de Alcides?

A relação entre Marconi e seu sucessor no governo vai tão mal que o tucano hoje está mais próximo do senador Demóstenes Torres (DEM) - que o acusou de tentativa de assassinato na última campanha eleitoral – do que do governador Alcides Rodrigues.

Se Alcides não desdiz o que disse, se Fernando Cunha não abre a boca, caberá a Marconi a solução do caso.

Uma das soluções possíveis seria o silêncio de Marconi, o que talvez fizesse o assunto morrer aos poucos, principalmente agora que Renan foi outra vez absolvido. Mas isso não combina com o estilo-Marconi.

Tanto que no domingo, 2, um dia depois da matéria de Veja, Marconi concedeu uma entrevista coletiva também atribuindo a espionagem a "adversários locais, rivais do PSDB no País e inimigos da democracia".

Independente do desfecho deste caso, quem deve estar rindo é o prefeito Iris Rezende, candidato à reeleição em 2008 e candidatíssimo a governador em 2010.

Afinal, parece uma certeza cada vez mais definitiva o racha entre Alcides e Marconi, o que significa, entre outras coisas, que eles lançarão candidatos distintos a prefeito no ano que vem. E que esses dois candidatos, da ex-base aliada, devem brigar entre si, em vez de apenas atacarem o favorito, Iris. Sorte do PMDB.

Em 2010, então, parece cada vez mais complicado imaginar que Alcides apoiará a candidatura a governador de Marconi Perillo, que tentará o terceiro mandato. Ou seja: a ex-base aliada fará de tudo para, novamente, entregar uma eleição a Iris, tal qual fez em 2004, quando ajudou a ressuscitar a carreira política do atual prefeito.

Em tempo: Sobre o Senado, para terminar, assino embaixo uma frase do jornalista Luís Nassif, publicada em seu blog. "Entre os senadores Marconi Perillo e Renan Calheiros, fico com Henrique Santillo e Teotônio Villela."

Postado por Eduardo Horácio às 01:27 de 10/12/07.
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12/12/07 - Quarta-feira
Política
Alcides e Jorcelino cada dia piores

Tão grave quanto nomear um funcionário com um salário de R$ 30 mil é descobrir esse salário e mantê-lo indefinidamente, como Alcides e Jorcelino estão fazendo

A dupla formada pelo governador Alcides Rodrigues e o secretário da Fazenda Jorcelino Braga está cada dia pior.

Já faz mais de um mês que ambos vem anunciando que há "centenas" de pessoas com supersalários no Estado. Mas, até agora, nenhum dos supersalários foi cortado. Diante de tal escândalo, não seria lógico que a primeira providência fosse a demissão dos marajás?

E outra: só depois de 20 meses no poder (ele assumiu em abril de 2006) é que Alcides descobriu os supersalários? Antes, nada sabia? Que governador é esse?

Há quase duas semanas, Jorcelino Braga disse à Tribuna do Planalto que sabe da lista dos marajás. Mas que a lista pode ser, ou não, divulgada, "dependendo das circunstâncias".

Hoje, em O Popular, Alcides diz, textualmente, que não pretende expor nomes, mas ameaça: pode revelar informações "no momento oportuno”. “Não queremos colocar nomes para ser motivos de avaliações as mais diversas possíveis. Não vejo razão para isso. No entanto, se for necessário, eu posso divulgar”, diz o governador.

No momento oportuno? Se for necessário? Dependendo das circunstâncias? A idéia que passa é que Alcides e Jorcelino ainda estão na Arena (e não no PP) e na ditadura (e não na democracia), quando autoridades podiam abusar do poder à vontade, colocando sob suspeição os milhares de funcionários públicos do Estado.

Aliás, fazia tempo que Goiás não tinha um governo tão pouco transparente como esse. De fazer inveja a Irapuan Costa Júnior, entre outros.

Se há salários de R$ 30 mil sendo pagos no Estado de Goiás, eles são ilegais (sob o ponto de vista da lei) e imorais sob qualquer ótica. Portanto, devem ser divulgados. E, mais do que isso, extintos. Não é escolha. É obrigação de qualquer representante popular. Os dados não devem ser instrumentos de ameaça na mão de governador ou de qualquer oportunista de plantão.

Se pretendem ser minimamente sérios, Alcides, que está há 20 meses no poder, e Jorcelino - que está há quase 12 - precisam cortar os salários dos marajás imediatamente. Denunciam, mas não agem. Se não fazem isso, passam a se tornar cúmplices. Tão grave quanto nomear um funcionário com um salário de R$ 30 mil é descobrir esse salário e mantê-lo indefinidamente, como Alcides e Jorcelino estão fazendo.

Postado por Eduardo Horácio às 01:35 de 12/12/07.
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14/12/07 - Sexta-feira
Política
A fantasia da diferença

Tirando a perfumaria, os governos FHC e Lula são absolutamente iguais. Mas a torcida petista porta-se como se um fosse o diabo da direita e o outro o salvador da esquerda. Ambos estão na centro-direita. As ações, e as contradições do discurso, mostram isso.

Ser contra ou a favor a CPMF não é ser de direita ou de esquerda.

Em 1999, tucanos e pefelistas votaram unanimemente a favor dela. Petistas foram radicalmente contra. Agora, esta semana, petistas foram unanimemente a favor. Tucanos e pefelistas (agora demistas) foram radicalmente contra.

Tucanos e petistas têm muito em comum: quando estão no poder só pensam em mais imposto, imposto, imposto.

PT e PSDB se atacam e tentam se diferenciar no discurso para sobreviverem. No real e na fantasia. No real, porque disputam o mesmo espaço e querem continuar sendo os protagonista da cena nacional. Na fantasia, por que é ela que não desanima os torcedores.

Em tempo: sobre a CPMF, felizmente foi para o brejo. É o mais injusto dos impostos, pois tem efeito cascata e seu porcentual é o mesmo para ricos e pobres. Se é para os ricos pagarem imposto, uma das primeiras injustiças que devem ser corrigidas é o fato de o país só ter duas faixas de imposto de renda. Quem ganha 3 mil ou 3 milhões, paga o mesmo porcentual. Isso o governo Lula nunca quis discutir.

Postado por Eduardo Horácio às 00:35 de 14/12/07.
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14/12/07 - Sexta-feira
Política
Perillo traiu o PSDB, Lula e Goiás

Por Paulo Henrique Amorim
(o título do texto também é de Paulo Henrique Amorim)

A assessoria do senador Marconi Perillo, do PSDB de Goiás, confirmou ao Conversa Afiada a informação que está na página 10 de O Globo de hoje: "Lula se reuniu às escondidas com senador tucano”.

Preliminarmente: escondido de quem? Da reportagem do Globo, que não soube onde estava o Presidente da República?

Mas, vamos ao que interessa.

Segundo O Globo, Perillo propôs o encontro.

Se alguém foi escondido, foi o senador Perillo, que sugeriu que o encontro não fosse nem no Planalto nem no Alvorada, porque “pegava mal”, segundo o Globo.

Perillo se ofereceu para ajudar a convencer senadores do PSDB.

Naquele mesmo dia, à tarde, por iniciativa de Perillo, se reuniram senadores do PSDB (Tasso Jereissati, Sérgio Guerra, Arthur Virgilio Cardoso), em seu (de Perillo) apartamento em Brasília, para conversar com Antonio Palocci e o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, que falavam em nome do Governo.

Ali ficou combinado que Lula apresentaria uma carta em que se comprometia a destinar 100% da CPMF à Saúde.

Não deu certo e Perillo fez um dos discursos mais veementes contra a aprovação da CPMF (clique aqui para ouvir o áudio).

Por que Perillo fez o discurso?

Precisava?

Perillo traiu três vezes:

1) o Presidente Lula. 2) O PSDB, já que foi se encontrar às escondidas com o Presidente Lula. 3) E o mais importante: o povo de Goiás, que pensa que ele é o que diz, mas ele é o que não diz.

Para ver este texto no blog de Paulo Henrique Amorim, clique aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 12:32 de 14/12/07.
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14/12/07 - Sexta-feira
Política
Lula se reuniu às escondidas com senador tucano

Marconi Perillo se ofereceu para ajudar a convencer colegas do PSDB

Por Ricardo Noblat
De O Globo

BRASÍLIA. Sabe o que Lula foi de fato fazer na casa do governador José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal, quando se ofereceu para tomar café da manhã com ele na terça-feira? Foi se encontrar às escondidas com o senador Marconi Perillo (PSDB-GO). Pegava mal para Perillo se reunir com Lula no Palácio da Alvorada ou em outro espaço do governo.

Lula detesta Perillo. No auge do escândalo do mensalão, ele era governador de Goiás. E disse que advertira Lula sobre o esquema de compra de apoios de deputados. E que Lula nada fizera. Lula não o perdoa. Alveja-o com palavrões impublicáveis. De todo modo, viu na chance de se encontrar com ele uma maneira de tentar salvar a CPMF.

Foi Perillo quem propôs o encontro. Ele se ofereceu a Lula para ajudar a convencer senadores no PSDB e votarem com o governo. Naquele mesmo dia, à tarde, no seu apartamento, em Brasília, juntou os senadores Sérgio Guerra, presidente do partido; Arthur Virgílio (AM), o líder; e Tasso Jereissati (CE) com o deputado Antonio Palocci (PT-SP) e o governador Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco.

Ali foi combinado o que o governo ofereceria mais tarde ao PSDB - 100% da CPMF para a saúde e uma carta de Lula avalizando a oferta. O acordo deu chabu. Na sessão do Senado que terminou de madrugada, Perillo fez um dos mais contundentes discursos contra a CPMF.

Para visitar o sítio da edição impressa de O Globo, clique aqui

(o título e o subtítulo desta matéria são de O Globo)

Postado por Eduardo Horácio às 10:41 de 14/12/07.
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11/12/07 - Terça-feira
Política
Relatório isenta Polícia do Senado de espionagem contra Marconi Perillo

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), leu nesta terça-feira o relatório preliminar elaborado pela Polícia Legislativa da Casa, no qual isenta policiais do órgão de envolvimento com uma suposta ação de espionagem contra o senador Marconi Perillo (PSDB-GO). Mas o corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), afirmou que manterá as investigações sobre a denúncia.

De acordo com o relatório, investigações realizadas pela Polícia Legislativa com base em informações obtidas por meio da Direção Geral de Polícia de Goiás indicam que não há indícios de envolvimento de policiais do Senado no esquema de espionagem.

Segundo denúncias, a ação de espionagem teria sido articulada pela Polícia Legislativa do Senado. De acordo com reportagem da revista "Veja", a Central Única Federal dos Detetives do Brasil, com escritório em Brasília, foi acionada pela Polícia do Senado para levantar informações financeiras de Perillo. Uma das suspeitas era que o senador seria dono de conta milionária em bancos dos Estados Unidos. Outro alvo da investigação seria uma eventual participação societária oculta de Perillo nas empresas Perdigão e Schincariol, instaladas em Goiás.

O tucano negou, por meio de sua assessoria, participação nas empresas e conta milionária. As denúncias surgiram no começo deste mês. Na ocasião, Viana saiu em defesa da Polícia do Senado. Tuma afirmou que vai dar continuidade às investigações.

De acordo com ele, serão concedidos mais 60 dias de prazo, uma vez que pediu suporte para a Polícia Federal. Segundo o senador, o relatório preliminar da Polícia Legislativa do Senado será anexado aos demais documentos já reunidos por ele.

Para ver a matéria no sítio da Folha na internet, clique aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 22:18 de 11/12/07.
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17/12/07 - Segunda-feira
Análise
Competências e incompetências

O ano de 2007 começou com uma certeza: a velha disputa entre UDN e PSD (atualizada nas siglas atuais, PP e aliados contra PMDB) estava mais forte do que nunca - e cada vez mais longe de ser rompida em Goiás.

Alcides Rodrigues (PP) havia vencido a eleição, o PMDB novamente tinha sido escolhido para ser oposição e o PT abdicou da possibilidade de ter candidato.

Um ano depois, 2008 tende a indicar o início do caminho inverso: nunca a bipolaridade esteve tão próxima do fim.

Os motivos:

1) A oposição peemedebista ao governador Alcides Rodrigues (PP) nunca foi tão fraca como agora, a despeito de todas as crises do governo estadual;

2) A oposição pepista-tucana ao prefeito Iris Rezende (PMDB) nunca esteve tão morta, apesar de Iris ser o adversário número 1 a ser batido por eles;

3) O PT, que parecia entregue ao PMDB, dá sinais (ainda não conclusivos) de que vai tentar se diferenciar das duas forças principais;

4) O ano de 2010 tem tudo para ser o ano do cansaço do eleitor.

Cansaço do eleitor? Há grandes chances.

Afinal, tudo aponta para um duelo entre dois coronéis: Iris e Marconi Perillo (PSDB) devem tentar, cada um, seu terceiro mandato como governador. Iris já foi governador por duas vezes, alternadamente (1983-1986 e 1991-1994).  Marconi foi duas vezes, consecutivamente (1999-2002 e 2003-2007).

Um dos motivos da derrota de Iris em 1998 foi o fato de o eleitor ter cansado do peemedebista. Uma das razões de Marconi em 1998 e 2002 foi o fato dele simbolizar o "novo". Em 2010, não terá esse trunfo.

Convém inclusive lembrar de alguns trechos do jingle que embalou a campanha de Marconi em 1998:

"De tempo em tempo o novo vem/
Quem diz que o povo não muda/
nega o poder que o povo tem/
Somente o povo é que renova/
unido vota e faz mudança/
O povo é quem dá o poder/
mas também tira com a mudança."

Como Marconi e Iris não serão o "novo" em 2010, há uma possibilidade de abertura para uma terceira via em 2010, que parecia morta no fim de 2006.

Via, essa, que poderia inclusive vir agregada com algum "não-novo", se Iris ou Marconi, por exemplo, desistirem da disputa em 2010. Só que aí, claro, a bipolaridade não seria rompida.

Um dos nomes que poderiam ser terceira via ou estar unido à uma das duas vias principais é Henrique Meirelles (hoje sem partido). Dele se fala desde a eleição passada.

Se quiser dar um prosseguimento à carreira política em Goiás, o momento certo para Meirelles será em 2010. Até porque ele precisa renovar seu vínculo com a política do Estado, interrompido em 2003 quando foi chamado para a equipe de Lula.

A outra possibilidade seria o PT. Inclusive, talvez, com o próprio Meirelles, hoje presidente do Banco Central de um governo petista. Sem Meirelles, o partido teria dificuldades. Nomes há, mas falta consolidá-los no imaginário do eleitor.

A figura política mais forte do petismo, Pedro Wilson, acabou sumindo do jogo político depois que não conseguiu se reeleger prefeito de Goiânia em 2004. A derrota de Pedro abalou tanto o PT que o partido até abriu mão de lançar candidato a governador em 2006, algo inédito em sua história.

 Antes, de 1982 a 2002, o PT sempre se manteve como terceira força no Estado - e sempre com candidato próprio a governador. Procurava estar longe do PMDB e do grupo que hoje reúne PP, PSDB, PTB, PL e parte do PFL.

Falta também estrutura e tradição ao PT no interior do Estado, embora sobre na capital. O PT nunca alcançou o interior do Estado como gostaria.

Claro, pode-se sempre argumentar que Marconi também não tinha estrutura em 1998. Mas, bem ou mal, tinha nos bastidores o peso das principais forças udenistas de Goiás. Ronaldo Caiado e Otávio Lage, para citar duas figuras de famílias históricas, foram decisivos na campanha do tucano.

A grande força que uma terceira via, ainda difusa, terá em 2010 tem menos a ver com os méritos dela e mais a ver com os erros das duas forças principais.

O fato de o PMDB não fazer oposição a Alcides e PP-PSDB não fazerem oposição a Iris é, talvez, o menor dos males. O grande problema do PMDB, hoje, é sua estrutura em frangalhos no interior, onde antes era forte. Na base aliada, liderada por PP-PSDB, o grande problema nem é a impopularidade crônica de Alcides, que pode ser revertida. O nó górdio é o relacionamento dos aliados. Nunca estiveram tão desunidos.

E a desunião da base aliada tem chegado a tal ponto que há quem diga que só uma derrota os une outra vez. E o aviso está em luzes de natal: a derrota não está longe. Afinal, sempre que partiram desunidos para uma eleição, perderam.

Há um paradoxo nisso tudo: é a própria bipolaridade que pode provocar seu fim.

O PMDB se empolgou tanto com o ressurgimento de Iris em Goiânia que descuidou do interior.

A base liderada por PP e PSDB se acha tão invencível que briga entre si como nunca.

Se Marconi e Iris, os dois nomes mais fortes de seus grupos, toparem uma disputa em 2010, o eleitor poderá decidir que está enfadado com os dois.

Parece até piada, mas resta saber se alguém vai tentar ser a terceira via. Não há dúvidas que, mesmo com um cenário a favor, a terceira via continua incompetente como sempre. Precisará, portanto, ser menos incompetente do que as duas grandes forças principais.

Postado por Eduardo Horácio às 19:52 de 17/12/07.
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22/12/07 - Sábado
Análise
Os vereadores e o patrimonialismo

Livro essencial para entender o nepotismo dos vereadores de Goiânia: Os Donos do Poder (Ed. Globo, 914 págs, R$ 75 novo e R$ 48 em alguns sebos). A obra de Raymundo Faoro (1925-2003) pontua que o grande problema do Brasil é o patrimonialismo.

Patrimonialista é o político que pensa que o Estado é sua empresa, que o espaço público é de uso particular e, portanto, pode ser ocupado por sua família.

Não surpreende que o presidente da Câmara de Goiânia, Deivison Costa (PT do B), queira indicar sua mãe para um cargo técnico. E que outros três vereadores tentem fazer o mesmo com parentes de primeiro grau. E que até o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), ache isso normal. O patrimonialismo é, infelizmente, a melhor chave para explicar o Brasil.

Em 1837, a rainha Vitória, no Reino Unido, tomou uma decisão sábia. Com amplos poderes na época, Vitória mudou radicalmente o papel da monarquia. Saiu completamente da política. Deixou esta para os primeiros-ministros.

O regime continuou monárquico na forma, mas republicano no conteúdo. República (bem público, traduzido do latim) não é só uma forma de governo. É um jeito de governar. Significa que governantes devem abrir mão de vantagens e desejos pessoais quando estão no poder, até mesmo de beneficiar sua própria família.

O vice-prefeito Valdivino de Oliveira (PMDB) declarou que não há depotismo nas nomeações dos vereadores, porque elas não foram feitas dentro de um mesmo poder. Deivison disse que não há lei que defina nepotismo cruzado.

Esse é o grande perigo do patrimonialismo: até mesmo arrumar brechas para se tornar normal aos olhos da lei, apesar de anti-republicano.

A subtração do dinheiro público (o tipo de patrimonialismo mais fácil de entender) para os bolsos do governante é um delito grave. Disso ninguém duvida. Mas a ocupação do espaço público por familiares de vereadores (ou outros políticos) nem sempre é vista da mesma forma.

O vereador Clécio Alves (PMDB), quando questionado da nomeação de seu irmão Ricardo Alves para a Câmara Técnica de Planejamento do Plano Diretor, disse que a Secretaria de Planejamento é "uma secretaria de corrupção e prostituição política”.

Clécio não respondeu sobre a única questão em debate (o nepotismo, uma das características do patrimonialismo) e ainda tentou desviar a questão para um órgão da prefeitura. Clécio, talvez, nem tenha percebido a gafe que cometeu. Se o que diz é verdade, o vereador teria indicado seu próprio irmão para estar próximo de um local de "corrupção e prostituição política”?

Quando questionados a respeito, os praticantes do patrimonialismo agem como Clécio: nunca entram na questão principal. Falam da formação escolar de seus parentes, de serem de fato pessoas confiáveis e outros atributos. Costumeiramente, contra-atacam o que for conveniente.

Nenhum se lembra de que a discussão não é sobre o caráter, a capacidade ou a confiabilidade do parente nomeado. Muito menos sobre o tipo do cargo a ser ocupado (se técnico ou político).

O problema é que o bem de todos é diferente, por natureza, do bem privado. Ainda que irmãos, mães e filhos indicados pelos vereadores de Goiânia sejam os mais capacitados em suas áreas (nada indica que sejam ou não sejam), eles jamais devem ocupar cargos públicos, a não ser por concurso.

O nepotismo, cruzado ou não, é a usurpação da coisa pública por interesses particulares.

O patrimonialismo, às vezes, é tão forte que pode até ser democrático. Um terceiro mandato de Lula, por exemplo.

A idéia não está em debate. Mas se fosse aprovado em plebiscito e referendado pelo Congresso, uma decisão de tal porte seria anti-republicana. Haveria vontade da maioria, mas ao mesmo tempo beneficiaria um interesse particular: o do presidente da República e de seu grupo que está no poder.

Ao contrário da decisão democrática, o principal, na República, não é quantos são beneficiados, e sim o tipo de bem que se procura.

Em tempo: para não haver dúvidas de que o patrimonialismo em Goiás é bem mais profundo do que discutir nepotismo, basta visitar a história do Estado no fim do século 19. Lá estarão os sobrenomes dos protagonistas e coadjuvantes: Albernaz, Perillo, Caiado, Vilela, Teixeira, Machado...

Postado por Eduardo Horácio às 18:05 de 22/12/07.
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26/12/07 - Quarta-feira
Polícia
SSP acima da lei

Por Carla Monteiro
 
A polícia goiana, em especial a Militar (agora uma superintendência da Secretaria de Segurança Pública), definitivamente parece estar confundindo autoridade legal com autoritarismo.

Levantamento do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, comandado pelo ministro Paulo Vannuchi, tem listado 18 casos sobre assassinatos e desaparecimentos atribuídos a policiais militares de Goiás, nos últimos seis anos e meio.

A situação será denunciada à ONU.

Isto, porém, aparentemente não abala o titular da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Goiás, o criminalista Ernesto Roller. Ele, com sua pose de galã e sorriso fácil, se mostra mais propenso a desdenhar da situação. "Não há evidências de morosidade nas buscas pelas autorias. A corregedoria tem tudo sobre controle". Resta-nos apenas indagar 'controle de quem?'.

O escárnio à situação é de tal dimensão que chega a causar medo, pois ao contrário do que possa parecer, a cada suposto criminoso que se mata, outros protagonistas da marginalidade surgem e se estabelecem com maior ferocidade.

Para ler a continuação deste texto, vá ao blog da Carla clicando aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 00:50 de 26/12/07.
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29/12/07 - Sábado
Análise
2007, o ano que quase não existiu
Foto: Germind Carvalho/Secom

Se 1968 é o ano que não acabou, 2007 não vai entrar na história. Simplesmente porque quase não existiu. É um período do qual muito se esperou e pouco aconteceu.

Já no início do ano, anunciou-se com estardalhaço o iPhone da Apple e a TV Digital no Brasil. Até agora, são dois micos. O iPhone está cheio de defeitos, as travas impedem funcionamento no Brasil e a TV de alta definição tem conversores caros para a população brasileira.

No esporte, o anúncio de que o Brasil seria sede da Copa de 2014 foi um anticlímax, já que nem concorrentes havia.

O gol 1000 de Romário, além de ser fruto de uma conta forçada, só saiu numa partida apagada de São Januário, quando o assunto já tinha esfriado.

Anunciou-se uma crise mundial com a bolha imobiliária nos EUA, que também nem chegou a ser crise de fato (pelo menos por enquanto).

O ano que termina também quase não existiu na política.

Muito barulho se fez em torno das trapalhadas de Renan Calheiros, mas ele não foi cassado.

Sob palmas do governo e da oposição, Nelson Jobim foi cuidar do caos aéreo, mas nada resolveu.

 Lula discursou compulsivamente, petistas ainda se dizem de esquerda e a oposição veio de novo com aquele papo mole de oposição responsável.

O PFL mudou de nome (agora é DEM), sem mudar o conteúdo. Nada de novo, como se vê.

Na política goiana, a opção pelo marasmo. No poder desde abril de 2006, o governo de Alcides Rodrigues (PP) demorou para entrar em 2007. A frase mais forte do ano foi dele: "o Estado está paquidérmico". Passou os primeiros meses reclamando da dívida do Estado, mas não tomou iniciativa para amenizá-la.

A reforma administrativa de Alcides foi anunciada, mas até agora ainda não está implementada.

Aliados do governador brigaram entre si, o que não é algo exclusivo de 2007.

Novidade, talvez, seja o fim do chamado "Tempo Novo", sem que isso signifique que algo tenha sido colocado no lugar.

A briga entre alcidistas e marconistas se acirrou, a corda foi esticada, mas nenhum rompimento aconteceu.

A paralisia do governo Alcides fez o endividamento deixado pelo governo anterior parecer maior do que já é. O que, entre outras coisas, foi péssimo para a imagem do PSDB.

Nome escolhido a dedo por Alcides para conduzir a articulação política em seu governo, o secretário extraordinário Roberto Balestra (PP) negou tanto a crise entre PP e PSDB que até chegou a fazer o papel de assessor do PSDB, jogando contra os interesses do PP.

Em outro momento, Balestra foi esvaziado. O secretário da Fazenda Jorcelino Braga passou a comandar também as articulações políticas, sempre autorizado pelo governador.

As oposições seguem incompetentes. Embora todos os adversários reconheçam que Iris Rezende (PMDB) é um candidato à reeleição difícil de ser batido em 2008, nenhum deles procurou fazer uma oposição minimamente decente.

PT de um lado, PP e PSDB de outro, facilitaram as coisas para o peemedebista. Foi até mais comum ver adversários elogiando Iris do que apontando os defeitos de sua administração.

Quanto a Alcides, apesar da impopularidade crônica, a oposição peemedebista e petista não atacou o governador. Preferiu, estranhamente, a trégua.

Um fato surpreendente: este foi um ano em que os senadores Marconi Perillo (PSDB) e Demóstenes Torres (DEM) fizeram as pazes.

Em 2006, durante a campanha eleitoral, Demóstenes disse que Marconi era "analfabeto, vagabundo, maloqueiro e ladrão".

Marconi afirmou, à época, que Demóstenes era uma "pessoa do mal, doentia, bajuladora, desprovida de caráter e leviana". Parecia que seriam inimigos para sempre.

Mas em março já estavam se elogiando.

Um fato nada surpreendente: mais uma vez, Marconi e Iris trocaram juras de amor e de ódio simultaneamente, como acontece desde 1998.

Em setembro, Iris disse que Marconi era "petulante e deixou um caos para Alcides governar". Marconi respondeu que Iris era um "coronel político rancoroso, arrogante, megalomaníaco, truculento, avesso às críticas e reacionário".

Em dezembro, na véspera do natal, Marconi foi visitar Iris no Paço Municipal. Levou presentes, mimou Iris e foi elogiado por ele.

Em Goiânia, os tucanos Marconi Perillo e Nion Albernaz trocaram diálogos públicos na mídia, um apontando para o outro como o candidato mais forte do partido na capital. Nenhum dos dois, no entanto, chegou a pensar na possibilidade de fato, o que mostra como 2007 foi farto de especulações e raso em fatos.

Marconi nunca pensou em deixar o Senado para tentar a prefeitura e Nion exigiu condições irreais de uma base aliada em frangalhos para deixar sua aposentadoria em Morrinhos.

O ano de 2008 deve reiniciar a briga entre Marconi e Iris e acirrar as diferenças entre Alcides e Marconi.

Há eleições em todas as cidades, o que deve ser um teste de fogo para o PMDB, para o PT e para os aliados do governador. Será também uma prévia do que esperar em 2010.

Ou seja: se 2007 quase não existiu, 2008 tem tudo para ser um ano que só vai acabar em 2010.

Postado por Eduardo Horácio às 05:07 de 29/12/07.
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30/12/07 - Domingo
Política
Marconi e Alcides mais distantes

Abaixo, trechos da entrevista que o senador Marconi Perillo (PSDB) concedeu hoje ao jornal O Popular:

"As duas administrações que realizei não foram só minhas. Foram administrações compartilhadas com todos os partidos da base, cujo vice-governador era o atual governador Alcides Rodrigues.

O plano de carreira que mais impactou a folha do Estado, de longe, foi da Segurança Pública. Esse plano não foi aprovado na minha gestão. O governador Alcides foi quem negociou com as categorias. É ele que cria o maior impacto. São mais de R$ 50 milhões nas folhas mensais.

Eu, o então vice-governador Alcides e toda a base fizemos compromissos sérios na valorização dos servidores e cumprimos. Demos aumentos e pagávamos em dia. Rigorosamente em dia.

O governador implementou o ritmo dele, com os recursos e projetos que ele tem para o Estado. Eu participei muito pouco. (...) Nas vezes em que fui chamado a dar minha opinião – foram poucas –, procurei dar com prazer.

Nunca houve atrasos no período em que fui governador. A gente trabalhava com muita economia. Era pouco dinheiro para realizar o máximo possível.

Não vou liderar (a articulação para as eleições de 2008). Estou desprovido desse tipo de vaidade. (...) Governador é o Alcides e ele naturalmente vai assumir essa incumbência. Eu estarei, como os outros senadores e deputados, como coadjuvantes, para ajudar.

Em relação a 2008, nós temos na base aliada um coordenador natural, que é o governador Alcides. Mas até agora ele não se movimentou nesse sentido. Ele deve saber o timing mais correto.

Acho uma gestão boa (a de Iris Rezende, em Goiânia). Não quero ficar dando esse tipo de opinião porque senão vai ficar parecendo que estou dando uma opinião política e não é isso. Acho que a demonstração de respeito que tenho por ele ficou clara na minha visita a ele. A mesma coisa em relação ao governador."

Resumo da ópera:
1) Marconi agora quer passar a Alcides a co-responsabilidade por tudo que aconteceu no Estado nos últimos oito anos;
2) Marconi diz que aquilo que acontece agora é responsabilidade exclusiva de Alcides;
3) O tucano passa a responsabilidade da eleição de 2008 toda para Alcides;
2) Marconi manda recado: não foi ele que inchou a folha de pagamento do Estado;
3) Outro recado: diz que a gestão de Iris Rezende em Goiânia é boa. Sobre a de Alcides, nada falou

Leia a íntegra da entrevista clicando aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 04:17 de 30/12/07.
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O que Marconi quis dizer com a frase "Eu esperei esse debate como o vigia espera o alvorecer" dita depois do debate da OJC de 31 de agosto?
Que, assim como um vigia, queria ir embora logo do debate;
Que ele está vigiando os adversários até de madrugada;
Que ele não estava nem aí para o debate (ou o alvorecer)
Que depois de Lua Nova e Eclipse ele mal pode esperar pelo Alvorecer
 
 
 
 
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